A Câmara de Tomar aprovou esta segunda-feira, com votos de PSD e Chega e abstenção do PS, um orçamento de 65,9 milhões de euros (ME) para 2026, mais 12% que em 2025, definindo o documento como “de transição e execução”.
Segundo o presidente do município de Tomar, Tiago Carrão (PSD), trata-se de um orçamento “de transição”, por integrar compromissos herdados e investimentos já em curso financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e pelo Portugal 2030, e “de execução”, devido aos prazos apertados associados aos fundos comunitários.
“Este é um Orçamento de transição que começa a projetar a vontade que temos de transformar o concelho. É um documento que olha para Tomar como um todo, cidade e freguesias, e que procura responder aos problemas reais das famílias, das empresas e das instituições. Ao colocarmos a execução no centro da ação política, assumimos um compromisso claro com os tomarenses, converter decisões em resultados concretos”, declarou o presidente da Câmara.

O orçamento do município ascende em 2026 a quase 66 milhões de euros (ME), registando um aumento de cerca de sete milhões de euros face a 2025, e prevê um volume de investimento de 26,7 ME, o que representa 40,6% da despesa total.
A maior fatia das Grandes Opções do Plano destina-se à coesão e inclusão social (17,8 ME), seguida do desenvolvimento urbano (11 ME) e da educação, cultura e desporto, com destaque para as obras na Escola Gualdim Pais e para a construção do novo jardim de infância e creche municipal, num investimento global próximo dos sete milhões de euros.
Na área da habitação, o município tem em curso a construção de 44 fogos a custos controlados, no âmbito do PRR, e prevê a reabilitação de mais oito, além da aquisição e beneficiação de habitação social existente.
O orçamento contempla ainda 3,6 ME para regeneração urbana e rede viária, incluindo intervenções em vários caminhos municipais e a reabilitação da ponte de Vermoeiros, bem como 659 mil euros para valorização do património, com enfoque na musealização do Fórum Romano.
No desenvolvimento económico, a aposta centra-se no turismo, nos grandes eventos como a Festa Templária e a Feira de Santa Iria, na reabilitação da zona industrial e na criação de uma futura incubadora de empresas, com 300 mil euros previstos.
A transição climática e a sustentabilidade contam com 2,4 ME, destinados à eficiência energética em edifícios municipais e escolas, requalificação da Mata dos Sete Montes e gestão de espaços verdes e linhas de água.
Ao nível da receita, o município prevê arrecadar 45,8 ME em receitas correntes e 20,1 ME de capital, com forte peso das transferências do Orçamento do Estado e de fundos europeus.
O PSD, que conquistou a Câmara ao PS nas eleições autárquicas de outubro de 2025, gere com maioria relativa o município Tomar, com três eleitos, tendo feito um acordo de governação com o vereador eleito pelo Chega, a quem atribuiu pelouros. O PS tem outros três vereadores, que optaram pela abstenção no documento hoje aprovado.

Em declarações à Lusa, o vereador socialista Hugo Cristóvão afirmou que este é “basicamente” o orçamento do PS, onde os investimentos de fundo são os que ficaram em execução, “com uma ou outra alteração pouco mais que cosmética”.
O orçamento seguirá agora para votação na Assembleia Municipal, ainda sem data marcada.
Em reunião prévia já haviam sido aprovadas as taxas municipais para 2026.
Assim, mantém-se a taxa de IMI nos 0,34% e a derrama com isenção para empresas com volume de negócios inferior a 150 mil euros.
A principal alteração ocorre no IRS, onde o município deixa de devolver 1% da taxa variável aos contribuintes, decisão que, segundo o presidente da Câmara, permitirá aplicar cerca de 400 mil euros “ao serviço da comunidade”.
c/LUSA
