Ao mediotejo.net, João Paulo Rodrigues garantiu que o BARK cai na Barquinha por motivos de ordem pessoal. Foto arquvo: David Pereira | mediotejo.net

Bark cai na Barquinha por “razões pessoais” mas pode instalar-se noutro local – Empresário (c/áudio)

Em declarações ao mediotejo.net, o promotor do projeto Bark – Bioparque Barquinha, disse que a decisão do município [de revogar a declaração de interesse municipal] era a “expectável”, tendo em conta a não entrega de documentos e garantias financeiras que permitissem manter a opção de aquisição de cerca de 40 hectares de terreno naquele município, em zona privilegiada.

[A decisão] “era expectável da nossa parte porque foi decisão mesmo nossa a de não apresentar os documentos requeridos pela Câmara. Por razões pessoais e devido também a uma série de ataques pessoais e tentativas de invasão da minha privacidade. E decidimos mesmo não avançar, porque compreendemos que existe um certo limite para a própria Câmara e decidimos não continuar com o processo, mesmo por razões pessoais, não foi por outra razão”, afirmou o promotor do projeto, João Rodrigues, ao mediotejo.net.

Questionado se a não entrega das garantias estava ligado a questões de ordem financeira o empresário assegurou “não” ser esse o motivo.

A Câmara de Vila Nova da Barquinha revogou a declaração de Projeto de Interesse Municipal (PIM) ao projeto Bark – Bioparque Barquinha, por terem sido “ultrapassados todos os prazos concedidos para apresentação de garantias” por parte do promotor. O projeto previa um espaço com mais de 250 animais distribuídos por 43 hectares, em diferentes habitats, num investimento de 70 milhões de euros.

Imagem: Divulgação BARK

João Rodrigues marcou presença na Assembleia Municipal que aprovou a revogação da declaração de interesse municipal, no dia 21 de fevereiro, tendo dado conta do objetivo da sua intervenção aos eleitos barquinhenses.

“Simplesmente considerei que, até mesmo para existir uma certa cisão entre nós e o Galaxy Park (projeto de Jacques Rodrigues que esteve também planeado para o município da Barquinha e que acabou por não se concretizar), “que era o meu direito e dever dar uma pequena explicação à Assembleia, que foi exatamente esta: que foi por razões de ataques pessoais e de ataques à minha privacidade que decidimos não apresentar o projeto. E fui agradecer, obviamente, todo o apoio dado pelo executivo, bem como pela Assembleia, até este momento, pelo processo”.

Questionado pelas implicações e sobre qual vai ser o futuro deste projeto, João Rodrigues disse que o mesmo, sendo necessário refletir e prematuro avançar com alguma situação, não vai cair.

“Neste momento ainda é prematuro estar a falar de outras situações. Apenas posso dizer que qualquer outra Câmara que queira, obviamente, falar connosco, nós estamos abertos sempre a essa situação, e estamos sempre abertos a falar com qualquer Câmara, mas, neste momento, é ainda prematuro estarmos a falar do que poderá acontecer com o potencial Bioparque”.

“É uma pena o projeto não continuar na Barquinha, mas também não digo que não irá continuar em qualquer outro sítio. Só digo que, para mim, é prematuro estar a desenvolver esse ponto”, declarou.

João Paulo Rodrigues é o diretor da empresa Olifantes & Nature, promotora do BARK, um bioparque projetado para Vila Nova da Barquinha, com mais de 120 espécies animais integradas em espaços que mimetizam os seus habitats naturais. Fotografia: David Pereira/mediotejo.net

ÁUDIO | JOÃO RODRIGUES, PROMOTOR DO PROJETO BARK:

O projeto do Bioparque foi apresentado em 2019, ano em que se desencadeou o processo, prevendo-se um espaço com mais de 250 animais distribuídos por 43 hectares, em diferentes habitats, num investimento de 70 milhões de euros.

Pensado como “centro de conservação de espécies em vias de extinção”, deveria criar “150 postos de trabalho diretos e receber 450 mil visitantes no primeiro ano”, revelou em 2019 o promotor do investimento.

Com a revogação da declaração de interesse municipal, o projeto cai por “falta de evidências financeiras”. O estatuto permitiria “facilitar e ajudar” na sua concretização, disse ao mediotejo.net o presidente do município de Vila Nova a Barquinha.

“Implicava, nomeadamente, a venda de um terreno de 37 hectares, que tinha um valor de 10 milhões de euros, por cerca de 500 mil euros, ou seja, uma redução significativa no preço, e, por outro lado, também uma isenção de IMT [Imposto Municipal sobre a Transmissão onerosa de imóveis], uma isenção de IMI [Imposto Municipal sobre Imóveis] e outras mais-valias, como a qualificação de um projeto de candidatura a fundos comunitários, fundamental para a empresa”, declarou Fernando Freire.

“Por parte do promotor, não houve a capacidade [de concretizar]. Na vida, às vezes, temos sonhos e não conseguimos concretizar. A vida é isto”, disse o autarca, falando de uma “nova zona industrial” para dar uso ao terreno em causa.

Reiterando que a decisão de não entregar as garantias solicitadas não teve origem em problemas de ordem financeira e que “foi mesmo a decisão pessoal”, João Rodrigues elogiou o apoio do executivo e do presidente do município ao longo do processo.

“Devo dizer que o executivo, nomeadamente o senhor presidente Ferrando Freire, foi sempre o nosso maior apoiante, queria trazer este projeto para a Barquinha e lutou para tal. E a única coisa que eu posso dizer é que ele sofreu pressão política anteriormente, mesmo para acabar com o projeto, e que, com todo o respeito que tem por nós, deu-nos até à última. E isso eu posso dizer. Do nosso lado, eu apenas irei dizer que, sem dúvida, existiu uma série de ataques pessoais e à minha privacidade, mas não irei desenvolver muito mais do que essa situação”, e que, assegurou, estiveram na base da decisão de fazer cair o projeto.

“Sim. Vamos dizer que foi a gota de água do copo cheio”, declarou.

Quanto ao futuro, João Rodrigues disse que o processo merece pausa para “reflexão” tendo feito notar que “o sonho continua” e que o projeto é “replicável” em qualquer lugar.

“Obviamente, reflexão é sempre feita e deve ser sempre feita após qualquer situação. Mas, com o know-how que temos, com a equipa que temos, isto é perfeitamente replicável [noutro local]. Eu, neste momento, não considero assertivo ir falar amanhã com qualquer outra câmara. Eu acho que pode ser visto até de uma forma má. Mas nada impede que, obviamente, qualquer câmara que considere que tenha um espaço e necessitar de alguma injeção de capital que queiram falar connosco. Não há sim nem não até ao final. Nós estamos sempre abertos a discutir qualquer outra possibilidade com qualquer câmara”, afirmou.

O BARK representaria um investimento de 70 milhões de euros numa área de 40 hectares (o dobro do Jardim Zoológico de Lisboa). Imagem: David Pereira | mediotejo.net

Havendo projeto, know-how, e equipa, há fundo de maneio financeiro, questionámos.

“Neste momento, há equipa, há projeto e temos um fundo atrás de nós que nos está a acompanhar”, declarou João Rodrigues, para quem o sonho continua. “Sim, sim, isso continua”.

Pensado também como centro de conhecimento, o Bark – Bioparque Barquinha, pretendia juntar a investigação científica com o desenvolvimento de programas ambientais, com o acolhimento de animais provenientes de centros de reprodução e parques semelhantes em quatro áreas: Arquipélago Indonésio, Pantanal, Peneda-Gerês e Savana Africana.

O projeto na Barquinha teria ainda vários equipamentos de apoio ao visitante como um hotel de quatro estrelas com 130 quartos, um restaurante com 300 lugares sentados, um centro pedagógico e 397 lugares de estacionamento.

O processo do Bark tem muitas semelhanças com outro projeto que caiu no concelho, lançado em 2003 – o Galaxy Park, um parque de diversões projetado para o mesmo local. O plano terminou em 2008, sem concretização.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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