A aldeia da Foz, na freguesia de Bemposta, Abrantes, está sem comunicações desde segunda-feira, após o furto de cabos de cobre que derrubou vários postes da Altice/MEO, situação que mantém a população isolada e “desesperada”, denunciou o presidente da Junta, na tarde de sexta-feira.
Este domingo, Luís Dias disse ao nosso jornal que o problema se mantém e que o apagão afeta telecomunicações fixas, telefones, internet ADSL e, em muitos casos, televisão, deixando a localidade “num mundo à parte”, sem qualquer previsão de reposição do serviço.
“Desde segunda-feira que a aldeia da Foz não tem telecomunicações. Nem telefone, nem internet, nem televisão. As pessoas estão completamente privadas de comunicações”, afirmou o autarca, que descreve um cenário de revolta crescente na população.
Segundo explicou, o problema foi detetado após um furto de cabos de cobre que levou ao corte de um poste de madeira e ao consequente colapso de mais três ou quatro, devido ao peso das linhas. A GNR deslocou-se ao local e a operadora enviou uma equipa apenas para retirar cabos que estavam a atravessar a via pública, mas “desde então nada mais foi feito”.
“Passámos ontem e hoje no local e está tudo igual: cabos no chão, postes tombados, zero respostas. Não há ninguém a trabalhar na reparação, ao contrário do que foi dito a alguns habitantes”, relatou, na sexta-feira.

ÁUDIO | LUÍS DIAS, PRESIDENTE JUNTA FREGUESIA DE BEMPOSTA:
O presidente da Junta sublinha que a freguesia já enfrenta dificuldades de acesso à fibra ótica e que o apagão agravou a vulnerabilidade da população: “Temos muitos idosos e nem todos têm telemóvel. O telefone fixo é essencial. Há também pessoas em teletrabalho que estão impedidas de trabalhar. Estamos em pleno século XXI, isto é incompreensível.”
Luís Dias disse sentir “tristeza, amargura e impotência”, afirmando que a Junta já alertou as autoridades e vai insistir junto da Altice/MEO.
“A bola está do lado deles. Não podemos substituir cabos nem erguer postes. A população está isolada e à espera. É inadmissível que uma situação destas dure quatro, cinco ou seis dias”. declarou.

O furto ocorreu na segunda-feira e, até cerca das 13h00 deste domingo, a operadora não tinha iniciado qualquer reparação nem comunicado aos residentes ou à Junta uma data prevista para restabelecer o serviço, indicou. Luís Dias afirmou, no entanto, a expectativa que o problema seja resolvido esta semana.
