O Burnout é o termo utilizado para descrever o estado de exaustão física, emocional ou mental a que as pessoas estão expostas no trabalho. Este síndrome de esgotamento profissional está muitas vezes presente em pessoas que estejam sujeitas a muita pressão no desempenho das suas funções. Podemos falar dos profissionais de saúde, de bancários, de professores mas também de profissionais da área social. É sobre estes que me vou focar na minha crónica desta semana.
Para muitos, o Burnout pode ser entendido como uma “frescura” como diria o povo brasileiro. Quem passa pelos stresses do dia-a-dia sabe bem do que falo. São as situações que os utentes nos trazem, são as respostas que não chegam ou não são eficazes, são os recursos que são escassos ou são demais, mas não estão articulados, são os prazos apertados, são os números para cumprir, são as relações interinstitucionais e as relações entre colegas.
Hoje em dia, são inúmeros os fatores de stresse que estão associados ao desempenho de uma função. Se por um lado nos deparamos com uma situação que queremos resolver o mais rapidamente possível para ajudar aquela pessoa, por outro, temos um conjunto de procedimentos burocráticos que nos impedem de avançar ao ritmo que desejaríamos. Depois, queiramos ou não, a área social é muito competitiva. Desengane-se quem acha que assim não é.
É um sector não lucrativo, mas que precisa de sobreviver e por esse motivo, não interessa apenas o “lucro” financeiro, interessa também o reconhecimento, os resultados e a satisfação das pessoas. Por isso, tentamos por tudo fazer melhor e diferente. Falamos muito hoje em dia de intervenção integrada e de partilha de recursos, de cooperação entre profissionais e de intervenção mínima.
E é verdade que de um modo geral se tentam fazer as coisas da melhor forma e cumprir estes princípios básicos de intervenção, mas também queremos defender a nossa “dama”, a nossa “capelinha”. E este é mais um fator de stresse, porque as organizações o exigem mas também porque os profissionais o desejam. Por outro lado, isto também faz com que esta “competitividade” (saudável na maioria dos casos) seja vantajosa para as pessoas que beneficiam dos serviços, uma vez que o grau de exigência é maior, também o grau de satisfação assim será (em principio).
Eu pessoalmente gosto de trabalhar com alguma pressão e gosto que me desafiem. Que me façam pensar mais além e que me levem a “pressionar” a minha equipa para fazermos mais e melhor. Eles e elas já sabem que só exijo o mínimo: o melhor desempenho de sempre.
Obrigado a quem está comigo e me acompanha, não só os e as de “casa” mas os e as das outras “casas” com quem trabalho em parceria. Com isto, não quero dizer que o Burnout é uma coisa positiva, apenas que devemos retirar dele todas as energias, para nos focarmos no que realmente importa.
