O eventual encerramento da Unidade de Cuidados Continuados da Santa Casa da Misericórdia de Tomar gerou preocupação na última reunião do executivo municipal, com a oposição a pedir esclarecimentos sobre diligências tomadas e o presidente da Câmara a admitir reduzidas expectativas de reversão da decisão.
A questão foi levantada pela vereadora do Partido Socialista, Filipa Fernandes, que referiu que a notícia chegou através das redes sociais e considerou que a situação “exige alguma preocupação”. Apesar de reconhecer que não se trata de uma responsabilidade direta da autarquia, a eleita quis perceber que conhecimento tem o executivo sobre o processo.
Filipa Fernandes questionou se a Câmara já tinha sido informada da intenção de encerramento, se foram estabelecidos contactos com o provedor da Santa Casa da Misericórdia e que diligências foram feitas junto das entidades competentes, como a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo ou a coordenação da Rede Nacional de Cuidados Continuados. A vereadora procurou ainda saber se existe alguma perspetiva de solução ou de reversão da decisão.
Na resposta, Tiago Carrão começou por enquadrar o tema como um problema antigo, que “não é de agora” e que já vinha sendo acompanhado antes mesmo do atual mandato. O presidente explicou que a situação está relacionada com uma questão de âmbito nacional, ligada ao financiamento deste tipo de respostas, classificando a unidade como uma atividade “altamente deficitária” para a Santa Casa da Misericórdia de Tomar.
Segundo o autarca, os contactos com a instituição têm sido mantidos, mas reconheceu que se trata de uma matéria que “foge muito” às competências do município. Ainda assim, garantiu que a preocupação tem sido partilhada com as entidades competentes, embora admita haver “pouca esperança” de que a decisão possa ser revertida a curto prazo.
Tiago Carrão acrescentou que, do lado da Misericórdia, o encerramento será já uma decisão tomada, inclusive em sede de assembleia, o que reforça as dificuldades em alterar o rumo da situação, apesar do impacto que reconhece para a comunidade.
Mais à frente na reunião, o vereador socialista Hugo Cristóvão retomou o tema, questionando concretamente que diligências foram feitas pelo presidente junto das entidades centrais. Embora reconheça que a unidade presta serviço para além do concelho, alertou para as implicações ao nível do emprego e da economia local, sublinhando a importância do assunto.
O vereador recordou ainda declarações anteriores de Tiago Carrão sobre a defesa dos interesses do concelho, afirmando não ter ficado claro que ações concretas foram desenvolvidas neste caso.
Na resposta, o presidente da Câmara reiterou que tentou estabelecer contactos e que essa tem sido a sua postura, inclusive antes de assumir funções como líder do executivo.
Tiago Carrão acrescentou ainda que continuará a acompanhar o processo e a fazer o que estiver ao alcance do município, mas admitiu que, face às respostas obtidas e às circunstâncias da instituição, há “difícil probabilidade de sucesso”.
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