A Câmara do Entroncamento aprovou por maioria o primeiro orçamento apresentado por Nelson Cunha, presidente eleito pelo Chega. Foto: mediotejo.net

A Câmara Municipal do Entroncamento aprovou por maioria o orçamento para 2026, no valor de 41,1 milhões de euros (ME), menos 2,4 ME comparativamente ao ano em curso (43,5 ME), centrando-se em oito eixos estratégicos de investimento.

O orçamento municipal para 2026 marca o início de um novo ciclo político no Entroncamento, segundo o presidente da Câmara, Nelson Cunha (Chega), num documento aprovado a 11 de dezembro em reunião de executivo e no dia 22 em Assembleia Municipal, e que prevê investimentos estruturantes em oito eixos estratégicos, desde segurança urbana a modernização administrativa.

“O orçamento municipal para 2026 é o primeiro totalmente alinhado com a visão estratégica do novo executivo. Coloca no centro a segurança, a qualidade dos serviços públicos, educação, habitação, saúde, desenvolvimento económico, sustentabilidade ambiental e modernização administrativa”, afirmou o autarca durante a apresentação do documento, que contou com a abstenção de toda a oposição.

Câmara do Entroncamento aprova orçamento de 41,1 ME com oito eixos estratégicos

Entre os oito eixos centrais destacam-se a segurança urbana integrada, educação de excelência com modernização tecnológica das escolas, habitação justa e acessível, saúde e bem-estar com incentivos à fixação de médicos, desenvolvimento económico e turismo ferroviário, sustentabilidade e melhoria do espaço público, mobilidade e infraestruturas de crescimento e modernização administrativa com maior proximidade ao cidadão.

“Cada eixo reflete o compromisso do nosso executivo em construir um Entroncamento mais moderno, seguro e inclusivo, onde cada investimento contribui diretamente para a qualidade de vida dos munícipes”, declarou o autarca eleito pelo Chega, que assumiu o primeiro mandato na presidência do município.

No eixo da segurança, prevê-se a instalação de 55 câmaras de videovigilância e comunicações 5G, modernização da sinalização e semaforização, reorganização do tráfego e reforço do policiamento de proximidade, incluindo a criação da Polícia Municipal.

A habitação receberá investimentos de 4,9 ME no novo conjunto de blocos habitacionais, além da reabilitação integral do bairro Humberto Delgado.

Câmara do Entroncamento aprova orçamento de 41,1 ME com oito eixos estratégicos

No desenvolvimento económico e turismo, destacam-se a revitalização da Rua Luís Falcão de Sommer, a nova centralidade com 4,8 ME e eventos culturais e turísticos como o Railway Summit, Festas da Cidade e Festival “Loucos Anos 20”.

No eixo da mobilidade, estão previstos 1,4 ME para a requalificação da EN3, aquisição de novos autocarros e requalificação de zonas urbanas e industriais.

Os vereadores do PS e da coligação Viva o Entroncamento (PSD-CDS-Independentes) abstiveram-se na votação na reunião de executivo, assim como em sede de Assembleia Municipal.

O vereador Ricardo Antunes (PS), na reunião de Câmara, afirmou que o orçamento “é uma peça de continuidade, equilibrando rupturas e garantindo medidas fundamentais”, mas apontou lacunas no planeamento estratégico e necessidade de maior auditoria e capacitação dos serviços.

Ricardo Antunes, vereador do PS. Foto arquivo: DR

“O orçamento apresenta medidas positivas, mas continuamos a insistir na necessidade de maior planeamento estratégico e transparência financeira para garantir sustentabilidade a longo prazo”, declarou.

Rui Madeira (Viva o Entroncamento) criticou, por sua vez, a dependência elevada de fundos externos, o endividamento, a saturação dos serviços públicos e a falta de instrumentos estratégicos, apesar de reconhecer a legitimidade do Chega na governação e abster-se para garantir estabilidade política.

Rui Madeira, vereador do coligação Viva o Entroncamento. Foto arquivo: DR

“Abstemo-nos por responsabilidade, reconhecendo a legitimidade do executivo, mas mantemos reservas quanto à dependência externa e à capacidade do município em absorver os investimentos previstos”, afirmou.

O orçamento mantém o IMI em 0,30% para prédios urbanos, 5% de participação de IRS e 1,5% de Derrama, com possibilidade de redução ou isenção ligada à criação de postos de trabalho, ponto aprovado por unanimidade.

O executivo municipal do Entroncamento é constituído por três eleitos do Chega, dois da coligação Viva o Entroncamento (PSD/CDS-PP/independentes) e dois do PS, detendo o Chega 10 assentos na Assembleia Municipal, a coligação Viva o Entroncamento sete, e o PS cinco.

c/LUSA

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