Câmara de Abrantes paga dois milhões de euros/ano em iluminação pública. Foto: CMA

O município de Abrantes gasta mais de dois milhões de euros em iluminação pública, valor previsto para o ano 2025, e que reflete a conjuntura internacional e o aumento dos preços da energia desde 2022. “Temos melhorado muito em termos de eficiência energética, com a instalação dos sistemas de iluminação pública de LED, mas ainda não consegue compensar os valores que subiram de forma gritante em termos de energia”, disse o presidente da Câmara.

O presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos (PS), disse ao mediotejo.net que a faturação da iluminação pública custa anualmente aos cofres do município cerca de dois milhões de euros, um valor que considerou avultado, tendo feito notar que, até 2022, o valor rondava 1.2 ME. “Desde 2022 até ao início deste ano, houve uma subida incrível dos custos da energia e, sobretudo na energia de média tensão, nas estruturas, por exemplo, dos abastecimentos de água, nas estruturas dos grandes edifícios. Houve um crescimento da despesa incrível relativamente às questões da energia, exatamente pela conjuntura”, notou.

“É bom que as pessoas tenham essa sensibilidade. Em iluminação pública, o município de Abrantes gasta mais de dois milhões de euros anualmente, porque o concelho é muito grande e também temos que ter as populações protegidas. As ruas têm que estar iluminadas, não podemos deixar de ter as populações, mesmo onde há poucas pessoas, completamente desprotegidas, sem iluminação pública”, declarou o autarca.

Presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos

“A iluminação pública garante qualidade de vida às pessoas mas garante também segurança. O território é tão grande, nós temos tantas luminárias, nós gastamos mais de dois milhões de euros só em iluminação pública. Portanto, é bom que tenhamos esta perceção e por isso também temos que compreender muitas vezes os nossos impostos, obviamente que têm que cumprir este desígnio da capacidade financeira equilibrada para responder ao nível depois de despesa que o território tem e exige”, disse Valamatos.

“E é isto, um território muito grande, onde queremos manter e garantir a qualidade de vida dos nossos cidadãos, aqueles que cá vivem e potenciar a possibilidade de ter mais gente, aquilo que nós queremos fazer com qualidade. A nossa sorte é que quer na iluminação pública, quer nos sistemas de grande consumo energético, nós temos vindo a trabalhar na eficiência energética, mas apesar de tudo, desde 2022 até ao início deste ano, houve uma subida incrível dos custos da energia e, sobretudo na energia de média tensão, nas estruturas, por exemplo, dos abastecimentos de água, nas estruturas dos grandes edifícios”, afirmou.

O autarca notou que, mesmo assim, houve uma ligeira descida na fatura a pagar pelo município. “Os valores desceram no semestre, mas ainda não desceram para os níveis inicialmente que eram cobrados pela fatura energética. É verdade que temos melhorado muito em termos de eficiência energética, com a instalação dos sistemas, por exemplo, de iluminação pública de LED, mas ainda não consegue compensar os valores que subiram de forma gritante em termos de energia”.

“Do ponto de vista ambiental tem havido aqui um… há um aspeto incrível de melhoria. Do ponto de vista da fatura, a energia subiu a valores tão elevados que ainda não conseguimos recuperar dos valores do início do ano de 2022. Mas é preciso que as pessoas percebam e tenham esta noção de que no concelho de Abrantes, só de iluminação pública, nós gastamos mais de dois milhões de euros anuais, e é bom que tenham esta perceção, porque o território, de facto, é muito grande e às vezes quando comparamos com concelhos vizinhos, é bom depois também ter esta noção da grandeza do nosso território e para garantir a qualidade de vida das pessoas e a segurança das pessoas, os custos que isso obviamente implica”, vincou.

Câmara de Abrantes paga dois milhões de euros/ano em iluminação pública. Foto: CMA

As velhas luminárias das redes de iluminação pública do concelho de Abrantes começaram a ser substituídas por lâmpadas de tecnologia LED em 2014, num processo gradual, com resultados de poupança de consumo elétrico muito positivos, anunciou em 2020 o vereador João Gomes.

A Câmara de Abrantes anunciou na ocasião que pretende instalar lâmpadas luminárias de LED em todo o concelho, uma alteração que vai custar 6,5 milhões de euros e reduzir a despesa anual de 1,2 milhões de euros em iluminação pública, valores reportados pela autarquia no início do ano 2016.

O vice-presidente da Câmara de Abrantes, João Gomes, em 2020, disse que, na área geográfica do concelho, com 714.73 km2, cerca de 30% das 16.000 luminárias já se encontravam substituídas por sistema LED.  De acordo com a informação do vereador João Gomes ao executivo municipal, antes desta intervenção a autarquia tinha um encargo com este consumo energético na ordem dos 170.000€ anuais e, após a mesma, observava um consumo de 104.000€/ano. Só com a mudança destas lâmpadas, a Câmara Municipal já realizou uma poupança de 66.000€ efetivos.

Numa parceria com a EDP Distribuição – Energia S.A., em quatro anos (entre 2017 e 2020) foram substituídas cerca de cinco mil lâmpadas luminárias de vapor de mercúrio (de maior consumo energético) por sistema mais amigo do ambiente. Esse trabalho está a ser desenvolvido em várias freguesias do concelho, sobretudo nas áreas rurais, totalizando 4.095 lâmpadas luminárias, contando o município com a colaboração dos executivos das Juntas de Freguesia que sinalizam as diversas necessidades, facilitando as operações de substituições, relocalizações ou colocação de novas estruturas.

O processo de renovação dos sistemas de iluminação pública no Concelho de Abrantes iniciou-se em 2014 com a substituição das luminárias por sistema LED na Avenida das Forças Armadas, na sede do Concelho, num investimento exclusivamente municipal de 27.000€, recuperados em quatro anos e meio e traduzidos numa poupança anual aproximada de 6.000€.

Nas intervenções de requalificação em espaço público realizadas pela autarquia, é feita a substituição de toda a rede de iluminação. São exemplo dessas intervenções a requalificação do Largo do Cruzeiro, no Pego; sistemas de iluminação no Alto de Santo António; requalificação da Esplanada 1º de Maio; Parque Intergeracional de Vale de Rãs; Largo do Espírito Santo, em Mouriscas, e o Parque de Estacionamento do Vale da Fontinha. No caso do sistema instalado neste parque, que também acolhe o mercado semanal (retalhista e grossista), as luminárias foram equipadas com sistema de telegestão permitindo diminuir o fluxo de intensidade da iluminação ao longo de um período temporário, particularmente durante a noite, o que significa também uma maior poupança.

Foram igualmente feitas outras substituições de lâmpadas tradicionais por LED em equipamentos municipais, como nas instalações do Complexo Municipal de Piscinas da cidade de Abrantes (com sistema de telegestão para redução do fluxo em função da atividade a desenvolver), na Piscina Municipal e no Pavilhão Desportivo da Vila do Tramagal, projetos que obtiveram comparticipação financeira por via do projeto global de promoção da eficiência energética e das energias renováveis desenvolvido em conjunto com a Médio Tejo 21 – Agência Regional de Energia e Ambiente do Médio Tejo e Pinhal Interior Sul -, e que engloba a substituição de luminárias, a instalação de baterias de condensadores e de variadores de velocidade, e a substituição das óticas dos semáforos por óticas de LED.

Em carteira encontram-se outros projetos para descontinuar as tradicionais luminárias de vapor de mercúrio por lâmpadas de elevada eficiência energética e mais económicas.

Para o vereador João Gomes, “estas apostas são o futuro, na senda da tomada de opções mais sustentáveis, de forma a minimizar os efeitos das alterações climáticas”, tendo feito notar que esta poupança “vai permitir dotar o município de capacidade financeira para responder a outras necessidades concelhias”.

O município de Abrantes, com cerca de 40 mil habitantes e um território de mais de 700 quilómetros quadrados, tem preparado há algum tempo um caderno de encargos com todos os pontos de iluminação pública do concelho referenciados, tendo João Gomes referido que o investimento global de instalação de tecnologia LED “ascende aos 6,5 ME e vai demorar alguns anos” até à sua conclusão.


Discover more from Médio Tejo

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Deixe um comentário

Leave a Reply