Foto: Ana Moitinho

O tema de “Recanto” incidirá sobre “as histórias locais, as personagens da terra, os ícones da região, as lendas e as memórias de cada grupo musical”, com as músicas a serem reinventadas ao estilo de Capicua e Nerve, e que serão apresentadas juntamente com as atuações do Coro Misto do Orfeão de Abrantes, Cant´Abrantes, Grupo de Cavaquinhos do Orfeão de Abrantes, Grupo de Cavaquinhos do Louriçal (Pombal) e as presenças dois rappers portugueses.

A estreia de “Recanto” acontece este sábado, 28 de Maio, no Parque Urbano de São Lourenço em Abrantes, no âmbito do projeto Artemrede. É de entrada livre e acontece a partir das 21h30.

Segundo nota enviada à imprensa sobre este projeto, refere-se que o resultado será o cruzamento de “dois territórios, dois rappers, dois grupos corais, dois espetáculos finais, um documentário, um ´making of´ e as gravações áudio do cancioneiro renovado”, traduzindo-se em “duas realidades de cultura em palco”.

O processo demorou até ao resultado final, implicando pesquisa, proposta de novas letras e múltiplos ensaios, refere a produção.

Em entrevista à Artemrede, Capicua revela que “ao início o convite era fazer alguma coisa ligada aos grupos corais. Essa questão das letras foi uma coisa que surgiu no brainstorm inicial, porque a mim entusiasma-me sempre a parte da escrita e achei que, de facto, em termos de contributo, podia ser um caminho importante para cruzar o trabalho dos grupos corais ou musicais – no caso não são só grupos corais – com uma dimensão territorial, cultural e social de cada uma das localidades. Porque as letras de canções permitiriam explorar os temas que têm a ver com aquilo que é a vivência de cada território, e o que tem a ver com as lendas, as histórias locais, as histórias das pessoas, a história dos próprios grupos, a cultura daquele contexto geográfico. Pensei que as letras seriam um bom ponto de partida para explorar tudo isso”.

Capicua. Foto: Pedro Jafuno

Por outro lado, Nerve afirma que aceitou o convite “precisamente por ser fora da minha área de conforto no campo artístico. Pareceu-me muito desafiante aplicar algumas das técnicas da nossa profissão. Portanto, jogar aqui com sílabas, mesmo no contexto rap há sempre sílabas que estão a mais, outras que estão a menos, temos de fazer ali jogos de palavras e por aí fora. E aplicar isso a um formato completamente diferente pareceu-me muito interessante. E de facto foi, o processo foi muito bom”, admite.

Nerve. Foto: Pedro Jafuno

Depois do concerto em Abrantes, segue-se a apresentação do projeto num espetáculo no Louriçal (Pombal) no dia 18 Junho, no Largo Dom Luís Meneses, pelas 21h30.

São 20 canções no total, “a manter sonoridades tradicionais mas a introduzir novos personagens em letras totalmente reescritas pelos dois rappers”, refere a Artemrede.

Elisabete Pereira, do Orfeão de Abrantes, não esconde que “eles conseguiram transmitir algumas dessas histórias, a Ana e o Tiago conseguiram pô-las nas canções que nos foram oferecidas. E foi muito, muito gratificante e as pessoas estão super contentes. Acham imensa piada a isto de se fazer uma letra dentro daquela música a que estamos habituadas, com uma história que nos diz alguma coisa”.

Foto: Pedro Jafuno

Já Cristina Diniz, do Grupo de Cavaquinhos do Louriçal, admite que “quando eu apresentei a ideia ao grupo… Muitos não conheciam, que o rap e o hip hop não é a onda deles, mas os mais novos, assim: “a sério? A sério? O Nerve? Que giro!” E pronto, resolvemos aceitar. Inicialmente, ficámos assim, só com um bocadinho de medo, porque começámos a pensar: “Será que é preciso rappar?” Porque nenhum de nós tem jeito para isso. [risos]”.

O espetáculo “RECANTO” inclui os grupos Cant’Abrantes, o Grupo de Cavaquinhos do Orfeão de Abrantes e o Coro Misto do Orfeão de Abrantes e ainda o Grupo de Cavaquinhos do Louriçal (Pombal).

Foto: Pedro Jafuno

Esta é uma coprodução Artemrede no âmbito do projeto Territórios Pertinentes com o apoio dos Municípios de Abrantes e Pombal Apoio Centro 2020 | Programa Operacional Regional do Centro e Governo de Portugal – Ministério da Cultura/Direcção-Geral das Artes.

A Artemrede é um projeto de cooperação cultural e territorial que atua, desde 2005, nas áreas da programação em rede, do apoio à criação, da formação e da mediação cultural. Atualmente é constituída por 18 associados: os municípios de Abrantes, Alcanena, Alcobaça, Almada, Barreiro, Lisboa, Moita, Montemor-o-Novo, Montijo, Oeiras, Palmela, Pombal, Santarém, Sesimbra, Sobral de Monte-Agraço, Tomar, Torres Vedras e a cooperativa Rumo.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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