A animadora social e técnica de apoio à vítima Helena Pinto, de 65 anos, é a candidata do Bloco de Esquerda (BE) à Câmara de Torres Novas nas autárquicas deste ano, sendo Diogo Gomes o cabeça de lista à Assembleia Municipal. Com o lema ‘Torres Novas – Viva e Solidária’, o BE apresentou no Jardim das Rosas os candidatos a cinco freguesias e alguns nomes que acompanham Helena Pinto para o executivo, como André Lopes e Maria José Formigo, e para a Assembleia Municipal, com Diogo Gomes a ser acompanhado por Ana Luísa Miranda e Margarida Pereira.
Candidatos do BE às freguesias:
União de Freguesia (UF) São Pedro, Lapas e Ribeira Branca – Carlos Centeio, UF Santa Maria, Salvador e Santiago – Dina Sá, UF Olaia e Paço – Ascensão Pereira, Meia Via – Cristina Paixão, e Riachos – Jorge Simões Nuno. O BE indica que “em breve” serão divulgadas as listas completas.
No seu discurso, Helena Pinto lembrou a não eleição de um vereador em 2021, desfecho que o BE não estava a contar, tendo lamentado que tal facto resultou numa falta de “oposição digna desse nome” nos últimos quatro anos ao executivo de maioria PS, que não ficou isento de críticas.
“Há quatro anos o Bloco de Esquerda ficou fora da Câmara Municipal. Com uma nova conjuntura, em 2021, o povo de Torres Novas não deu votos suficientes para manter a vereadora do Bloco que, durante oito anos, manteve uma intervenção ativa nas diferentes áreas de atuação do município. Sinceramente, não esperávamos este desfecho. Mas foi assim que aconteceu. O resultado destes quatro anos, em que podemos afirmar não houve uma oposição digna desse nome, está à vista de todos”, declarou.
“O PS continuou a governar e as oposições marcaram presença nas reuniões, mas a fiscalização democrática, o questionamento necessário ficou por fazer e sobretudo, faltou proposta alternativa, confronto de posições e demarcação naquilo que é essencial na vida do município. Darei apenas dois exemplos: os orçamentos municipais, quase sempre viabilizados pelas oposições na Câmara, e a aplicação dos fundos comunitários, nomeadamente os destinados à habitação, assim como os fundos para os projetos PEDU que se arrastam, arrastam, nem sabemos até quando”.

“Os programas financiados com fundos comunitários acabam e os projetos saltam para o programa seguinte, não se esgotando a verba que estava disponível e privando o município de novos investimentos com as verbas do programa seguinte. Esta é uma marca da governação PS, desde sempre. Agora já se fala que o que não foi feito passa para o programa 20/30. Não posso deixar de referir o projeto “vila” para o centro histórico da cidade… não fosse a intervenção do Bloco e hoje teríamos um ‘mupi eletrónico’ como paisagem na praça 5 de Outubro… Não ouvimos questionar o investimento de 700 mil euros, num projeto de que ainda não se conhece a mais-valia, nomeadamente para o comércio local que continua a fechar portas, como bem sabemos”, afirmou, tendo, de seguida, apontado ao setor da habitação.
“Em relação à habitação, um dos principais problemas do país, e Torres Novas não é exceção, o que tem o PS para apresentar? Aprovámos a Estratégia Local de Habitação em 2021, onde para além de construção nova se previa obras de reabilitação nas habitações que apresentavam condições indignas, relembro que foram identificadas 75 situações. Repito, condições indignas! Mas pergunto, o que tem o PS para apresentar? Uma mão cheia de nada e outra cheia de desculpas passando as culpas a outros e à burocracia e de anúncios de concursos que nunca mais são concluídos”, criticou.
“Eu bem sei que a burocracia é muita, que as dificuldades são sempre enormes, mas será só em Torres Novas que se juntam todos os ingredientes para que nada se concretize? Olhamos para os concelhos vizinhos e vemos as obras a avançarem, as casas a serem atribuídas e, por aqui, nem sequer o Bairro da Calçada António Nunes, previsto no PEDU, nem esse está habitado pelos antigos moradores e o prédio na rua atriz Virgínia, onde devia existir uma praceta, custa a ser acabado…Somos levados a concluir que marcámos passo nos últimos quatro anos, não existiu liderança, não foram definidas prioridades, não se concentrou esforços, parece que saltamos de festa em festa e pouco mais”, disse Helena Pinto, tendo apontando ao trabalho dos eleitos do BE na Assembleia Municipal.
“Da nossa parte, na Assembleia Municipal, cumprimos com o nosso programa e com a fiscalização que compete à oposição. Mas não ficámos por aí, apresentámos propostas, várias aprovadas e algumas concretizadas que muito nos orgulham como é o caso do TUT gratuito. Aproveito para saudar os autarcas eleitos pelo BE, na Assembleia Municipal e nas Freguesias – Rui Alves Vieira, Roberto Barata, Miguel Fanha, António Gomes, Pedro Triguinho, Nelson Campos, Hugo Paz. A população sabe que pode contar connosco. Prova disso é que continua a trazer até nós os seus problemas e as suas dúvidas”, declarou a candidata do BE.
“Nestes 4 anos mantivemos a nossa intervenção, também a título de exemplo relembrarei o que fizemos sobre o derrube das chaminés da antiga fábrica das lãs, denunciámos e exigimos o embargo; o que fizemos com a revisão do PDM, ainda em curso. Fomos a única força política com uma intervenção concreta e estruturada sobre esta revisão, é bom lembrar que falamos, nada mais, nada menos, do documento estratégico para o ordenamento do território do concelho, que será aprovado no próximo mandato. Será importante que as forças políticas se posicionem sobre as opções previstas” defendeu, tendo apontado a tempos exigentes num novo ciclo autárquico.

“Chegados aqui, vamos iniciar um novo ciclo autárquico. Um novo ciclo, inserido numa conjuntura nacional em que a direita é governo e cede à pressão da extrema-direita, em que muitos dos nossos direitos estão a ser postos em causa, em que as dificuldades aumentam para quem vive do seu trabalho ou da sua pensão e num ambiente em que nos querem fazer acreditar que a culpa é dos imigrantes para nos desviar de quem verdadeiramente ganha e lucra à custa dos trabalhadores e trabalhadoras”, afirmou Helena Pinto.
“Os tempos que vivemos exigem muito de nós, individualmente e coletivamente. Exigem resistência, mas também persistência. Persistência na informação, na argumentação, no debate de ideias e ousadia para chegarmos a todas as pessoas. Um novo ciclo marcado pela mudança de protagonistas na atual maioria, facto que não pode inibir as responsabilidades de quem governa Torres Novas há 32 anos”.
“Conhecemos a velha máxima “mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma”. Não é isso que Torres Novas precisa. Que Torres Novas tem muitas potencialidades todos e todas sabemos, o que agora importa é a escolha do caminho a seguir. Ou há visão estratégica ou continuaremos ao sabor “da maré”, ou melhor, dos interesses do momento”, declarou tendo dado o exemplo das futuras piscinas de verão – “1 milhão de euros sem participação comunitária” – tendo defendido investimento no rio Almonda, em “continuar o trabalho de despoluição, de limpeza e de acesso ao rio”, e “resolver de vez as saídas de esgoto diretamente para o rio, dentro da cidade”, a par do “problema de saneamento básico em todo o concelho”.
“Poderia continuar dando exemplos de opções erradas, de orçamentos que vão sendo alterados e mesmo adulterados ao longo do ano por decisões do Presidente, de promessas anunciadas com pompa e circunstância e esquecidas, de contratos realizados por ajuste direto e não cumpridos. (…) Teremos, com toda a certeza, ocasião para abordar estas e outras questões. É mesmo preciso fazer um balanço do que se tem andado a fazer. Da nossa parte estamos prontos para isso”, declarou.
“Apresentamo-nos nestas eleições, conscientes dos desafios da atualidade e deste novo ciclo que se vai abrir a partir de outubro próximo. Não negamos as dificuldades do Bloco e da Esquerda. Mas sabemos que é aqui que se encontra a solução. Tudo fizemos para que existisse uma alternativa de esquerda nas próximas eleições. Não foi possível e aqui estamos para dar o nosso contributo, trazer o nosso saber e a nossa experiência, sempre abertos ao diálogo e à construção de soluções. Um novo ciclo, após o cinquentenário do 25 de Abril, tem de responder às alterações climáticas, a novas respostas sociais para os idosos e idosas, a novas creches e a escolas com capacidade para acolher todos os alunos, às necessidades de habitação a preços justos, à mobilidade em todo o concelho, e tem de promover a participação e a cidadania”.
“É isto, Torres Novas Viva. Inclusão, não discriminação, empatia e não discursos de ódio, apoio. É isto Torres Novas Solidária!”, concluiu, com um agradecimento “a todos e todas que aceitaram ser candidatos e candidatas. A vossa disponibilidade significa que podemos dar corpo a uma alternativa”.
O Bloco concorre a cinco freguesias de Torres Novas: UF de S. Pedro, Lapas e Ribeira Branca; UF de Santa Maria Salvador e Santiago; UF de Olaia e Paço; Meia Via e Riachos.
Helena Pinto concorre para dar “resposta forte e construtiva”
Com um vasto currículo de intervenção política e social, Helena Pinto, antiga deputada e ex-vereadora no município de Torres Novas, apontou a necessidade de dar uma “resposta forte e construtiva” aos tempos que se vivem.
“Sou candidata à Câmara Municipal de Torres Novas motivada, no essencial, pelas razões com que me candidatei em mandatos anteriores e que se resumem na convicção de que é possível fazer mais e melhor pela população”, disse à Lusa a cabeça de lista do BE, antiga deputada do partido eleita por Santarém, e ex-vereadora do Bloco na Câmara de Torres Novas.
Enquanto vereadora em Torres Novas, em dois mandatos, (2013-2017 e 2017-20121), Helena Pinto disse ter apresentado “imensas propostas” e “sempre caminhos alternativos” para a gestão municipal, o que se propõe voltar a fazer.
“Umas vezes fui bem-sucedida, como no caso da gratuitidade do TUT [Transporte Urbano Torrejano], outras nem por isso, sobretudo no que tem a ver com a falta de transparência, a burocracia, a ineficiência de alguns serviços municipais, com particular destaque para o Urbanismo, mas não só”, declarou.
Com um vasto currículo de intervenção política e social, a candidata do BE à presidência da Câmara de Torres Novas nas eleições autárquicas deste ano apontou a necessidade de dar uma “resposta forte e construtiva” aos tempos que se vivem.
“Aceitei o desafio do BE, porque vivemos tempos em que a resposta da esquerda tem de ser forte, alternativa e construtiva. Quero dar o meu contributo, no meu concelho, na autarquia, para encontrar os caminhos que respondam aos problemas da atualidade, ao nível da habitação, defesa do ambiente e solidariedade”, declarou.
Helena Pinto é animadora social, técnica de apoio à vítima, e vive na Meia Via. Foi deputada à Assembleia da República (2005-2015) e vereadora na Câmara de Torres Novas durante dois mandatos (2013-2017 e 2017-20121).
Ativista feminista, tem um longo historial de luta pelos direitos das mulheres e contra a violência doméstica, tendo ainda no seu currículo a presidência da União Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR).
A lista do BE à Assembleia Municipal é liderada pelo técnico de som e imagem, Diogo Gomes, 22 anos, natural de Torres Novas, onde reside, tendo já representado o BE na Assembleia Municipal, “em substituição”.

Na nota informativa, o BE indica ainda que nas próximas semanas serão apresentados “mais candidatos e candidatas” a estes dois órgãos municipais e às freguesias, assim como as iniciativas para apresentação do programa eleitoral.
Nas eleições autárquicas de 2021, o PS conquistou 45,2% dos votos em Torres Novas, elegendo cinco dos sete elementos do executivo municipal. A coligação PSD/CDS-PP (16,9%) elegeu um vereador, tal como o Movimento P’la Nossa Terra (16,5%), num concelho que tinha então 30.795 eleitores inscritos.
O atual presidente do município, Pedro Ferreira, está a cumprir o seu terceiro e último mandato, tendo o PS anunciado que o advogado José Trincão Marques, 58 anos, será o seu candidato à Câmara de Torres Novas.
Além do PS, e do BE, o Movimento P´la Nossa Terra já anunciou a socióloga Manuela Dias, 64 anos, como sendo a sua candidata, a par do Chega, CDU e PSD, que também já indicaram os seus cabeças de lista.
O empresário José Carola, 73 anos, concorre pelo Chega, com Júlio Costa, artista visual e doutorando em História da Arte, de 35 anos, a ser o candidato da CDU. Já o PSD anunciou o empresário Tiago Ferreira, 48 anos, como cabeça de lista.
As eleições autárquicas estão marcadas para 12 de outubro.
c/LUSA
