Foto: mediotejo.net

Jorge Faria, presidente da Câmara Municipal do Entroncamento, começou por falar das especificidades do concelho a que preside, marcado por uma densidade populacional das mais elevadas do país e uma “atividade económica muito interligada”.

Para o edil, a cidade situada no centro do país possui uma “localização privilegiada” com ligações fáceis, ferroviárias e rodoviárias aos principais centros urbanos, portos e a Espanha. “Daqui viajamos de carro ou de comboio para qualquer parte da Europa”, notou, na sessão realizada na quinta-feira, dia 26 de outubro.

“Vivemos numa área em que, além da qualidade de vida que nós procuramos que seja cada vez melhor e que temos no Entroncamento, em Abrantes, Tomar, Barquinha e etc, também temos cada vez mais empresas a instalarem-se aqui e é essa a razão pela qual este território nos últimos tempos tem recebido inúmeros imigrantes”, sublinhou o autarca.

Jorge Faria, presidente da Câmara Municipal do Entroncamento. Foto: mediotejo.net

Tendo em conta os desafios que se prendem com o domínio da habitação, Jorge Faria destacou a importância da iniciativa para aumentar a capacidade dos territórios no acolhimento de pessoas.

“Temos potencial para receber e para enquadrar, por isso é que é cada vez mais importante que saibamos acompanhar a oferta do lado da habitação para essas pessoas que nos procuram”, indicou.

ÁUDIO | Jorge Faria, presidente da Câmara Municipal do Entroncamento

Manuel Jorge Valamatos, presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT) e também do município de Abrantes, lembrou o protocolo assinado em junho, entre a CIMT e o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), que prevê um investimento próximo dos 150 milhões de euros em 1.132 habitações a custo acessível nos 13 municípios da região, incluindo Sertã e Vila de Rei.

Manuel Jorge Valamatos, presidente da CIMT. Foto: mediotejo.net

A medida prevê que os projetos assinados com cada um dos 13 municípios sejam financiados com verbas provenientes do empréstimo concedido no âmbito do investimento no Parque Público de Habitação a Custos Acessíveis da componente Habitação do PRR.

Após os concelhos terem identificado as suas necessidades e construído a sua Estratégia Local de Habitação (ELH), a CIMT e o IHRU assinaram o acordo que procura uma colaboração para “diminuir a inflação que tem acontecido no âmbito habitação”.

ÁUDIO | Manuel Valamatos, presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo

“Todos nós autarcas temos a perceção da dificuldade das famílias, sobretudo dos casais mais jovens no acesso à habitação e julgamos que, no âmbito da ELH, esta é uma grande oportunidade que o PRR nos está a permitir de construir 1150 habitações a custos controlados para de alguma forma pôr um bocadinho de gelo no próprio mercado, quer do arrendamento, quer da venda”, indicou o autarca.

O CEO da Century 21 Portugal, Ricardo Sousa, promotor da sessão, usou da palavra para dar conta de um estudo que a entidade realizou em 2023 e que compara a evolução de diversos indicadores face aos dados apurados na primeira edição do mesmo  estudo, que foi realizada em 2019.

Entre as principais conclusões, destaca-se uma predominância da cultura de proprietário. 70% das famílias são proprietárias, 65% das famílias portuguesas já têm a sua habitação paga e apenas 5% ainda se deparam com encargos superiores a 500€.

Ricardo Sousa, CEO da Century 21. Foto: mediotejo.net

No que diz respeito ao mercado imobiliário, na região do Médio Tejo, é no Entroncamento que se encontra o maior número de imóveis em venda, seguindo-se Tomar, Abrantes, Ourém, Torres Novas, Ferreira do Zêzere e Alcanena. Entre os concelhos com menos oferta encontram-se Vila de Rei, Sardoal, Mação, Constância, Vila Nova da Barquinha e Sertã.

Entre as principais dificuldades no acesso à habitação, Ricardo Sousa indicou um problema de oferta e um problema de rendimento disponível das famílias, que não acompanhou a subida do valor dos imóveis.

ÁUDIO | Ricardo Sousa, CEO da Century 21 Portugal

“Naquilo que é o Médio Tejo temos pouca oferta, temos pouco mais de 900 imóveis em venda neste momento. É verdade que o Médio Tejo, de acordo com os Censos perde população, mas é verdade que (…) a região tem hoje um posicionamento estratégico para ter uma ambição de atração de talento, de empresas e de residentes”, afirma Ricardo Sousa.

Após o diagnóstico realizado, o CEO da Century 21 apontou como soluções o aumento da oferta de imóveis disponíveis no mercado, aumentar o aproveitamento da malha urbana das cidades e ter estratégias de mobilidade intermunicipal pensadas em função das pessoas.

“Temos de pensar em conjunto como vamos transformar as nossas cidades mais inclusivas, mas sustentáveis e mais acessíveis”, constatou.

De acordo com Anabela Freitas, vice-presidente da Direção do Turismo do Centro, e ex-presidente da CIM Médio Tejo e da Câmara Municipal de Tomar, existem dois desafios que se colocam na região do Médio Tejo e que se relacionam com o domínio da habitação, sendo que um deles prende-se com o futuro aeroporto e o outro com a criação da nova região que vai agregar o Médio Tejo, a Lezíria e o Oeste.

Anabela Freitas, vice-presidente da Direção do Turismo do Centro. Foto: mediotejo.net

“Isto vem criar desafios de mercado habitacional, de mobilidade entre estas três NUTS III e temos de estar atentos ao comportamento dos movimentos pendulares, das oportunidades de emprego e o que vai gerar depois o mercado de habitação”, sustentou, relativamente aos desafios e oportunidades da futura área territorial alargada, com o Médio Tejo, Lezíria e Oeste .

ÁUDIO | Anabela Freitas, vice-presidente da Direção do Turismo do Centro

O segundo desafio prende-se com o “novo aeroporto de Portugal, que seja construído aqui na nossa região, vem obviamente também trazer desafios grandes em tudo aquilo que é a nossa vivência e que vai para além do território do Médio Tejo”, indicou.

A nível do setor turístico, a representante da entidade Turismo do Centro referiu a falta de habitação disponível no mercado origina também dificuldades na atração de mão de obra para o setor do turismo.

O presidente da Assembleia Geral da Nersant, Domingos Chambel, por sua vez, descreveu uma situação habitacional da região que considerou ser “caótica”.

Foto: Domingos Chambel, presidente da Assembleia Geral da Nersant. Foto: mediotejo.net

“Se nós queremos ver o desenvolvimento de qualquer região é só fazer uma coisa muito simples. Subir ao ponto mais alto e contar as gruas que estão a trabalhar. Conseguimos tirar a fotografia exata do desenvolvimento dessa região e, na nossa, andam-se praticamente a contar pelos dedos, e a maior parte das que estão montadas estão paradas”, afirmou o dirigente da associação empresarial de Santarém.

ÁUDIO | Domingos Chambel, presidente da Assembleia Geral da Nersant

Relativamente ao programa articulado entre a CIMT e o IHRU, Domingos Chambel acredita que virá “resolver e minimizar uma grande parte do problema, porque são habitações a custos controlados”, tendo, no entanto, manifestado “algumas dúvidas, tendo em consideração os preços que o IHRU vai pagar”. (…)

“Mas estou convencido que aparecerão instrumentos financeiros de apoio para que todo este programa se transforme em sucesso”, defendeu.

Para o empresário, os desafios que o setor habitacional atravessa afetam transversalmente “a nossa sociedade, especialmente a economia e o ensino”, marcado por um “grande desequilíbrio” entre a oferta e a procura, concluiu.

O evento que decorreu durante a tarde de quinta-feira, procurou debater o papel da habitação na atração de residentes e investimento no Médio Tejo, reunindo as principais entidades representativas da região, num momento de reflexão e partilha de perspetivas sobre as dinâmicas específicas desta comunidade, bem como os seus principais desafios e oportunidades.

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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