Miguel Bento, o líder da concelhia do CDS de Torres Novas, apresentou na quarta-feira, 12 de julho, a sua candidatura oficial à Câmara Municipal. Para a Assembleia Municipal candidata-se Gonçalo Reis, que também segue como cabeça de lista à união de freguesias de Santa Maria, Salvador e Santiago. Para a união de São Pedro, Lapas e Ribeira Branca candidata-se Pedro Guia, como independente. O CDS segue assim sozinho para as autárquicas, apoiado por vários independentes.
Num discurso onde focou a pertinência das ideias e do debate construtivo antes as figuras que representam o partido, Miguel Bento reconheceu que teria sido mais fácil o CDS ter voltado a concorrer ao lado do PSD. “Mas na verdade, seria inútil não reconhecer que os nossos aliados tradicionais se encontram hoje esgotados, sem ideias, sem perspetiva, sem projeto, e quase sem liderança. Não queremos ficar agarrados a vícios do passado. É preciso mudar. Pensamos pela nossa própria cabeça”, frisou.
“Queremos também dizer que já é hora do debate político local se mudar da politiquice, da intriga, e do almoço-convívio fraco de ideias, para o debate de melhores projetos. Queremos discutir ideias, em vez de pessoas”, salientou o autarca, sublinhando o grande número de independentes presente nesta corrida eleitoral e esperando poder contar com cada vez mais participação.
À Câmara o CDS leva “pessoas ligadas à Arquitetura, à Gestão, às Engenharias, às Empresas, ao Direito, à Saúde e à Educação”, declarou, não apresentando porém os nomes que se candidatam. Lembrando as críticas de um jornal local quanto ao CDS estar a apresentar o seu programa via redes sociais, frisou que “não temos problemas de nos assumir como desalinhados. São os desalinhados que fazem avançar o mundo, não são os conformistas”.
Quanto ao programa eleitoral, salientou, este é definido em cinco eixos: Indústria, Mobilidade, Património Natural, Turismo e Cultura. “Propomos a dinamização do Parque Industrial e a criação de um Parque Tecnológico, com iniciativas mais fortes que visem a atração de investimento e que tragam uma malha de empresas mais orientadas para os serviços, a criatividade, e as novas tecnologias”, adiantou. Defendeu ainda a melhoria da rede de transportes, uma maior aposta no turismo, na cultura e no combate à poluição. Entre as várias propostas está a criação de um Museu Industrial, por forma a valorizar o património industrial torrejano.

Miguel Bento apresentou de seguida Gonçalo Reis como candidato à Assembleia Municipal e à união de freguesias de Santa Maria, Salvador e Santiago. Pedro Guia concorre à união de São Pedro, Lapas e Ribeira Branca como independente. O mandatário da campanha é João Bento.
Numa noite onde não faltaram críticas quer ao PSD quer ao Bloco de Esquerda, Miguel Bento esclareceu à comunicação social que tem amigos em todos os quadrantes políticos, mas que é defensor do debate de ideias e não da crítica pela crítica. “O discurso político está pobre”, declarou, “todos os partidos políticos têm a obrigação de dar mais a Torres Novas. Há crítica ao executivo, mas não há alternativas”.
“À direita não temos alternativa porque o PSD não apresentou ideias, não tem programa”, constatou. Quanto ao Bloco de Esquerda, Miguel Bento lembrou o caso do elevador para o castelo previsto no Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU) e o facto da vereadora Helena Pinto (BE) ter criticado a obra e até realizado uma pequena ação de contestação, mas não ter apresentado outra proposta. “Gostava de ideias. Do Bloco de Esquerda vejo crítica sem alternativas”, argumentou.
Miguel Bento adiantou ainda que o CDS vai apresentar candidatos a cerca de meia dúzia de juntas de freguesia, entre as quais se devem incluir Olaia e Riachos. Não quis porém mencionar quem serão os cabeças de lista.

Com um orçamento limitado (entre os 2 e os 3 mil euros), o autarca reconheceu que será difícil fazer uma campanha assente em outdoors. “Vai ter que se centrar mais no porta a porta”, comparecendo junto da população e das associações.
Afirmando que se candidata para vencer, salientou que as últimas eleições têm originado muitas surpresas e que nenhuma vitória pode ser dada como garantida.
Na apresentação esteve também o líder da distrital do CDS, Vasco Matafome, e a deputada do CDS pelo círculo de Santarém, Patrícia Fonseca. A última salientou que o objetivo desta campanha autárquica “é crescermos”, abrindo o partido a gente nova e “continuar a ser uma oposição crítica e construtiva”.
