O PIPA – Programa da Imagem e da Palavra da Azinhaga assinala este sábado, 18 de abril, 5 anos de atividade com uma festa aberta ao público, entre as 16h e as 20h. O programa inclui a atuação da Sociedade Recreio Musical Azinhaguense 1.º de Dezembro, uma visita guiada à exposição “Basta que um pássaro voe”, de Rui Dias Monteiro, leitura de poemas pela Casa da Comédia da Azinhaga, um sorteio de ilustrações da série “Direitos Humanos” e a projeção do vídeo “PIPA 5 Anos”.
Contudo, o momento não será apenas de celebração, uma vez que marca também a despedida do PIPA da antiga Escola Primária do Largo das Divisões, na sequência da denúncia por parte da Câmara Municipal da Golegã do acordo de parceria com a Associação sem fins lucrativos “Isto Não é um Cachimbo”, que permitia a utilização do edifício como sede deste projeto cultural.
Criado em 2021 na Azinhaga, Golegã, terras de José Saramago e de Carlos Relvas, o PIPA quis honrar estes legados e beber inspiração na sua “irreverência, mestria, sentido crítico e interrogação constante”.
Idealizado por Ana Matos (diretora da Galeria Salgadeiras e curadora da Fundação José Saramago) e Cláudio Garrudo (fotógrafo, produtor cultural e editor da Série Ph., da Imprensa Nacional Casa da Moeda), o PIPA nasceu para promover o diálogo entre a Literatura e as práticas da Arte Contemporânea, tornando-se um lugar de partilha e interação entre artistas, escritores, poetas e músicos, sempre em relação com a comunidade local.
Em 5 anos foram realizadas 54 atividades gratuitas, com oficinas para públicos de todas as idades, sessões de cinema, palestras e exposições. Além da programação regular, o PIPA abriu também à comunidade uma biblioteca especializada em arte, com cerca de 400 títulos.

Pela Azinhaga passaram dezenas de convidados de elevado mérito cultural, entre professores universitários, investigadores, escritores, realizadores, atores, artistas plásticos, políticos da área da Cultura e da Investigação, editores e empreendedores, que interagiram com os públicos e contribuíram para o desenvolvimento local.
Com o PIPA nasceram também os “Cadernos da Azinhaga”, publicações resultantes de residências artísticas e literárias promovidas pela Associação “Isto Não é um Cachimbo”, iniciadas em 2021 com o fotógrafo Augusto Brázio e a edição de “Presentes Ausentes”.
Além disso, a Associação frisa que investiu na valorização e conservação da antiga escola primária, realizando obras de pintura e arranjos em paredes para melhorar as áreas expositivas, e assegurou a manutenção e limpeza continuada do edifício.
Apesar do reconhecimento público do impacto cultural e comunitário do PIPA, a Associação “Isto Não é um Cachimbo” afirma não ter havido contacto prévio por parte do município antes da denúncia do contrato, o que não permitiu sequer uma atempada procura de soluções alternativas. A partir de 29 de abril o PIPA deixará formalmente a antiga escola primária, estando neste momento à procura de uma nova sede na Azinhaga.
O mediotejo.net questionou a Câmara da Golegã sobre as razões para o fim deste protocolo, mas não obteve resposta até ao momento.
A Associação promete resistir e manter todos os compromissos programáticos assumidos para este ano, nomeadamente o Festival de Curtas-Metragens PIPA e as oficinas da Imagem e da Palavra, nas áreas do desenho, fotografia, pintura e escrita criativa, a realizar no Verão.

