E um dia a casa veio abaixo… uma casa, uma enorme casa localizada na malha urbana de Tomar, por detrás do hipermercado LIDL e ao lado do Presídio Militar, foi demolida na tarde de terça-feira, 16 de fevereiro, colocando um ponto final numa situação social grave que levou ao realojamento de duas pessoas no Bairro 1.º de Maio.
No imóvel de dois andares – onde não existia água nem luz, sem vidros nas janelas e com o chão armadilhado devido à podridão – chegaram a viver três homens, num quadro de grande miséria social.
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Imóvel foi despejado antes de ser demolido

O mais velho dos ocupantes deste casarão, Manuel Jesus da Conceição, de 70 anos – conhecido na cidade pela alcunha de Cavalo de Pau – vir a ser institucionalizado  no Lar “Raízes do Nabão”, na Pedreira, a 12 de outubro de 2015, após  ter sido  denunciado por um dos seus “companheiros” de lar que se encontrava gravemente doente e entregue à sua má sorte. Vivia há muitos, muitos anos nesta casa, tendo recusado sair em ocasiões anteriores. O seu caso, por este motivo, já há muito que estava sinalizado pela Segurança Social mas só depois de ter vindo a praça pública o estado frágil de saúde é que conheceu este desfecho.

Após o realojamento do idoso – que chegou a ser uma das figuras típicas da cidade, onde vendeu cautelas –  no casarão continuaram a viver dois homens em condições sub-humanas.

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Manuel da Conceição foi internado num Lar a 12 de outubro
António Mendes e António Mergulhão são os seus nomes. Ambos desempregados, acabaram por fazer da casa em ruínas o seu lar. São duas histórias de vida diferentes. O primeiro mais falador, o segundo de poucas palavras. As duas com a mesma triste sina.
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António Mendes, um dos homens que foi realojado no Bairro 1.º de Maio
O vereador da Acção Social da Câmara Municipal de Tomar, Hugo Cristóvão, explicou que os dois homens foram realojados numa situação de emergência e durante seis meses, numa casa de habitação social no Bairro 1.º de Maio. Findo este prazo, a sua situação irá ser reavaliada pelos Serviços Camarários. “Estamos a falar de uma casa de habitação social que está disponível para concurso de Habitação Social e que necessita de sofrer obras, aguardando o financiamento previsto no âmbito da Área de Reabilitação Urbana”, explicou.
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Vereador Hugo Cristóvão (à dir.) acompanhou os trabalhos
O vereador Hugo Cristóvão disse ao jornal mediotejo.net que, com a demolição deste imóvel – um serviço totalmente executado pelos serviços camarários ao qual assistiram vários curiosos –  “chega ao fim uma promessa que já tem 10 anos” e que estava travada devido a questões burocráticas e também orçamentais, dado que só com a limpeza dos inertes calcula-se que a autarquia tenha gasto cerca de 30 mil euros.
Trabalhos de demolição foram levados a cabo pelos funcionários da autarquia
O terreno onde o casarão se encontrava – alguns tomarenses lamentaram que tenha sido demolido defendendo a sua recuperação devido à rica traça – agora que está livre de ónus, passa a ser propriedade do Ministério da Defesa na sequência de um acordo de permuta estabelecido com a autarquia.

Aos 12 anos já queria ser jornalista e todo o seu percurso académico foi percorrido com esse objetivo no horizonte. Licenciada em Jornalismo, exerce desde 2005, sempre no jornalismo de proximidade. Mãe de uma menina, assume que tem nas viagens a sua grande paixão. Gosta de aventura e de superar um bom desafio. Em maio de 2018, lançou o seu primeiro livro de ficção intitulado "Singularidades de uma mulher de 40", que marca a sua estreia na escrita literária, sob a chancela da Origami Livros.

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