Bruxas e 'Lebresomes' invadiram Água das Casas. Créditos: José Martinho Gaspar

O passado sábado, 29 de junho, ficou marcado, na aldeia de Água das Casas, pelo evento Rota das Bruxas e “Lebresomes”, uma organização do Centro Social, Cultural, Recreativo e Desportivo local, cofinanciado pelo FinAbrantes, programa de apoio ao associativismo do município abrantino. O mote deste percurso foram as memórias, tradições e o imaginário dos habitantes mais velhos da aldeia relativos a bruxas e lobisomens, que localmente eram designados “lebresomes”.

Numa caminhada com cerca de quatro quilómetros, em que se inscreveram cerca de 70 pessoas, os participantes tiveram oportunidade de passar por diversos espaços da aldeia, nomeadamente pelas levadas por onde correm as águas de partilhas, por uma eira antiga, pelo Parque de Merendas do Rabaçal, pelas margens da albufeira de Castelo do Bode e pelas ruas de Água das Casas.

O mote deste percurso foram as memórias, tradições e o imaginário dos habitantes mais velhos da aldeia relativos a bruxas e lobisomens, que localmente eram designados “lebresomes”.

A conceção, com o apoio de vários habitantes de Água das Casas, esteve a cargo de Filipa Francisco, coreógrafa com raízes na pequena localidade do norte do concelho de Abrantes, a qual ali está a sediar a associação Mundo do Reboliço, de que é presidente da direção. 

Bruxas e ‘Lebresomes’ invadiram Água das Casas. Créditos: José Martinho Gaspar

Durante o percurso surgiram alguns idosos que contaram histórias, entoaram cantigas e lembraram orações e benzeduras antigas.

Em diferentes momentos, o passeio que teve uma forte componente performativa, contou com diálogos, explicações, estórias, canções, dança e a reconstituição de momentos do quotidiano e da sociabilidade de Água das Casas, nomeadamente da atividade do barqueiro, que se tornou determinante com a subida da água de Castelo do Bode, ou das fogueiras de São João.

José Martinho Gaspar nasceu em Água das Casas (Abrantes), na década de 60 do século XX, e vive em Abrantes. É Professor de História e Mestre em História Contemporânea. Desenvolve a sua ação entre aulas, atividades associativas (Palha de Abrantes e CEHLA/Zahara, mas também CSCRD de Água das Casas), leitura e escrita, tanto de História como de ficção, sendo autor de vários artigos e livros. Apaixonado por desporto, já não vai em futebóis, mas continua a dar as suas voltas de bicicleta. Afinal, diz, "viver é como andar de bicicleta: não se pode deixar de pedalar e quando surge um cruzamento escolhe-se o nosso caminho".

Deixe um comentário

Leave a Reply