Foto: mediotejo.net

O autor foi distinguido com o Prémio Bibliotecando 2025 e participou como orador convidado, contribuindo para as reflexões em torno do tema central da edição: “Centros e Periferias: Um diálogo necessário”.

A sua presença atraiu não só a comunidade local como também participantes de outras regiões, evidenciando o alcance e a relevância do encontro, sublinhou a vereadora com o pelouro da cultura da Câmara Municipal de Tomar, Filipa Fernandes.

“Eu acho que Mia Couto é uma inspiração para a humanidade. Ele não só inspira gentes da nossa terra, como também atraiu pessoas de fora. Portanto, nestes dois dias tivemos a oportunidade de ouvi-lo, de escutá-lo, de sentir as suas palavras, de entrar dentro deste seu mundo. Mas não foi só os tomarenses, porque muitos de fora também quiseram estar presentes neste momento tão especial.”

Na véspera do evento, a 15 de maio, Mia Couto participou em dois encontros com leitores na biblioteca: uma sessão à tarde com alunos das escolas do concelho e outra, à noite, aberta ao público em geral. Ambas as sessões proporcionaram momentos de proximidade com o autor, num ambiente marcado pela partilha e pela reflexão.

Foto: mediotejo.net

Para o escritor moçambicano, a passagem pelo concelho tomarense, onde teve a oportunidade de contactar de perto com a comunidade local, “foi um dos melhores momentos que eu passei nestas andanças que eu já tenho há muito tempo. Foi muito bonito, foi muito familiar. Eu estava em casa, digamos, foi uma conversa quase caseira e isso agrada-me muito.”

Em declarações ao mediotejo.net, mais do que distinções ou reconhecimento formal, Mia Couto valorizou o acolhimento humano que encontrou em Tomar. “O principal para mim foi a maneira como eu fui recebido, não me interessa tanto assim os prémios, esse lado formal não é o que me faz correr. O que me faz correr são as pessoas, esse encontro com as pessoas e aqui aconteceu muito bem”, declarou

Durante a sua intervenção, o autor também refletiu sobre o papel da cultura nos tempos atuais, sublinhando que, embora livros e arte não mudem diretamente políticas de Estado, têm um papel fundamental na transformação das consciências.

ÁUDIO | Mia Couto esteve à conversa em Tomar, no âmbito do evento “Bibliotecando em Tomar”

“[Os livros e a cultura são um farol de esperança nos tempos atuais], mas são muito insuficientes. Porque como podemos imaginar, nenhum governo, nenhuma nação muda a sua política por causa de um livro ou por causa de um escritor. Mas, na verdade, eu acho que o trabalho que os livros fazem, o cinema e a arte em geral, não é dirigido para os governos, é dirigido para as pessoas e para que elas possam perceber que vale a pena ter esperança, vale a pena mudar o mundo.”

A edição de 2025 manteve o espírito de colaboração entre várias instituições. O Bibliotecando é organizado pelo município de Tomar em parceria com os Agrupamentos de Escolas Templários e Nuno de Santa Maria, o Centro de Formação “Os Templários”, a Rede de Bibliotecas Escolares, o Instituto Politécnico de Tomar e o Centro Nacional de Cultura.

À margem da sessão, Filipa Fernandes destacou o caráter comunitário da iniciativa. “É um evento que não é organizado só pelo município, é uma rede de instituições que organizam e só isso também já tem um cariz muito especial, porque costuma-se dizer que para educar uma criança é preciso toda uma aldeia e este evento é isso mesmo. É uma congregação de instituições locais que se juntam para promover a cultura e a literatura no nosso concelho.”

ÁUDIO | Filipa Fernandes, vereadora na Câmara Municipal de Tomar

Durante os dois dias do evento, os participantes refletiram sobre o binómio centro-periferia, explorando questões sociais, políticas, económicas, culturais e urbanísticas. Através de debates e intervenções, procurou-se compreender as conotações associadas aos termos “centro” e “periferia” e discutir como estes conceitos se manifestam em diferentes domínios do saber.

“O mote desta edição é ‘O centro e a periferia’. No fundo, é algo que está muito premente hoje na discussão pública, no sentido de que é preciso dialogar e questionar tudo isto: o que é que realmente é periferia, o que é que realmente é centro e de que forma é que os centros podem estar mais perto das periferias e as periferias do centro”, explicou a vereadora.

“A mensagem que eu gostaria muito que ficasse vincada aqui é que, independentemente do lugar onde vivemos ou do lugar onde crescemos, onde nascemos, todos temos lugar no mundo e todos deveriam ser aceites, independentemente da sua cor, da sua raça ou da sua religião”, concluiu Filipa Fernandes.

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Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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