“Hoje é um dia muito importante (…) temos vindo ao longo do mandato a lançar obras (…) para avançarmos, para crescermos, para aumentarmos a nossa dinâmica económica e social, e a Escola Superior de Tecnologia de Abrantes [ESTA] desempenha um papel muito importante no nosso concelho, na região, e está no edifício onde está, há 25 anos, de forma precária”, disse à Lusa o presidente o município após a aprovação do lançamento do concurso, em reunião de executivo.
Manuel Jorge Valamatos (PS) lembrou que “há 25 anos que era prometido uma nova escola, novas instalações, contemporâneas, capazes de captar alunos, de mobilizar a comunidade educativa, nomeadamente mobilizar e motivar os professores, assistentes técnicos, operacionais, os não docentes, mas também envolver a nossa comunidade estudantil, os nossos alunos”, declarou, relativamente a um projeto que vai contar com o apoio de fundos comunitários, no âmbito do Fundo de Transição Justa (FTJ).

A autoridade gestora do Programa Regional do Centro (Centro2030) havia anunciado em junho de 2024 que iria submeter à Comissão Europeia (CE) a candidatura à criação da futura ESTA, no âmbito do FTJ e das compensações económicas e sociais decorrentes do encerramento, em 2021, da central a carvão no Pego, no concelho de Abrantes, tendo a aprovação do investimento sido realçado pelo autarca.
“Fiz dezenas, para não dizer centenas de reuniões com o Politécnico [de Tomar], com a Escola Superior de Tecnologia, com alunos, com professoras, fiz reuniões com a CCDR, que é a entidade que faz a questão dos fundos comunitários, com muitos agentes europeus para conseguir encontrar o financiamento para esta grande intervenção, de sete ME, onde temos aqui uma aprovação [apoio], através do Fundo de Transição Justa, de seis ME”, destacou.

ÁUDIO | MANUEL JORGE VALAMATOS, PRESIDENTE CM ABRANTES:
As futuras instalações foram objeto de homologação pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, em 03 de maio de 2022. De acordo com a referida homologação, as instalações terão capacidade para 963 estudantes, sendo 396 estudantes para o ensino teórico e 567 estudantes para o ensino prático.
O concurso público da empreitada de construção da nova ESTA, a instalar no Parque de Ciência e Tecnologia de Abrantes – Tagusvalley, tem um prazo de execução de 1.020 dias e apresenta um preço base de 6.5 ME [6,571,752,12 euros], a que acresce o IVA, investimento que será suportado em 85% por verbas do FTJ, cabendo ao município assumir os restantes 15% da obra.
“Nós estamos a viver um momento que não tem nada a ver com eleições autárquicas, tem a ver com o facto de que estamos a viver, particularmente em Abrantes, três programas de financiamento, o PRR para um lado, o Portugal 2030, e o Fundo de Transição Justa”, salientou o autarca.
“Estamos aqui a aplicar uma parte do FTJ neste grande investimento que é a Escola Superior de Tecnologia, querendo, obviamente, para além do apoio às empresas, que o FTJ se possa fixar o máximo em Abrantes em questões quer da mobilidade, quer das questões que se vão relacionar com as Zonas Livres Tecnológicas que estamos a criar, e queremos, de facto, que o FTJ tenha impacto na nossa comunidade, porque também foi aqui o epicentro do encerramento da central a carvão” no Pego, declarou.
Sublinhando que a ESTA cumpre 25 anos em Abrantes, em instalações provisórias, Valamatos apontou ao “tempo bastante de maturidade, do ponto de vista científico e pedagógico” (…) para que “novas oportunidades se possam lançar e novos desafios sejam colocados” com as futuras “condições infraestruturais”.
“É isso que nós desejamos, e iniciar as obras o mais rápido possível para cumprir os ‘timings’ que a Europa coloca sobre a gestão do FTJ”, declarou Valamatos.
A proposta visa agregar todas as valências da ESTA, que atualmente se encontram dispersas em vários edifícios no centro da cidade, no TagusValley – Parque de Ciência e Tecnologia de Abrantes e dotar “a sub-região do Médio Tejo de instalações adequadas e cursos superiores”.

“O nosso Parque de Ciência e Tecnologia é o único da região, eu acho que todos nós o temos que valorizar, ele desempenha um papel importantíssimo de captação de ciência e de tecnologia, de investimento, e eu acho que ter ali a Escola Superior de Tecnologia é também proporcionar ao Parque de Ciência e Tecnologia o seu crescimento para Abrantes e para a região”, frisou, questionado sobre o local da nova ESTA.
O presidente da Câmara de Abrantes lembrou que “o encerramento da Central Termoelétrica a carvão deixou um rasto de perda significativa na economia” local e regional, que estimou em “muitos milhões de euros”, tendo defendido que “uma das formas de mitigar os prejuízos para toda a região será, seguramente, através do ensino superior, da capacitação de pessoas, do conhecimento, da ciência e da tecnologia”.
A nova ESTA – descrição

Um dos pavilhões das antigas instalações fabris da CUF será remodelado e ampliado para a acolher a nova ESTA. O piso zero (0) vai ter a secção de administração, com receção, secretariado, sala de reuniões e instalações sanitárias, a par de 8 salas de aulas, 6 salas de edição, instalações sanitárias, open space com área de estudo, convívio e lazer, uma sala de estudo, 5 salas que incluem dois centros de informática, uma sala da Associação de Estudantes, um centro de cópias e uma sala de atendimento de alunos, a ainda zonas técnicas, arrumos e circulações horizontais e verticais.

O piso 1 tem espaços para a administração, como o gabinete da direção, open space afeto à direção, sala de reuniões para docentes e instalações sanitárias, a par de 9 salas de aulas, duas das quais polivalentes, e duas salas polivalentes para docentes. O piso 1 terá ainda uma biblioteca com zona de atendimento, zona de leitura e arquivo, posto médico, instalações sanitárias, vestiários, zonas técnicas, arrumos, e circulações horizontais e verticais.

A cantina/cafetaria, com um piso, terá capacidade para 191 lugares e será constituída por uma cantina (86 lugares), cafetaria (57 lugares), esplanada (48 lugares), instalações sanitárias, zona de self-service, zona de empratamento, copa de sujo e copa de limpos, entrada de serviço, instalações sanitárias/vestiário do pessoal, lixos, área técnica, arrumos.
“Este momento fará parte da nossa história coletiva. Estamos a fazer o que temos de fazer para termos uma cidade, um concelho competitivo, uma região mais forte e mais capaz para encarar o futuro”, sublinhou o presidente da Câmara, na reunião de executivo, onde passou em revista o historial de um processo com mais de duas décadas para concretizar as nova localização da ESTA, cujas instalações de origem (1999) há muito não respondem às exigências do presente e às funções que o ensino superior tem de ter no futuro.
Manuel Jorge Valamatos sublinhou a importância das novas instalações integradas no Parque de Ciência e Tecnologia, onde já se encontram a funcionar os laboratórios da ESTA, “porque garante as melhores condições para o crescimento da escola e do número de alunos e passa a reunir condições para reforçar o desenvolvimento económico da região já que vai instalar-se lado a lado com organizações e empresas que constituem um ecossistema de inovação e empreendedorismo, ganhando capacidade de alavancar as competências necessárias para o aumento e reforço da competitividade económica regional”.

Parabéns.