A Biblioteca Municipal José Cardoso Pires, em Vila de Rei, vai celebrar na quinta-feira, 26 de outubro, o seu 15º aniversário, bem como os 98 anos do nascimento do escritor José Cardoso Pires, natural de São João do Peso, falecido há 25 anos, dinamizando um conjunto de atividades. A programação inclui um atelier criativo, momentos de poesia e outras iniciativas de âmbito cultural.
O ano de 2023 está associado a diversas efemérides e, em Vila de Rei, uma é a dos 25 anos da morte de José Cardoso Pires, e os 98 anos sobre a data do seu nascimento. O patrono da Biblioteca Municipal nasceu em S. João do Peso em 1925 e, apesar de se ter mudado cedo com a família para a capital, o seu nome ficou para sempre associado ao concelho. Homem de palavra e de palavras, com vida marcada pelos livros e a intervenção política que o levaram além-fronteiras e, por cá, aos calabouços da PIDE.
A 26 de outubro de 2008 era inaugurada a Biblioteca Municipal de Vila de Rei, precisamente uma década depois do seu patrono, o José Cardoso Pires, ter falecido. A falta de saúde falou mais alto que o homem das palavras e o corpo cedeu a um ano de comemorar os 50 anos da primeira obra publicada, “Os Caminheiros e Outros Contos”. A esta juntaram-se quase duas dezenas até 1997, ano em que são editados “De Profundis, Valsa Lenta” e “Lisboa, Livro de Bordo”.
Nos anos 80, com a publicação dos livros “A Balada da Praia dos Cães”, em 1982, e “Alexandra Alpha”, em 1987, vieram o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores e o Prémio Especial da Associação de Críticos de São Paulo (Brasil), que reconheceram o primeiro em 1983 e o segundo em 1989.
Entre galardões, a “A Balada da Praia dos Cães” inspirava o filme com o mesmo nome realizado por José Fonseca e Costa, em 1987, e as palavras regressavam impressas com “A República dos Corvos”, em 1988.
A última década do século XX trazia escondida a notícia de que seria, igualmente, a derradeira de José Cardoso Pires. Começou com o Prémio Internacional da União Latina, em 1991, e o Astrolábio de Ouro do Prémio Internacional Último Novecento da Comuna de Pisa, em 1992. Nesse ano troca as crónicas d’“O Jornal” pelas do “Público”, algumas das últimas compiladas na obra “A Cavalo no Diabo”, publicada em 1994.

Primeira metade da década de 90 pontuada por momentos altos. Descida abrupta na segunda em que o escritor sofreu um acidente vascular cerebral. No entanto, a persistência manteve-se até às últimas palavras publicadas em “De Profundis, Valsa Lenta” e “Lisboa, Livro de Bordo”. Estávamos em 1997 e a crítica continuou a reconhecê-las com o Prémio D. Dinis, Prémio da Crítica da Associação Internacional de Críticos Literários e o Prémio Pessoa.
Aquele com que a Associação Portuguesa de Escritores distinguiu a Vida Literária de José Cardoso Pires, em 1998, ficou marcado pelo fim dos romances, contos, crónicas, artigos, ensaios, peças de teatro, anúncios publicitários e intervenções políticas. Ficaram as palavras escritas para perpetuar a memória do escritor que nasceu em S. João do Peso 640 anos depois de D. Dinis criar o concelho de “Villa d’El Rey”.

