Cruzeiro Religioso e Cultural do Tejo volta a unir comunidades ribeirinhas. Foto: CIT

Em comunicado, a Confraria Ibérica do Tejo refere que o maior rio ibérico volta a ser palco de uma peregrinação fluvial com cerca de 380 quilómetros, entre Portugal e Espanha, integrando embarcações tradicionais, com destaque para as bateiras dos pescadores avieiros, num cortejo guiado pela imagem de Nossa Senhora dos Avieiros e do Tejo.

Sob o lema “Nas margens do rio está a árvore da Vida”, a iniciativa decorre ao longo de quase dois meses e assume uma dimensão religiosa e cultural, reforçando a ligação entre comunidades ribeirinhas dos dois países.

Em nota, a organização sublinha que o evento “destaca-se pela sua vertente ibérica, promovendo a união entre Espanha e Portugal através da navegação fluvial”, com o objetivo de valorizar a memória e a identidade do território.

A peregrinação arranca no sábado, 09 de maio, em Rosmaninhal, no concelho de Idanha-a-Nova, seguindo para Alcântara, em Espanha, antes de regressar a Portugal e descer o Tejo até à sua foz, com chegada prevista a Oeiras a 27 de junho.

Cruzeiro Religioso e Cultural do Tejo vai atracar em dezenas de localidades ribeirinhas. Foto arquivo: Jorge Santiago/mediotejo.net

Segundo a Confraria Ibérica do Tejo, o objetivo é “celebrar e lembrar a memória do Tejo quando era um espaço a fervilhar de atividade e a verdadeira autoestrada para o transporte de mercadorias e de pessoas”, sublinhando que essa função se foi perdendo ao longo do tempo.

A organização acrescenta que “ficaram as comunidades piscatórias ao longo de todo o rio”, que mantêm vivas tradições ligadas à pesca e à cultura ribeirinha, sendo estas comunidades os principais protagonistas da iniciativa.

Em virtude das “dificuldades e dos perigos da navegação” fluvial, “todas estas comunidades sempre tiveram um grande fervor religioso”, destaca a organização, que refere ainda que, na sequência de “estudos realizados pelo Instituto Politécnico de Santarém sobre os Avieiros, e em conjunto com a Igreja Católica, nasceu a Nossa Senhora dos Avieiros e do Tejo”, em honra de quem é realizado o cruzeiro.

Assim, a imagem de Nossa Senhora dos Avieiros e do Tejo vai percorrer todo o rio durante cerca de um mês e meio, sempre aos fins de semana, transportada por uma embarcação tradicional (bateira) e acompanhada por barcos lúdicos e de pesca que se vão juntando ao cortejo nas várias etapas, numa iniciativa que pretende “projetar os saberes, as tradições e as diferentes culturas e modos de viver o Tejo”.

A chegada das embarcações às comunidades ribeirinhas e aldeias avieiras é assinalada com bandas filarmónicas, piqueniques, celebrações religiosas e outras manifestações culturais e desportivas, envolvendo as populações locais.

O percurso inclui 20 etapas e cerca de 380 quilómetros, atravessando dezenas de localidades ribeirinhas em Portugal e Espanha, contando com o apoio de mais de 200 entidades, entre autarquias, associações, forças de segurança e organismos ligados ao património e à navegação.

Nossa Senhora dos Avieiros e do Tejo no Porto da Barca, em Tramagal. Foto: mediotejo.net

No percurso previsto, destaque para a passagem pelo Médio Tejo ao longo de vários fins de semana, entre as etapas 4 e 9 da peregrinação fluvial.

No fim de semana de 16 e 17 de maio, o cruzeiro cumpre a 3.ª e 4.ª etapas, passando por Malpica do Tejo, Alfrívida, Vale de Pousadas, Monte Fidalgo e Perais, até Vila Velha de Ródão, seguindo depois por Fratel, Santana, Amieira do Tejo e Barca da Amieira, com chegada a São José das Matas, no concelho de Mação.

Entre 18 e 22 de maio decorre a 5.ª etapa, com passagem por Gavião, Alamal, Ortiga e Alvega, ao longo de vários dias de percurso.

No fim de semana de 23 e 24 de maio realizam-se a 6.ª e 7.ª etapas, com passagem por Mouriscas, Travessão do Pego, Barca do Pego e Rossio ao Sul do Tejo, seguindo depois por Tramagal, Rio de Moinhos e Amoreira, até Constância.

Já no fim de semana de 30 e 31 de maio, a 8.ª e 9.ª etapas ligam Constância a Vila Nova da Barquinha, passando pela Praia do Ribatejo, Arripiado e Tancos, prosseguindo depois por Pinheiro Grande, Chamusca, Azinhaga, Alpiarça, Vale de Figueira, Ribeira de Santarém e Caneiras.

Peregrinação fluvial da Senhora dos Avieiros em manifestação de cultura e fé. Foto: mediotejo.net

A organização alerta que o programa pode sofrer ajustes em função das condições do rio.

A Confraria sublinha ainda que a iniciativa tem caráter “não reivindicativo”, procurando valorizar o património cultural e religioso associado ao Tejo e às comunidades que vivem nas suas margens.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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