A paisagem psicossocial de Portugal e da Península Ibérica sofreu uma mutação profunda na transição entre 2025 e 2026, consolidando uma perceção de ameaça climática binária que encontra na ficção uma analogia sombria. A frase. “O Inverno está a chegar!” (Winter is coming), lema da Casa Stark na série Guerra dos Tronos (Game of Thrones), deixou de representar apenas uma ficção sobre invernos longos e gélidos para se tornar um arquétipo da preparação para o desastre.
Contudo, no contexto ibérico contemporâneo, esta advertência desdobrou-se: o medo da população já não é apenas o do frio, mas o das tempestades sequenciais e inundações devastadoras que caracterizaram este inverno, seguidas à fúria dos incêndios florestais que marcam o verão passado.
Esta “dualidade do medo” reflete a perda da previsibilidade sazonal e a entrada num estado de emergência permanente, onde o fim de uma estação extrema é apenas o prelúdio para a próxima.
A analogia com a obra de George R. R. Martin é particularmente apta para descrever a situação na bacia do rio Tejo. Tal como em Westeros, onde as estações duram anos e trazem ameaças existenciais, Portugal enfrentou em 2025 um verão de “fogo e sangue”, com incêndios de proporções catastróficas alimentados por uma seca histórica e temperaturas recorde.
A subsequente chegada de um inverno marcado por “rios atmosféricos” e cheias sequenciais não trouxe o alívio esperado, mas uma nova frente de crise.
A população vive agora num ciclo de ansiedade climática: quando o calor aperta, teme-se o fogo; quando a chuva cai, teme-se a inundação. Esta perceção de que “O Inverno está a chegar!” (com as suas águas) e “O Verão está a chegar!” (com as suas chamas) sintetiza a fragilidade de um território onde as alterações climáticas deixaram de ser uma projeção estatística para se tornarem uma realidade vivida.
Esta nova realidade exige uma reavaliação dos mecanismos de resiliência.
O “Inverno” que chega agora traz consigo a energia acumulada de um Atlântico mais quente devido ao aquecimento global, resultando em episódios de precipitação que saturam os solos e as infraestruturas em tempo recorde.
Já o “Verão” é antecipado como um motor de desertificação e destruição da biodiversidade, criando uma paisagem vulnerável à erosão que, inevitavelmente, agrava as cheias do inverno seguinte.
A gestão desta crise requer, portanto, uma compreensão profunda dos mecanismos de causa e efeito que ligam os extremos térmicos do verão à hidrologia violenta do inverno na maior bacia hidrográfica da Península Ibérica.
O Nexo Pirogénico: Incêndios de 2025 como Precursores das Cheias no Tejo
A catástrofe hidrológica que afetou a bacia do Tejo no último mês não pode ser compreendida de forma isolada dos graves incêndios florestais que fustigaram Portugal no verão de 2025. Este fenómeno, este nexo pirogénico, demonstra como as alterações climáticas criam uma sequência de impactos em cascata. As altas temperaturas e a seca extrema de 2025 resultaram na combustão de vastas áreas de floresta, o que alterou fundamentalmente as propriedades do solo na bacia.
A destruição da biomassa e a formação de camadas de solo hidrofóbicas (repelentes à água) criaram as condições ideais para que a precipitação de inverno se transformasse, de imediato, em escoamento superficial.
Com efeito, a magnitude das inundações no Tejo em 2026 foi amplificada devido à degradação do solo causada pelos incêndios do ano anterior. Com as chuvas intensas que atingiram a bacia do Tejo, a água, que normalmente seria infiltrada no solo e retida pela vegetação, correu livremente pelas encostas desnudadas, transportando cinzas e sedimentos para os leitos.
Este agravamento cumulativo do assoreamento dos rios e albufeiras, reduzindo a sua capacidade de armazenamento e elevando a lâmina de água, culmina no aumento do volume das cheias.
Esta sucessão de extremos evidencia que a conservação da biodiversidade e a gestão florestal são, na verdade, ferramentas críticas de gestão hídrica.
O abandono rural e a expansão de áreas de plantação de monocultura, em especial, de eucalipto, criaram o combustível para os incêndios de 2025 que destruíram a floresta autóctone necessária para mitigar as cheias de 2026.
O combate às alterações climáticas deve, por isso, focar-se na interrupção deste ciclo vicioso, promovendo floresta autóctone e paisagens resilientes que possam resistir ao fogo e, simultaneamente, reter a água.
Tempestades Sequenciais e a Saturação Hidrológica do Tejo
O inverno de 2025-2026 marcou a chegada de um padrão meteorológico recorrente: as tempestades sequenciais com origem em rios atmosféricos vindos do Atlântico. Estes fenómenos, caracterizados pela passagem sucessiva de depressões profundas com intervalos de poucos dias, impedem a recuperação dos níveis freáticos e o escoamento normal das águas antes da chegada da frente seguinte. Na bacia do Tejo, que abrange mais de 80.000 km² entre Espanha e Portugal, este padrão resultou num estado de saturação quase total do sistema hidrológico.
A precipitação acumulada no último mês superou em mais de 200% a média histórica para o período em várias estações de monitorização da bacia ibérica.
Este excesso de água confrontou um sistema de gestão que já lidava com as consequências da seca prolongada do verão, onde as reservas de solo estavam no seu ponto mais baixo, mas a capacidade de resposta das infraestruturas foi rapidamente ultrapassada.
A sequência de tempestades criou um efeito de “onda sobre onda”, onde o pico de cheia de um afluente coincidia com o pico do tronco principal do Tejo, gerando inundações históricas em zonas como Santarém e Vila Franca de Xira, bem como em várias províncias espanholas a montante.
A dinâmica destas cheias é agravada pela natureza transfronteiriça do rio. Cerca de 68% da bacia do Tejo encontra-se em território espanhol, o que significa que a gestão das descargas nas barragens de montante (como Alcântara e Valdacañas) determina criticamente o risco de inundação em Portugal.
Durante as tempestades recentes, a necessidade de libertar volumes massivos de água para garantir a integridade das barragens espanholas, que atingiram níveis de segurança críticos, resultou em caudais de entrada em Portugal que testaram os protocolos da Convenção de Albufeira.
Indicadores de Escassez e Risco de Cheia na Bacia do Tejo
A gestão hídrica no Tejo utiliza indicadores específicos para monitorizar o estado da bacia e ativar protocolos de emergência. A diferenciação entre “seca” (fenómeno natural) e “escassez” (induzida pela ação humana) é fundamental para a aplicação da Convenção de Albufeira.
Durante os eventos recentes, várias sub-bacias do Tejo transitaram rapidamente do estado de seca extrema (verão 2025) para o estado de emergência por inundação (inverno 2025-2026), demonstrando a volatilidade extrema imposta pelas alterações climáticas. Esta volatilidade torna os modelos de gestão baseados em séries históricas obsoletos, exigindo uma abordagem de governança adaptativa que possa responder a mudanças em tempo real.
O Dilema das Barragens: Laminação de Cheias vs. Agravamento do Risco
O papel das barragens e açudes na gestão das cheias do Tejo é um dos tópicos mais controversos existindo duas posições que se confrontaram durante as recentes inundações na bacia ibérica.
A primeira posição, de cariz técnico-infraestrutural, defende que as barragens são a única defesa eficaz contra cheias catastróficas. Através da laminação (o armazenamento temporário do pico de cheia para posterior libertação gradual), estas infraestruturas podem reduzir significativamente os caudais de ponta a jusante, salvando vidas e protegendo bens, citando-se exemplos onde as barragens do Douro e do Tejo evitaram desastres maiores ao reterem volumes que, de outra forma, teriam submergido cidades inteiras.
A segunda posição, defendida por ecologistas e hidrólogos que favorecem soluções baseadas na natureza, argumenta que as barragens podem, paradoxalmente, elevar o risco de inundação. A presença física de barragens e açudes eleva a lâmina de água em troços específicos, reduzindo a capacidade do leito para acomodar caudais extremos. Além disso, quando as albufeiras atingem a sua capacidade máxima – como aconteceu frequentemente devido à sucessão de tempestades – perdem a capacidade de laminar a cheia.
Neste estado, as barragens tornam-se meros “passadores” de água, mas com o agravante de poderem libertar volumes massivos de emergência que criam “ondas de cheia artificiais” muito mais rápidas e violentas do que o aumento natural do rio.
Nestes últimos dias, as barragens da bacia do Tejo estiveram numa situação crítica apesar de após o verão de 2025, muitas se encontrarem em níveis baixos, o que inicialmente permitiu uma laminação eficaz das primeiras chuvas.
Contudo, a persistência das tempestades sequenciais esgotou rapidamente a capacidade de armazenamento de segurança e quando os reservatórios atingiram os 95-98%, a margem de manobra para mitigar os picos de afluência tornou-se quase nula, forçando descargas que coincidiram com o pico de cheia de afluentes não regulados a jusante, agravando severamente o impacto em zonas como o Ribatejo e o estuário do Tejo.
É fundamental adotar uma gestão mais “proativa” e menos “reativa” face às alterações climáticas sendo necessário adotar regras de exploração de barragens que privilegiem o “vazio de segurança” durante o inverno, mesmo que isso implique perdas na produção hidroelétrica.
Esta mudança de paradigma é essencial para que o “Inverno que está a chegar” não encontre as barragens já cheias e incapazes de proteger as populações.
A Convenção de Albufeira sob pressão: Cooperação Transfronteiriça e Gestão de Conflitos
O rio Tejo é o palco central da cooperação hídrica entre Portugal e Espanha, regulada pela Convenção de Albufeira desde 1998. Este instrumento jurídico foi desenhado para garantir o “bom estado” das águas e uma utilização sustentável, estabelecendo regimes de caudais mínimos que a Espanha deve garantir em determinados pontos da fronteira.
No entanto, a crise hidrológica atual expôs as fragilidades desta convenção perante extremos meteorológicos que não foram previstos há 25 anos precisando de uma atualização urgente para incluir “cláusulas de afetação dinâmica”, as quais, em vez de quotas fixas, determinariam o regime de caudais com base na disponibilidade real de água e na necessidade de proteção contra riscos extremos, incorporando a restauração da biodiversidade como um objetivo central para garantir a resiliência a longo prazo da bacia.
O Impacto das Alterações Climáticas na Disponibilidade Hídrica do Tejo
As projeções científicas para a bacia do Tejo sob o cenário de alterações climáticas são alarmantes e explicam por que os fenómenos de 2025-2026 são o “novo normal”. O aquecimento antropogénico está a alterar os padrões de precipitação no sul da Europa, levando a uma redução na quantidade total de chuva, mas a um aumento na sua intensidade e volatilidade.
Este paradoxo resulta em períodos de seca mais longos e severos (como o verão de 2025), interrompidos por eventos de precipitação extrema que causam cheias rápidas e destrutivas.
Até ao final do século, prevê-se que a escassez de água na bacia do Tejo aumente significativamente. Sob o cenário de emissões moderadas (RCP 4.5), o Índice de Exploração da Água (WEI+) poderá subir para 0.52; num cenário de emissões elevadas (RCP 8.5), poderá atingir 0.65, ultrapassando largamente o limiar de stress hídrico severo.
Esta redução na disponibilidade média de água não significa que as cheias diminuirão; pelo contrário, a energia adicional no sistema climático prevê picos de cheia 20% a 30% superiores aos registados historicamente.
A infraestrutura atual, construída em grande parte durante o século XX com base em dados de um clima estável, não está preparada para estes novos extremos. As barragens, desenhadas para a “cheia centenária” do passado, podem ter de enfrentar agora esses mesmos caudais de 20 em 20 anos.
Além disso, a subida do nível médio do mar agrava o risco nas zonas de estuário do rio Tejo, como Lisboa e Vale do Tejo, onde a dificuldade de escoamento das águas do rio encontra a barreira de marés cada vez mais altas, criando um efeito de “rolha” que inunda as zonas ribeirinhas urbanas.
A adaptação a este futuro requer uma mudança radical na gestão da procura, sendo que a agricultura, responsável por cerca de 80% do consumo de água na bacia, terá de reduzir a sua pegada hídrica de forma drástica, apostando em tecnologias de precisão e na substituição de culturas intensivas por espécies mais resilientes produzindo o mesmo com metade da água que usa hoje.
Caso contrário, a competição pela água em anos de seca tornará a bacia do Tejo ingovernável, exacerbando o risco de catástrofe social quando o “Inverno chegar” sem reservas para armazenar e o “Verão chegar” com sede.
Combate às Alterações Climáticas e Conservação da Biodiversidade
A resposta à crise climática na bacia do Tejo não pode ser puramente tecnológica ou baseada em engenharia pesada. A conservação da biodiversidade é agora reconhecida como uma das estratégias de mitigação e adaptação mais eficazes e de menor custo. Ecossistemas saudáveis – como zonas húmidas, florestas ripícolas e paul – atuam como infraestruturas naturais de regulação absorvendo o excesso de água durante as cheias e libertando-a lentamente durante os períodos de seca, purificando-a no processo.
Contudo, décadas de degradação ambiental na bacia do Tejo reduziram esta capacidade de autorregulação. A remoção da vegetação das margens para dar lugar a campos agrícolas e a urbanização desenfreada de leitos de cheia destruíram as zonas de amortecimento naturais do rio. Neste inverno, a ausência destas barreiras naturais permitiu que a água atingisse velocidades e volumes destrutivos em áreas povoadas.
A restauração ecológica é, portanto, um imperativo de segurança pública!
A intervenção necessária passa pela “renaturalização” de troços do rio Tejo e dos seus afluentes, incluindo o recuo de diques para permitir que o rio se expanda lateralmente em áreas não habitadas (planícies de inundação), reduzindo a pressão a jusante. Além disso, a promoção de florestas de folhosas autóctones nas encostas da bacia é vital para reduzir a inflamabilidade da paisagem no verão e garantir a estabilidade do solo contra a erosão no inverno.
Uma biodiversidade rica cria uma “teia de resiliência” que pode absorver choques climáticos que seriam fatais para monoculturas ou sistemas simplificados.
A integração destas soluções nos Planos de Gestão de Região Hidrográfica (PGRH) é fundamental para cumprir a Diretiva Quadro da Água, mas a sua implementação enfrenta frequentemente resistência política e económica, uma vez que requer uma visão de longo prazo que ultrapassa os ciclos eleitorais e desafia interesses de propriedade estabelecidos em zonas de risco.
Medidas de Ação: Estratégias para evitar catástrofes futuras
A definição de um plano de ação robusto para a bacia do Tejo exige uma abordagem integrada que combine mitigação (redução de causas, ex: emissões de gases com efeito de estufa) e adaptação (gestão de impactos). Com base nas opiniões de especialistas e nos dados recolhidos sobre a atual crise climática, são prioritárias as seguintes medidas de ação:
1. Gestão Inteligente e Flexível de Infraestruturas
A modernização das barragens e açudes é essencial. Isto não significa necessariamente construir novas barragens – que no Tejo já atingiram um nível de regulação quase máximo – mas sim fazer o “retrofitting” (modernização e atualização) das existentes. É necessário instalar descarregadores mais eficientes, reforçar taludes para resistir a picos de caudal superiores e, acima de tudo, implementar sistemas de gestão baseados em Inteligência Artificial que integrem previsões meteorológicas de curto, médio e longo prazo para otimizar os “vazios de segurança”.
2. Governança Transfronteiriça 2.0
A Convenção de Albufeira deve evoluir para um modelo de “gestão conjunta por bacia” instituindo-se uma entidade de gestão das bacias ibéricas e um centro de comando ibérico para situações de crise, com capacidade para tomar decisões sobre descargas de barragens de forma coordenada entre Portugal e Espanha, priorizando a segurança humana sobre a produção de energia.
Além disso, a transparência na partilha de dados hidrométricos deve ser total e acessível em tempo real para as autoridades de proteção civil de ambos os países.
3. Ordenamento do Território resiliente ao clima
É imperativo travar a ocupação de zonas de risco e implementar um programa de relocalização estratégica de infraestruturas críticas (hospitais, subestações elétricas, redes de transporte) que se encontram em leitos de cheia. O zoneamento deve ser revisto com base em modelos climáticos de 2050 e 2100, e não em mapas de risco históricos. As cidades da bacia do Tejo devem ser transformadas em “Cidades Esponja”, utilizando as zonas verdes para gerir a água da chuva na fonte.
4. Transição hídrica na Agricultura e Indústria
A pegada hídrica da bacia do Tejo deve ser reduzida para níveis sustentáveis, o que implica a redução das áreas de regadio intensivo em zonas de stress hídrico severo e a aposta na reutilização de águas residuais tratadas para fins industriais e agrícolas.
5. Investimento massivo em Restauração Ecológica
A restauração ecológica deve ser tratada como uma obra de engenharia pública prioritária, sendo necessário investir na reflorestação das encostas da bacia com espécies resistentes ao fogo e na criação de grandes corredores verdes ripícolas.
Estas intervenções não só mitigam os extremos de fogo e água, como também promovem a biodiversidade, o turismo sustentável e o sequestro de carbono, criando uma economia regional mais resiliente.
O futuro da bacia do Tejo: Entre a catástrofe e a adaptação
A crise sequencial de incêndios e cheias que marcou 2025 e 2026 é um aviso final para a necessidade de uma transformação profunda na forma como habitamos a bacia do Tejo. O medo sintetizado na analogia “O Inverno está a chegar! O Verão está a chegar!” é racional e baseia-se na observação direta da instabilidade climática. No entanto, este medo deve ser o catalisador para a ação e não para a paralisia.
A bacia do Tejo enfrenta um futuro onde o stress hídrico será a norma e os picos de precipitação serão o perigo. A gestão deste paradoxo requer uma coragem política sem precedentes para enfrentar interesses estabelecidos na agricultura intensiva, na monocultura do eucalipto e no setor energético, priorizando a segurança coletiva e a integridade ecológica.
A ciência demonstra que ainda é possível evitar os cenários mais catastróficos, mas a janela de oportunidade está a fechar-se à medida que cada evento extremo consome os recursos necessários para a adaptação.
A lição das cheias de 2026 é clara: as nossas infraestruturas cinzentas (barragens, diques) são necessárias, mas insuficientes. Sem a proteção das infraestruturas verdes (biodiversidade, solos saudáveis) e sem uma governança transfronteiriça sólida, o Tejo tornar-se-á um vetor de desastre em vez de um eixo de vida e prosperidade.
O compromisso com a conservação da biodiversidade e o combate às alterações climáticas não é uma opção ideológica, mas uma estratégia de sobrevivência para as populações de ambos os lados da fronteira.
Em suma, a bacia do Tejo deve servir de modelo para a adaptação climática na Europa do Sul. Portugal e Espanha, ao integrarem a sabedoria tecnológica, a cooperação diplomática e o respeito pelos ciclos naturais, podem garantir que, independentemente de quão rigoroso seja o “Inverno” ou quão fustigante seja o “Verão”, o território e as suas populações possuam a resiliência necessária para prevalecer.
A hora de intervir é agora, antes que o próximo ciclo de extremos torne o medo numa realidade irreversível de que ficaremos reféns se não tivermos a coragem política de aplicar estas medidas.
O inverno e o verão continuarão a chegar, mas o seu impacto dependerá da nossa capacidade de deixar de tratar os rios como mercadoria prisioneira do betão e passar a respeitá-los como o sustento da vida.
Caso contrário seremos cúmplices da nossa própria destruição e o grito de “O Inverno está a chegar!” continuará a ser um prenúncio de tragédia.
A solução não está em mais muros, mas em dar espaço à vida, protegendo os solos e a biodiversidade que são a nossa única verdadeira segurança.
A segurança futura de Portugal não depende da nossa capacidade de domar a natureza, mas da nossa inteligência em recuar, planear e respeitar os limites do território.
O Tejo e a Vida merecem mais do que a inércia do presente!
