O Regimento de Paraquedistas, em Tancos, assinalou este sábado, 23 de maio, o Dia da Unidade e o 70.º aniversário das Tropas Paraquedistas, numa jornada que reuniu milhares de militares, antigos combatentes, familiares e amigos vindos de vários pontos do país.
As comemorações decorreram na “Casa Mãe” dos “boinas verdes”, no Polígono Militar de Tancos, em Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, e ficaram marcadas por cerimónias militares, homenagens aos mortos em combate, demonstrações táticas e momentos de convívio entre gerações de paraquedistas.
A cerimónia militar foi presidida pelo secretário de Estado Adjunto e da Política da Defesa Nacional, Nuno Pinheiro Torres, acompanhado pelo Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), general Eduardo Mendes Ferrão, e pelo comandante do Regimento de Paraquedistas, coronel Hélder Prata Pinto.







Na sua intervenção, o general Eduardo Mendes Ferrão destacou os valores identitários que têm marcado as tropas paraquedistas ao longo de sete décadas, apontando a exigência, coragem, prontidão e espírito de corpo como elementos centrais da cultura operacional da unidade.
“Celebrar uma identidade forjada na exigência, na coragem e no serviço a Portugal” foi, segundo o CEME, o verdadeiro significado da efeméride.
O responsável recordou ainda os militares que perderam a vida em serviço, em treino, em operações ou em combate, deixando uma referência particular ao furriel paraquedista Ismael Lamela, falecido recentemente durante um salto de paraquedas.
“O Exército não esquece os seus”, afirmou, considerando que a homenagem prestada ao militar revelou “a irmandade” que une os paraquedistas “nos momentos de vitória, mas sobretudo nos momentos de maior adversidade”.




Ao longo do discurso, Eduardo Mendes Ferrão sublinhou também o investimento em curso na modernização e valorização da componente aeroterrestre do Exército, nomeadamente através da atualização do suplemento de serviço aerotransportado e do reforço das capacidades operacionais do Regimento.
“Trata-se de reconhecer de forma concreta a especificidade, a disponibilidade permanente e o elevado nível de exigência inerente ao serviço aeroterrestre”, declarou.
O general destacou ainda a importância do treino, da formação e da doutrina como prioridades estratégicas do Exército, considerando que “o valor dos paraquedistas não se mede apenas pelo seu produto profissional”, mas sobretudo pelo “elevado espírito de corpo que une gerações”.
“É isso que torna a família paraquedista verdadeiramente singular”, afirmou perante a vasta moldura humana reunida em Tancos.
O CEME deixou igualmente uma mensagem dirigida aos militares mais jovens.
“Servir com a boina verde é carregar uma herança de coragem, de sacrifício e de honra que atravessa gerações”, afirmou, terminando com o lema histórico: “Que nunca por vencidos se conheçam”.

Também o secretário de Estado Adjunto e da Política da Defesa Nacional, Nuno Pinheiro Torres, destacou a relevância estratégica das tropas paraquedistas no atual contexto internacional, marcado pela instabilidade e pela crescente exigência operacional das forças militares.
“Portugal continuará a precisar de Forças Armadas preparadas, credíveis e operacionalmente capazes e continuará seguramente a precisar dos seus paraquedistas”, afirmou.
O governante recordou os 70 anos da criação do Batalhão de Caçadores Paraquedistas, em Tancos, em 1956, sublinhando o percurso operacional construído ao longo das décadas em missões internacionais na Bósnia-Herzegovina, Kosovo, Timor-Leste, Afeganistão e República Centro-Africana.
Segundo Nuno Pinheiro Torres, os paraquedistas portugueses representam uma referência de “disciplina, prontidão, capacidade de intervenção rápida e aceitação do risco” no seio das Forças Armadas Portuguesas.
O secretário de Estado destacou ainda o papel desempenhado em território nacional, nomeadamente no apoio às populações afetadas por incêndios, catástrofes naturais e situações de emergência.




“Esta versatilidade, esta capacidade de projeção e esta prontidão permanente fazem das tropas paraquedistas uma referência do Exército Português”, sustentou.
Durante a cerimónia, foi igualmente evocada a memória do furriel Ismael Lamela, com o governante a deixar “uma sentida palavra de solidariedade e respeito” à família, amigos e camaradas do militar.

Já o comandante do Regimento de Paraquedistas, coronel Hélder Prata Pinto, centrou a sua intervenção na valorização da história, da identidade e da capacidade operacional da unidade, destacando os investimentos em infraestruturas, formação e modernização tecnológica.
O oficial salientou a criação do futuro Centro Interativo das Tropas Paraquedistas, desenvolvido em parceria com o Município de Vila Nova da Barquinha, como um projeto essencial para “preservar a memória e a identidade” da força.
“Celebrar 70 anos é mais do que olhar para o passado. É firmar com clareza quem somos e quem queremos continuar a ser”, afirmou.
O comandante recordou igualmente os pioneiros das tropas paraquedistas e as missões internacionais desenvolvidas ao longo das últimas décadas, considerando que o reconhecimento internacional da especialidade resulta “do nível de excelência que aqui se produz”.
Num discurso marcado também pela emoção, Hélder Prata Pinto evocou o furriel Ismael Lamela, referindo que os militares que partem em serviço “nunca partem verdadeiramente”.
“Ficam na memória coletiva, nos valores que transmitem e no exemplo que deixam”, afirmou.

O coronel destacou ainda o atual contexto geopolítico internacional e defendeu a importância estratégica das forças aerotransportadas face aos desafios futuros.
“A capacidade de projetar forças rapidamente, com precisão e autonomia, é uma vantagem decisiva”, afirmou, acrescentando que “o Exército e Portugal contam com as tropas paraquedistas”.
As comemorações incluíram imposição de condecorações e distintivos honoríficos, desfile das forças em parada e das associações de paraquedistas, demonstrações táticas aeroterrestres, saltos em paraquedas, exibições cinotécnicas e visitas ao Museu dos Paraquedistas e à exposição dedicada aos “70 anos das Tropas Paraquedistas”.
Ao longo do dia, milhares de antigos militares participaram ainda no habitual convívio anual junto ao quartel de Tancos, num ambiente marcado pelo reencontro de camaradas, pela partilha de memórias e pela celebração da identidade paraquedista.










Sob o lema “Que nunca por vencidos se conheçam”, a celebração voltou a afirmar o espírito de união e identidade que continua a ligar gerações de paraquedistas portugueses.
