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A Herdade de Cadouços, situada na localidade de Água Travessa, freguesia de Bemposta, e que funcionou até 2013 como unidade de Turismo Rural de 4 estrelas, foi alvo de cassação e apreensão dos Alvarás de Utilização para fins turísticos e como espaço dedicado a restauração e bebidas, após aprovação do ponto que constou na ordem de trabalhos da última reunião de executivo da CM Abrantes, nesta terça-feira, dia 8.

João Gomes referiu que o Turismo de Portugal notificou a autarquia sobre a caducidade do título de abertura do empreendimento turístico, explicando que “este é o processo que tem de ser feito depois de o Turismo de Portugal retirar a licença, a CM automaticamente tem de tirar os alvarás que foram submetidos, e isto é um procedimento a decorrer devido ao fecho das infraestruturas em causa”, disse.

“É como o caso do Hotel Turismo, esteve fechado algum tempo mas o alvará esteve em vigor”, referindo que após o período de validade dos alvarás “se a unidade hoteleira estiver encerrada, automaticamente são retiradas as licenças, e no caso de intenção de reabertura terão de tirar novas licenças e novos alvarás”, explicou o autarca.

Segundo constou em reunião de câmara, o processo envolve ainda candidaturas ao quadro comunitário, e desta forma, o Turismo de Portugal assegura se as infraestruturas apoiadas estão ou não a ser utilizadas para o efeito, mediante a candidatura efetuada.

Segundo João Gomes, quando existem apoios financeiros, “além de ter que manter o espaço aberto, também em termos do quadro de pessoal, têm de ser cumpridos rácios, se não for cumprido, terão que devolver”.

“Teríamos interesse em não estar a tomar esta decisão, e o espaço estar a funcionar em pleno, era o melhor para todos”, afirmou o vice-presidente da CM Abrantes.

O executivo lamentou, na generalidade, o fecho e o não aproveitamento daquele espaço, recordando-o como sendo “um espaço muito agradável”.

Outrora uma quinta de exploração de sobreiros, a Herdade de Cadouços foi remodelada e reaproveitada em 2000 para o turismo em espaço rural, sob o conceito ‘A Natureza ao Natural’, refletindo uma “aposta muito forte nas energias alternativas”. Fechou portas em 2013. Foto DR

Recorde-se que, em 2010, a Herdade de Cadouços foi a única empresa portuguesa selecionada como parceiro preferencial pela ‘International Union for Conservation of Nature’ (IUCN), no âmbito do Ano Internacional da Biodiversidade.

Outrora uma quinta de exploração de sobreiros, a Herdade de Cadouços foi remodelada e reaproveitada em 2000 para o turismo em espaço rural, sob o conceito ‘A Natureza ao Natural’, refletindo uma “aposta muito forte nas energias alternativas”.

Composta por 600 hectares de área num ambiente de lagos com nascentes naturais e montados de sobro, a Herdade de Cadouços chegou a disponibilizar um restaurante vocacionado para os pratos regionais de caça e pesca, sala de eventos, auditório e três salas de reuniões, 52 hectares de vinha para produção de vinhos em modo biológico e 9 albufeiras habitadas por espécies animais autóctones, desde milhares de trutas, carpas, achigãs, garças, gansos, patos selvagens e cegonhas.

Dispõe de um court de ténis, piscina tratada e piscina natural biológica, numa albufeira de nascente de represa, circuito de manutenção, um campo de ténis, um campo de futebol autodrenante, um trajeto de manutenção com obstáculos e por último, um circuito de todo o terreno. No ponto mais alto da Herdade localiza-se a Capela em honra da Senhora dos Caminhantes.

A Herdade chegou a atrair um público muito específico, vindo das zonas do Grande Porto e Grande Lisboa, mas também de Espanha, França e Inglaterra. A Herdade mereceu reconhecimento no Guia Michelin desde 2008.

O complexo direcionado ao Turismo Rural, que totaliza 42 quartos tipo suite, dos quais 2 duplos, é complementado por jardins envolventes, pátios, arruamentos viários e pedonais, e outros arranjos paisagísticos, segundo pode ler-se num dos portais de imobiliário nacionais. A propriedade, encontra-se à venda por cerca de 5 milhões de euros como imóvel de banco.

C/ LUSA

Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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