Fábrica Cratoliva em Parceiros de Igreja (Torres Novas). Foto arquivo: BE

A Câmara de Torres Novas considera que a fábrica da Cratoliva, em Parceiros de Igreja, não tem condições para continuar a laborar mas a empresa assegura que está a resolver os problemas ambientais, ao nível de fumos e maus cheiros. O vice-presidente do município disse que, no âmbito de uma vistoria efetuada à fábrica, foi dado um prazo para regularização de alguns licenciamentos, após o qual mandará encerrar a atividade.

“O que se passa com a Cratoliva é que há queixas da população e queixas do conhecimento geral, porque há maus cheiros […] em várias áreas e aldeias, até nem tão próximas assim, onde os cheiros efetivamente chegavam lá”, disse esta semana à Lusa o vice-presidente da Câmara de Torres Novas.

Luís Silva, que é também responsável pela área do urbanismo na Câmara Municipal de Torres Novas, disse ainda que foi dado um prazo à empresa para regularização e legalização de alguns licenciamentos, após uma vistoria efetuada às instalações da fábrica.

“Ao fazer a vistoria para certificar as condições de laboração verificou-se que, de facto, há um conjunto de coisas que estão a funcionar sem os devidos licenciamentos. Estando em atividade, entendemos que teríamos que mandar encerrar a atividade”, afirmou o responsável, acrescentando que a empresa foi notificada da decisão e foi dado um prazo de 90 dias para regularizar os processos em falta.

A fábrica Cratoliva, responsável pelo processamento de bagaço de azeitona, está instalada na aldeia de Parceiros de Igreja, na União das Freguesias de Brogueira, Parceiros de Igreja e Alcorochel.

Contactado pela Lusa, o gerente da Cratoliva, Carlos Simões, disse não ter recebido “qualquer notificação” por parte do município, mas reconheceu que a atividade da fábrica pode originar “algum mau cheiro” na aldeia, embora tudo esteja a ser feito “para resolver o problema” dos fumos e cheiros.

“Estamos a fazer investimentos na ordem dos dois milhões de euros para alterações e algumas correções numa fábrica que é antiga, já com 90 anos, e a empresa já encomendou um eletrofiltro, que será montado até ao final do ano, para evitar os fumos e os cheiros”, referiu.

Carlos Simões explicou ainda que a laboração está parada desde julho e que, “até final do ano”, conta ter “tudo operacional” de modo a “reiniciar a laboração em janeiro”.

Em julho, a fábrica foi alvo de uma operação da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), tendo sido instaurado um processo-crime por suspeita de fraude sobre mercadorias e apreendidos 18.200 litros de óleo alimentar e 177.690 rótulos com menção de azeite.

Num comunicado enviado na altura, a ASAE explicou que a apreensão foi feita no âmbito da operação de fiscalização “Oliva” a uma indústria de extração e refinação de óleos vegetais, com embalamento de óleos e azeites, no concelho de Torres Novas.

A ASAE adiantou ainda que foi instaurado um processo de contraordenação por deficiência das condições de higiene e estruturais e determinada a suspensão imediata da atividade.

Questionado sobre esta situação, Carlos Simões confirmou a operação da ASAE na Cratoliva, mas negou qualquer intenção de vender óleo alimentar com o rótulo de azeite ou poluição de linhas de água.

Também em junho, o vereador do Ambiente da Câmara de Torres Novas considerou que as pessoas têm “toda a razão” para estarem “indignadas, insatisfeitas e ansiosas pela resolução de um problema ambiental, mas também de saúde pública”.

Esta semana, o vice-presidente da câmara assegurou que o município apoia todos os empresários, mas salientou que o que está em causa é um problema ambiental.

“É evidente que nós apoiamos o empreendedorismo, apoiamos as empresas, e estas fazem falta para a criação de postos de trabalho. Agora, empresas poluidoras não. Já tivemos problemas gravíssimos no passado com uma empresa […] e dispensamos as que não cumpram com as normas de segurança e de ambiente necessárias”, disse Luís Silva.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Agência de Notícias de Portugal

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