O município de Alcanena manifestou “profundo lamento, estupefação e veemente repúdio” pela decisão do Banco Santander Totta de encerrar o balcão da vila de Alcanena a partir de 12 de dezembro. A posição foi transmitida num ofício enviado pelo executivo e pela administração da empresa municipal Aquanena ao Conselho de Administração do banco.
No documento, a autarquia critica a decisão, considerando que “o legado histórico e a relação de confiança construída ao longo de sete décadas são ignorados em nome de meros critérios de otimização operacional”.
Segundo o executivo presidido por Rui Anastácio, o fecho do balcão revela ainda “total desinteresse e falta de sensibilidade para com o esforço e a estratégia de desenvolvimento robusta” que o município afirma ter vindo a implementar desde 2021.
A Câmara entende que a decisão é “inaceitável”, sobretudo numa fase em que Alcanena tem vindo a captar investimento público e privado. Para o município, o encerramento “retira um serviço essencial aos munícipes mais idosos e menos digitalizados” e transmite “um sinal nefasto aos novos investidores e às novas famílias” que procuram serviços bancários de proximidade.
Em resposta ao anúncio do banco, o executivo municipal e a administração da Aquanena decidiram “solicitar formalmente o fecho de todas as contas” mantidas no Santander Totta, medida que deverá ser concretizada até à data do encerramento do balcão.
O Santander Totta já havia indicado, em setembro, que iria avançar com o encerramento de balcões, não especificando quantos, no seguimento de um programa de “otimização da rede”, após ser questionado sobre denúncias de sindicatos do setor.
À Lusa, fonte oficial confirmou o encerramento de balcões, no âmbito da “otimização da rede de balcões e da melhoria do serviço ao cliente”, tendo acrescentado que não está prevista a saída de trabalhadores por iniciativa do banco.
O objetivo passa por “concentrar equipas maiores em balcões de maior dimensão” e conseguir um atendimento mais eficiente, explicou o banco, que acrescentou que o fecho de balcões deveria limitar-se a zonas de sobreposição.
À Lusa, o Santander Totta garantiu que a estratégia “não é um exercício de corte de custos” e que é uma aposta em balcões de nova geração.
Entre as soluções propostas pelo Santander estão os ‘work cafés’, um modelo de balcão que combina os serviços de uma agência bancária com uma cafetaria e uma zona de ‘co-working’.
O Santander Totta acrescentou que dispõe ainda mais de 300 máquinas automáticas VTM (virtual teller machines) que permitem depósitos, levantamentos de montantes elevados e muitas outras operações do dia-a-dia.
No final de junho deste ano, o Santander Totta contava com 4.673 trabalhadores e 327 agências, mais 107 trabalhadores e menos dois balcões que um ano antes.
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