O Benfica venceu a Supertaça de futebol feminino, derrotando o Sporting por 4-1, após prolongamento do jogo disputado no Estádio Municipal dr. Magalhães Pessoa, em Leiria. Perante quase 10 mil pessoas, numa grande festa do futebol feminino, Benfica e Sporting deram um excelente espetáculo, com futebol de qualidade, recheado de emoção, incerteza, muito tempo de jogo e drama q.b. garantido pelo videoárbitro (VAR).
Detentor da Supertaça, o Sporting marcou primeiro já na segunda parte, numa grande penalidade convertida por Cláudia Neto. Mas Francisca Nazareth, que começou do banco e acabou por revolucionar o encontro, empatou para o Benfica (75 minutos) e levou o jogo para prolongamento, período em que as ‘encarnadas’ garantiram o troféu com golos de Ana Vitória (96 e 107) e Nycole Sobrinho (109).

Em Leiria, Benfica e Sporting deram um grande espetáculo, com futebol de qualidade, recheado de emoção, incerteza, muito tempo de jogo e drama q.b. garantido pelo videoárbitro (VAR). A vitória folgada está longe de representar o equilíbrio dentro de campo, pelo que, apesar da justiça da conquista, os números finais são demasiado castigadores para as ‘leoas’.

O jogo revelou-se muito vivo desde o primeiro minuto, com o Benfica a tomar conta das operações, através de trocas de bola seguras e muita concentração para travar as saídas contrárias.

Do outro lado, o Sporting posicionou-se expectante, aguentando o volume ofensivo das ‘águias’, à espera de lançar a velocidade de Ana Capeta e Diana Silva.

Com pressão à entrada da grande área do Sporting, o Benfica procurava estancar a ‘fuga’ das avançadas ‘verde e brancas’. Dessa forma dominava e até provocava pânico na área contrária. Mas atacava com alguma sofreguidão e, por isso, era pouco consequente.
Do outro lado, a cada distração das benfiquistas, Diana Silva e Ana Capeta ameaçavam. Aos 21 minutos, num desses contra-ataques, Ana Borges cruzou para Ana Capeta falhar a baliza por um palmo.

A instantes do intervalo, o Benfica respondeu, num grande trabalho de Andreia Norton, que serviu Jéssica Silva, mas o remate da avançada foi travado pela guarda-redes Hannah Seabert.
Após o descanso, o Sporting subiu no terreno, para travar o ataque apoiado do Benfica, que aproveitou esse adiantamento: aos 52 minutos Andreia Norton ficou com a bola nos pés à entrada da pequena área, mas rematou à figura de Seabert.

E, contudo, foi o Sporting que chegou ao golo, de grande penalidade, aos 63 minutos: Lúcia Alves derrubou Ana Capeta na área sem necessidade e, depois de consultar o VAR, a árbitra Sandra Bastos assinalou o penálti com que Cláudia Neto fez 1-0.

A reação do Benfica quase resultou no empate aos 73 minutos, num forte ‘tiro’ de Francisca Nazareth contra a guarda-redes ‘leonina’.
Nazareth, que entrou logo após o golo do Sporting, foi aposta ganha da treinadora Filipa Patão, já que dos seus pés saiu o 1-1, após assistência de Ana Vitória. Um remate forte à entrada da área quebrou a resistência ‘verde e branca’.

Os minutos finais do tempo regulamentar foram emotivos: aos 87 minutos, Sandra Bastos não assinalou uma grande penalidade para o Benfica, após consulta do VAR, enquanto, aos 90, Seabert travou com grande defesa um forte remate de Ana Vitória.
A intensidade do tempo regulamentar podia fazer crer que o prolongamento seria menos frenético. Pelo contrário, logo no primeiro minuto Ana Capeta atirou ao poste da baliza ‘encarnada’, dando o mote.

O Benfica respondeu de pronto e adiantou-se no marcador, noutro lance de grande penalidade descoberto pelo VAR. Ana Vitória rematou e a bola foi ao braço de Carolina Beckert. O penálti deu o 2-1 às ‘encarnadas’, convertido pela própria Ana Vitória.

O Sporting não baixou os braços e a incansável Ana Capeta esteve quase a empatar, só com Rute Costa pela frente, mas o rematou saiu por cima.

O jogo continuava vivo e mesmo depois do Benfica fazer 3-1, num cabeceamento de Ana Vitória após canto de Nycole Sobrinho, Ana Capeta enviou uma bola à barra, num cruzamento de Chandra Davidson.
O golpe definitivo seria dado por Nycole Sobrinho, a culminar a assistência de calcanhar de Francisca Nazareth para o 4-1, que selou a vitória que deu ao Benfica a segunda Supertaça da história.

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Ficha de jogo:

Jogo no Estádio Municipal dr. Magalhães Pessoa, em Leiria.
Sporting – Benfica, 1-4 (após prolongamento).
Ao intervalo: 0-0.
No final do tempo regulamentar: 1-1.
No final da primeira parte do prolongamento: 1-2.
Marcadoras: 1-0, Cláudia Neto, 63 minutos (grande penalidade), 1-1, Francisca Nazareth, 75, 1-2, Ana Vitória, 96 (grande penalidade), 1-3, Ana Vitória, 107, e 1-4, Nycole Sobrinho, 109.
Equipas:

– Sporting CP: Hannah Seabert, Carolina Beckert, Bruna Lourenço, Alícia Correia, Ana Borges (Chandra Davidson, 56), Rita Fontemanha (Vera Cid, 56), Cláudia Neto, Joana Martins (Andreia Bravo, 83), Brenda Pérez (Fátima Dutra, 106), Diana Silva e Ana Capeta.
(Suplentes: Carolina Jóia, Fátima Dutra, Chandra Davidson, Ana Teles, Melisa Hasanbegovic, Andreia Bravo, Vera Cid, Mariana Rosa e Inês Gonçalves).
Treinadora: Mariana Cabral.

– Benfica: Rute Costa, Ana Seiça, Carole Costa, Daniela Silva, Lúcia Alves (Maria Negrão, 114), Andreia Faria (Nycole Sobrinho, 91), Pauleta, Andreia Norton (Sílvia Rebelo, 114), Ana Vitória, Jéssica Silva (Francisca Nazareth, 64) e Cloé Lacasse.
(Suplentes: Katelin Talbert, Sílvia Rebelo, Valéria Cantuário, Marta Cintra, Nycole Sobrinho, Maria Negrão, Carolina Correia, Christy Ucheibe e Francisca Nazareth).
Treinadora: Filipa Patão.
Árbitro: Sandra Bastos (AF Aveiro).

Ação disciplinar: cartão amarelo para Cloé Lacasse (43), Pauleta (72), Carolina Beckert (95), Andreia Norton (102) e Carole Costa (104).
Assistência: 8.544 espetadores.
Declarações após o jogo entre Sporting e Benfica, da Supertaça de futebol feminino, disputada na sexta-feira no Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, e que terminou com a vitória das ‘encarnadas’, por 4-1, após prolongamento:

– Filipa Patão (Treinadora do Benfica): “Primeiro de tudo, há que enaltecer a festa que tivemos aqui, em prol do futebol. Tenho a certeza que o Benfica e o Sporting proporcionaram um ótimo espetáculo para quem veio a Leiria. Demonstrámos a qualidade que as jogadoras têm, que as duas equipas têm e que está a subir o nível do futebol feminino em Portugal.
O jogo foi equilibrado em parte. Até ao golo do Sporting, independentemente de o Sporting nos estar a criar problemas para conseguirmos entrar em zonas de criação, sentimos sempre que o Sporting não conseguia sair da sua primeira fase de construção, ao contrário dos outros jogos ao longo da época passada e mesmo desta.
Criámos grandes problemas ao Sporting para conseguir entrar no jogo que gosta. Agora faltou-nos algum critério com bola, para conseguirmos dar um passinho mais além na qualidade do nosso jogo.
Na segunda parte melhorámos, principalmente, ao nível do critério com bola, que foi o que nos andou a faltar ao longo do jogo. A partir do momento em que sofremos um golo, as jogadoras tiveram uma capacidade enorme de resiliência para ultrapassar um momento menos bom. Começaram a ter mais critério com bola, começámos a subir mais as linhas, e sentimos que o golo iria acabar por acontecer. Acabou por acontecer o empate a partir daí só deu Benfica.
A entrada da Kika [Francisca Nazareth] acabou por mexer com o jogo, é uma jogadora com critério, na tomada de decisão faz muita diferença. Essa ligação que ela permitiu criar, acrescentou-nos muito ao jogo.
Volto a frisar o espírito de sacrifício que elas tiveram. Numa altura em que foi o golo, com semanas anteriores em que tivemos Liga dos Campeões e vários momentos, elas, foram inexcedíveis em todos os momentos, mesmo cansadas fisicamente, que é normal que o estejam, com viagem e com dois dias de preparação. Tiveram uma atitude à Benfica.
Efeitos para época desta vitória? Nenhuns. No ano passado não teve qualquer efeito no Benfica o facto de ter perdido a Supertaça. Estes jogos são finais, são momentos. O campeonato é longo, há várias taças, há vários momentos. Não nos podemos centrar apenas no que aconteceu agora, mas sim no trabalho que vamos ter ao longo da época para continuarmos esta toada de poder vencer estes momentos competitivos.
A partir do momento em que acabou uma competição, desligamos e já estamos a pensar noutra. O passado só serve para melhor, para construirmos sobre ele”.

– Pedro Alegria (Treinador-adjunto do Sporting): “Acho que o resultado é muito desajustado para a realidade do jogo. É pesado, a nossa equipa não merecia.
O jogo foi muito equilibrado. No prolongamento o Benfica faz o 2-1, temos hipótese de empatar o jogo, [Ana] Capeta leva a bola ao poste; o Benfica faz 3-1, temos hipótese de fazer novamente golo para 3-2 e entrar novamente no jogo; mas o Benfica no seguinte ataque faz 4-1 e ‘mata’ logo ali o jogo. Se o jogo já estava difícil, ficou quase impossível. É muito injusto para as atletas, pela resiliência, pela garra que tiveram dentro do campo, foram autênticas leoas e acho que foi muito injusto.
Este resultado não vai ter consequências nenhumas [na época]. Ninguém gosta de perder, a cara de quem ganha nunca é a cara de quem perde. Mas a época é muito longa, é uma maratona – isto não é uma prova de 100 metros. Temos ainda três competições para disputar. Vamo-nos focar claramente nelas, vamos lugar por elas. Esta equipa que está numa boa fase de crescimento e é importante realçar as atletas da formação que estiveram presentes. Hoje acabámos com uma atleta ainda júnior a jogar um jogo desta importância.
A parte física? O Benfica também teve atletas no chão com cãibras. Houve sim uma grande eficácia da parte do Benfica e da nossa parte não conseguimos fazer os golos que poderíamos ter feito”.
c/LUSA






