A crise provocada pela pandemia trouxe danos incríveis na nossa economia, quiçá mais graves ainda que a crise financeira e das contas públicas que levou a um programa de ajustamento a Portugal. Nessa altura, apesar de todas as dificuldades, o país viu-se obrigado a fazer algumas reformas estruturais num clima de grande austeridade e falta de financiamento. Agora a situação é diferente, a crise não é apenas das contas do Estado, mas sim da economia e das empresas que, por ordem do Governo, e bem, foram forçadas a suspender a sua atividade.
Posto isto, a União Europeia aprovou um conjunto de pacotes financeiros para ajudar o Estado e as Empresas a recuperar deste confinamento e desta derrocada económica. Seria então expectável que o Governo português aproveitasse este dinheiro para cobrir parte das despesas que teve com a resposta à pandemia, onde se incluem os apoios que deu às empresas com o lay-off (para isso há um programa próprio da UE chamado SURE) e que usasse o restante para estimular a economia através das empresas e da indústria.
Isso seria o que um Governo responsável faria. Mas António Costa decidiu alocar menos de 10% desse montante (mil milhões de euros) à economia e reservou quase tudo o resto para o Estado e para a Administração Pública. Isso é insensato e irresponsável. No fundo, o dinheiro da Europa não vai servir para recuperar a economia do confinamento, mas sim para recuperar do desinvestimento destes últimos anos, apesar da recuperação económica iniciada em 2014. A verdade é que o investimento público foi maior durante a “troika” do que nos 4 anos de Governo da Geringonça. Foi esse o preço a pagar, congelar investimento para satisfazer o populismo da esquerda.
Fazer mudanças estruturais é criar condições para fazer a economia crescer e isso passa também por remover barreiras ao crescimento e à competitividade das nossas empresas. Ignorar este vetor é condicionar brutalmente o nosso futuro.
Esta bazuca, a juntar ao próximo Programa-Quadro que aí vem, é muito provavelmente o último pacote financeiro de apoio aos países da coesão para recuperarem do atraso face à média europeia. Tendo em conta que já desaproveitámos outras oportunidades, é ainda mais importante que não deixemos fugir mais esta.
Infelizmente as primeiras notícias não são nada boas. Espero sinceramente que a Comissão Europeia chumbe o programa português e obrigue o Governo a equilibrar melhor a balança entre a economia e a máquina do Estado.

