BE defende exclusividade e contratação de 4 mil médicos e enfermeiros para o SNS. Foto: mediotejo.net

Em declarações aos jornalistas no hospital de Abrantes, no final de uma reunião de trabalho com a administração da Unidade Local de Saúde (ULS) do Médio Tejo, Mariana Mortágua disse que os problemas ali identificados são “transversais” a todos o país tendo chamado a atenção para “duas propostas” do BE, “quantificadas”, e que visam ajudar a resolver um défice de recursos humanos a partir de um aumento da atratividade profissional.

“Exclusividade, com aumento de remuneração a 40%, e o BE estima que as contas para esta medida seja de 501 milhões de euros (ME) por ano”, indicou, tendo acrescentado “a contratação de dois mil médicos e dois mil enfermeiros para o SNS”, medida que a dirigente do BE disse ser possível “se houver um regime de exclusividade que atraia estes profissionais” e que quantificou em 166 ME.

Segundo disse Mariana Mortágua, “esta exclusividade e contratação, que tem um investimento avultado, mais de 600 ME, vão permitir ao Estado poupar 100 ME em tarefeiros (…) e vão permitir também ao Estado poupar 300 ME em horas extraordinárias, sendo o investimento líquido por parte do Estado de 255 ME”, no conjunto das duas medidas.

“São apostas concretas que o BE faz, propostas que permitem soluções para o SNS, não só concretizadas com os seus tempos e as suas regras, mas também quantificadas”, afirmou Mortágua, tendo feito contar que “é assim” o partido quer estar nesta campanha: “temos soluções, fazemos as contas e queremos maiorias para estas soluções”.

A coordenadora nacional do BE esteve em Abrantes acompanhada de candidatos por Santarém às legislativas de 10 de março. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | MARIANA MORTÁGUA, COORDENADORA DO BE:

No caso da ULS Médio Tejo, onde “quase metade dos médicos são tarefeiros por não haver médicos suficientes no quadro”, o que “justifica a dificuldade e manter as urgências sempre abertas”, a coordenadora do BE disse ainda ter constatado o “esforço e o empenho dos profissionais em fazer funcionar o SNS”, e que os mesmos “sofrem as consequências da falta de investimento e de soluções, nomeadamente capacidade para reter profissionais”.

Questionada sobre a notícia hoje veiculada pelo secretário de Estado da Saúde de que cinco unidades de saúde vão arrancar em fevereiro com projetos-pilotos de equipas dedicadas à urgência, Mariana Mortágua rejeitou que a ideia seja solução para os problemas do SNS.

“Essa notícia é de hoje e estamos sempre a falar de remendos. Falamos de projetos piloto em Lisboa, Porto e Coimbra, não são para todo o país, e são só para três ou quatro urgências que centralizam ainda mais as respostas que deviam ser descentralizadas”, defendeu.

O Governo publicou hoje, em Diário da República, a portaria que estabelece as novas regras e incentivos que serão atribuídos aos centros de responsabilidade integrados com equipas dedicadas ao serviço de urgência (CRI-SU).

Numa primeira fase vão avançar cinco projetos-piloto nas Unidades Locais de Saúde (ULS) de Santa Maria, São José, em Lisboa, de Coimbra, e São João e Santo António, no Porto, que são “cinco das urgências mais diferenciadas” no Serviço Nacional de Saúde (SNS), adiantou o secretário de Estado da Saúde Ricardo Mestre.

Os profissionais podem duplicar o seu vencimento, se cumprirem os objetivos que permitam receber os respetivos suplementos e incentivos ao desempenho.

Segundo a coordenadora do BE, as medidas anunciadas “não resolvem o problema do acesso aos cuidados de saúde, não resolvem o problema da falta de profissionais, e ainda têm um outro problema: fazem depender os aumentos salariais e os incentivos aos médicos de sistemas de avaliação de desempenho que não dependem de critérios objetivos, dependem da afluência às urgências”, medidas que indicou serem também “rejeitadas” pelos profissionais.

O problema da falta de recursos humanos, reiterou, “resolve-se com exclusividade, carreiras e contratação.”

BE aposta em Bruno Góis para recuperar deputado por Santarém

O BE está apostado em recuperar o deputado por Santarém nas eleições de 10 de março, sendo a lista encabeçada pelo escalabitano Bruno Góis, investigador, de 37 anos.

Para o cabeça-de-lista do BE, «no Parlamento, faz falta uma voz para exigir investimento público no nosso distrito. Só com investimento público a sério é que teremos habitação, serviços públicos, transportes e emprego de qualidade”. Bruno Góis assumiu que “a lista do Bloco de Esquerda representa a ânsia de várias gerações por um país com justiça social e liberdade”. 

BE aposta em Bruno Góis para recuperar deputado por Santarém. Foto: mediotejo.net

O bloquista apelou à “mobilização cidadã, que se quer não só para as eleições de 10 de março, mas para todo um percurso de luta pela gente de trabalho da nossa terra”.

c/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

Agência de Notícias de Portugal

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