Confesso que hesitei bastante ao escrever esta crónica mas há situações a que é impossível ficarmos indiferentes e em relação às quais temos a obrigação de dar a nossa melhor atenção, energia e de não permanecermos calados – afinal de contas os tempos da censura já lá vão há muito e hoje vivemos num país onde a liberdade de acção e expressão não é crime.

Na semana passada, participei numa reunião com os encarregados de educação do Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Fernandes a propósito da falta de assistentes operacionais. Até aqui nada de novo, por três vezes visitei esta escola ao longo do último ano e nas três oportunidades a Direcção da escola manifestou aos Deputados do PSD a preocupação com o impacto da reversão das 35 horas na gestão dos assistentes operacionais. Era preciso, para acomodar as 35 horas, contratar mais funcionários, caso contrário algumas escolas corriam o risco de fechar.

Obviamente que os Deputados do PSD questionaram de imediato o Ministro da Educação através de perguntas escritas mas também no debate do OE2017 e em pelo menos duas audições regimentais com Tiago Brandão Rodrigues no Parlamento. Infelizmente, o Ministro desvalorizou a questão e disse que não haveria problema nenhum, que estava tudo acautelado. Foi o que se viu. Não só não estava acautelado, como são hoje as associações de pais, tal como a própria autarquia, que pagam alguns dos funcionários que permitem que as escolas se mantenham abertas. Estará isto correcto? Fará isto sentido? Isto é um problema real que afecta directamente a vida de centenas de abrantinos. Como é que algumas das entidades que podem ser a chave para resolver esta questão permanecem caladas como se não fosse nada com elas? Não podemos pôr a ideologia e a cor partidária à frente do interesse geral das pessoas.

Quando o PSD era governo, os Deputados do PSD, e eu em particular, não hesitámos em criticar ou chamar a atenção do ex titular da Educação, Nuno Crato, como aconteceu com a falta de obras na Escola do Sardoal, com a demora nas obras nesta escola, com o fim do inglês em alguns anos ou com os erros dos concursos de professores. Também não deixámos de nos deslocar às urgências hospitalares quando houve greves ou quando havia problemas pela falta de médicos ou de condições do bloco operatório. Também não nos calámos quando denunciámos a poluição no rio Tejo e exigimos ao governo PSD/CDS mais acção no combate aos poluidores.

Vi no passado autarcas do PSD e do PS a combaterem medidas que colocavam em causa os seus concelhos. Vi o Vasco Estrela, Presidente da CM de Mação, a protestar por diversas vezes contra Ministros do PSD por medidas que, segundo ele, prejudicavam o futuro do seu concelho como o encerramento de serviços ou a reclassificação de estradas. Por diversas vezes vi o Presidente CM do Sardoal, Miguel Borges, a protestar publicamente junto do Ministro da Saúde por falta de médicos na sua terra, contra o encerramento de serviços ou porque as obras na sua escola nunca mais eram aprovadas. Várias vezes vi a senhora Presidente de CM de Abrantes a protestar contra os então Ministros da Justiça ou da Saúde e mesmo contra o então Primeiro-Ministro por considerar, e por vezes com razão, que algumas decisões prejudicavam o concelho de Abrantes.

Mas admirei também a coragem recente com que os Presidentes da CM da Barquinha e de Constância, eleitos por partidos que apoiam o actual Governo, protestaram contra o actual governo por causa da redução do horário de funcionamento do balcão local da CGD. Ficou-lhes bem defender as suas populações apesar de apoiarem o governo que tem essa responsabilidade nessa redução de horário.

Sei, por experiência própria, que quando são os Deputados ou Autarcas do partido do governo a protestar a resolução dos problemas pode ser mais célere. É por essa razão que digo que no caso dos problemas da falta de funcionários do Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Fernandes há muito por fazer, nem todos deram o seu melhor, nem todas as entidades envolvidas se empenharam como lhes era exigido.

Deixo a seguinte pergunta: se o Ministro da Educação se chamasse Nuno Crato ou fosse do PSD, não acham que outros protagonistas da região andariam já empoleirados nas televisões, aos ombros dos alunos e dos pais, a mostrar serviço? Pois também me parece.

Este assunto só se resolverá com pressão política, cabe a quem tem ficado calado numa luta ideológica com a actual direção da escola, fazer-se ouvir e colocar o interesse dos alunos e da comunidade escolar acima da disciplina partidária.
Não sei como algumas pessoas conseguem dormir descansadas.

Duarte Marques, 39 anos, é natural de Mação. Fez o liceu em Castelo Branco e tirou Relações Internacionais no Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, com especialização em Estratégia Internacional de Empresa. É fellow do German Marshall Fund desde 2013. Trabalhou com Nuno Morais Sarmento no Governo de Durão Barroso ao longo de dois anos. Esteve seis anos em Bruxelas na chefia do gabinete português do PPE no Parlamento Europeu, onde trabalhou com Vasco Graça Moura, José Silva Peneda, João de Deus Pinheiro, Assunção Esteves, Graça Carvalho, Carlos Coelho, Paulo Rangel, entre outros.
Foi Presidente da JSD e deputado na última legislatura, onde desempenhou as funções Vice Coordenador do PSD na Comissão de Educação, Ciência e Cultura e integrou a Comissão de Inquérito ao caso BES, a Comissão de Assuntos Europeus e a Comissão de Negócios Estrangeiros e Cooperação. O Deputado Duarte Marques, eleito nas listas do PSD pelo círculo de Santarém, foi eleito em janeiro de 2016 um dos novos representantes portugueses na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, com sede em Estrasburgo. É ainda membro da Assembleia Municipal de Mação.
Sócio de uma empresa de criatividade e publicidade com sede em Lisboa, é também administrador do Instituto Francisco Sá Carneiro, director Adjunto da Universidade de Verão do PSD, cronista do Expresso online, do Médio Tejo digital e membro do painel permanente do programa Frente a Frente da SIC Notícias.

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