Uma dezena de munícipes participou na última reunião do executivo municipal para pedir esclarecimentos sobre as movimentações já visíveis num terreno com cerca de 40 hectares, na localidade da Mantela, nos limites da vila de Mação, adquirido pela empresa Uniovo, com sede em Ferreira do Zêzere.
Segundo relataram os moradores, já foram abatidas árvores, abertos caminhos, instalados postes de eletricidade, realizados furos e efetuadas ligações à rede elétrica, sem que exista informação pública sobre o projeto, situação que está a gerar algum receio junto de quem vive nas proximidades.
As principais preocupações prendem-se com o impacto ambiental, os odores, as poeiras e a degradação da qualidade de vida, num território onde residem famílias que escolheram o concelho de Mação para viver pela sua tranquilidade e características ambientais.
Os moradores transmitiram preocupações relacionadas com a ausência de informação pública, que tem alimentado rumores na vila sobre a eventual construção de um aviário de grande dimensão, alertando que o projeto, a confirmar-se, poderá destruir a identidade ambiental e social da região, questionando ainda a existência de projetos entregues na câmara, o conhecimento formal do executivo e a falta de comunicação prévia sobre uma intervenção com potencial impacto significativo no território.
Em resposta, o presidente da Câmara Municipal de Mação, José Fernando Martins (PS), assegurou que, até ao momento, não deu entrada nos serviços municipais qualquer pedido ou projeto relacionado com a construção de um aviário, garantindo que a empresa apenas adquiriu terrenos no concelho.
Em declarações ao jornal mediotejo.net, o autarca afirmou que não teve ainda qualquer contacto formal com os promotores, sublinhando que o executivo desconhece as intenções concretas da empresa, para além das informações que circulam na população e que foram levantadas na reunião de câmara.
José Fernando Martins procurou tranquilizar os moradores, afirmando que qualquer eventual projeto terá de ser sujeito a um escrutínio rigoroso, envolvendo estudos de viabilidade ambiental e económica e pareceres obrigatórios de várias entidades competentes.
ÁUDIO | JOSÉ FERNANDO MARTINS, PRESIDENTE CM MAÇÃO:
“O município não autorizará nada sem pareceres sérios e fundamentados”, garantiu, sublinhando que a aprovação “jamais será de mão beijada” e que, caso os impactos ambientais sejam negativos, o projeto não poderá avançar.
O presidente da câmara reconheceu que um investimento deste tipo poderia contribuir para a criação de emprego no concelho, mas lembrou que Mação enfrenta uma escassez significativa de recursos humanos, o que também condiciona a viabilidade de grandes empreendimentos.
A empresa Uniovo, fundada em 1987 e integrada no grupo Globalfer, desenvolve atividade na produção de ovos, agricultura, rações e imobiliário, segundo informação disponível no seu site institucional.
