A Câmara Municipal de Mação celebrou ao final da manhã de quinta-feira, 24 de outubro, um protocolo, que será renovado anualmente de forma automática, com a Fundação Álvaro Carvalho (Projeto Dar Visão ao Interior) na especialidade de Oftalmologia com vista a uma mais rápida e eficaz resposta para os utentes que necessitam de operação às cataratas.
Refira-se que os doentes do concelho de Mação que tenham cataratas a necessitar de intervenção cirúrgica, vão passar a ser selecionados pela Fundação Álvaro Carvalho em articulação com os médicos do Centro de Saúde de Mação/ULS Médio Tejo, segundo critérios de prioridade clínica e social, de entre os doentes inscritos no centro de saúde da vila.
O presidente de Câmara de Mação, Vasco Estrela, e o responsável pela fundação, o médico Álvaro Carvalho, assinaram o protocolo no Salão Nobre dos Paços do Concelho na presença de presidentes de junta, representantes das instituições de solidariedade social do concelho, bem como o presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Mação.
O autarca maçaense, Vasco Estrela, deu conta de que estão atualmente 68 utentes do concelho de Mação em lista de espera na ULS do Médio Tejo para fazerem a operação às cataratas, sendo que, segundo dados da ULSMT, é feita “uma média de 8 a 9 intervenções cirúrgicas por mês” pretendendo assim atuar no sentido de encurtar tempos de espera e atuar com maior eficácia nas situações conforme prioridade.

Falando numa “intervenção muito séria na área da Saúde no que diz respeito à tentativa de ultrapassarmos alguns bloqueios que todos sabemos que existem”, notou que o executivo camarário de Mação aprovou por unanimidade esta medida.
“Tentamos sempre ser pro-ativos para melhorar a vida dos munícipes, particularmente no que à saúde diz respeito, e iremos colaborar conjuntamente com a Fundação para que este protocolo seja um sucesso”, assumiu o autarca.
Estando presentes presidentes de junta e responsáveis/representantes de instituições de solidariedade social do concelho, mencionou que poderão ser “colaboradores ativos na divulgação deste protocolo e também na sinalização de pessoas que possam vir a estar elegíveis para serem operadas às cataratas através da fundação”.
A Fundação Álvaro Carvalho esteve representada pelo presidente Álvaro Eiras Carvalho, médico de Medicina Interna e antigo diretor/presidente do Conselho de Administração do Hospital Garcia de Orta (Almada) cerca de 19 anos, natural de Figueira de Castelo Rodrigo.
O responsável disse logo ter tido várias referências acerca do município de Mação para desenvolver este protocolo, à semelhança do que já acontece noutros municípios do país, nomeadamente na zona da Beira Baixa e Beira Alta.
A sua fundação surgiu pela intenção de continuar ligado à saúde, tendo feito todo o seu percurso no Serviço Nacional de Saúde e por isso descartando a ideia de aceitar convites para desempenhar funções em hospitais privados. “Surgiu a ideia, fomentada por alguns amigos que se predispuseram a ser beneméritos da fundação, para a constituir. (…) Só entendo uma fundação se dizer trabalho no interior do País, nestas zonas que estão marginalizadas em muita coisa, então na saúde nem se fala”, disse.

Foi-se apercebendo das carências em termos de especialidades médicas, sendo que as maiores dificuldades eram nas áreas da cardiologia, dermatologia e oftalmologia, particularmente no que às cataratas diz respeito – e foi aqui que definiu a missão da sua Fundação, que se oficializou em 2015 e começou os primeiros contactos com os municípios em 2018.
A Fundação Álvaro Carvalho afirma estabelecer parcerias com hospitais “de qualidade, sendo que mediante os protocolos feitos com cerca de 10 autarquias (Almeida, Figueira de Castelo Rodrigo, Idanha-a-Nova, Mêda, Penamacor, Pinhel, Proença-a-Nova, Sabugal, Sertã, Videmonte e Guarda) já atingiu as 1060 cirurgias às cataratas.
Ainda assim, frisou que a Fundação não tem apenas atuado quanto às operações às cataratas, incidindo em outras especialidades como a cardiologia, dermatologia e outras, encaminhando ainda doentes que precisam de serviços nos Hospitais Centrais.
A proposta é que o Município de Mação pague 50% do custo total de 1100 euros, ficando os restantes 50% ao cargo da Fundação Álvaro Carvalho.
Da parte da Fundação, a seleção é feita com base em critérios clínicos e sociais. Em termos clínicos, inclui-se o facto de os doentes terem doença nos dois olhos, nunca terem sido operados e ter uma visão abaixo de 50%. Privilegia ainda o acompanhamento pelos médicos de família.
Na Câmara Municipal são avaliados os critérios sociais, com o processo a ser articulado pelo Serviço de Ação Social da Câmara Municipal de Mação com a Unidade Local de Saúde do Médio Tejo.

Os doentes do concelho de Mação que tenham cataratas a necessitar de intervenção cirúrgica, serão selecionados pela Fundação Álvaro Carvalho em articulação com os médicos do Centro de Saúde de Mação/ULS Médio Tejo, segundo os critérios de prioridade clínica e social, e entre os doentes inscritos no Centro de Saúde.
Para Álvaro Carvalho, trata-se de “prestar um bem comum a estas pessoas idosas, e não só”, a necessitarem desta intervenção para ver bem e com isso ganhar qualidade de vida e poderem trabalhar. “Estamos a prestar um bom serviço social a esta população”, concluiu, esperando que tudo corra “o melhor possível”.
O protocolo assenta na promoção do bem-estar da população de Mação, unindo-se à Fundação Álvaro Carvalho para a missão social de assistência médica a doentes do Interior do país, com doenças crónicas, como é o caso das cataratas.
O custo total por operação e doente tem o valor de 1.100,00€, sendo que os custos dos cuidados de saúde prestados aos doentes incluídos neste programa assistencial serão suportados em 50% pela FAC e em 50% pela Câmara Municipal de Mação (550 euros a cada entidade).
A Câmara Municipal de Mação vai também disponibilizar o transporte dos doentes para a clínica, em conformidade com os planos de consulta e operatórios previamente acordados.
Segundo o protocolo, o procedimento para a cirurgia à catarata (facoemulsificação do cristalino com implementação de lente intraocular unilateral) faz-se nos seguintes termos:
1. O número de utentes alvo de ato cirúrgico por sessão, será objeto de acordo entre as partes;
2. As intervenções cirúrgicas realizar-se-ão em dia e hora a acordar entre as partes;
3. Os doentes terão alta no próprio dia, algumas horas após a cirurgia;
4. Os doentes deverão ser portadores de informação clínica, através de relatório emitido pelo médico de família;
5. Os doentes terão consultas de oftalmologia antes da cirurgia;
6. Os doentes realizarão exames complementares de diagnóstico, nomeadamente Ecografia A+B, Biometria por 2 métodos distintos, para melhor fiabilidade do cálculo de LIO (ulta-sons e IOL Master) e Microscopia Especular, eventualmente OCT;
7. Os doentes serão intervencionados recorrendo à cirurgia tópica e técnica de facoemulsificação;
8. A equipa técnica responsável pela execução do ato cirúrgico, das consultas e dos exames tidos por necessários, será constituída por oftalmologista, enfermeiros e técnicos de oftalmologia (optometria ou ortóptica);
9. Os cuidados pós-operatórios e a terapêutica serão devidamente esclarecidos pela equipa médica;
10. A consulta pós-operatória terá lugar até ao 4.º dia após o ato cirúrgico, em função da situação.
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