No âmbito da campanha eleitoral do BE de Torres Novas, debateram-se propostas para combater a discriminação de género a nível local. Foto: mediotejo.net

A líder do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, esteve em Torres Novas no sábado, 9 de setembro, para um debate sobre “Igualdade de Género nas Autarquias”, no âmbito da campanha para as eleições autárquicas de 1 de outubro. Após a aprovação de um manifesto para a criação de “municípios livres de violência de género”, Catarina Martins subiu ao palco para encerrar os trabalhos, defendendo a criação de gabinetes de apoio de proximidade nas freguesias, para facilitar o acesso das vítimas a informação sobre os seus direitos, e planos educativos contra a violência, a implementar desde o pré-escolar.

A sessão na Biblioteca Municipal reuniu candidatos de todo o país que concorrem às autárquicas, estando presente inclusive a bloquista Joana Mortágua. Em declarações à comunicação social, Catarina Martins sintetizou as propostas que o BE deixou para os municípios para combater a violência de género.

Nomeadamente a criação de “gabinetes de apoio de proximidade, ou seja, que nas freguesias possa existir um local onde pessoas que são vítimas de violência ou discriminação se possam dirigir e saber como podem efetivar os seus direitos”. A ideia, explicou a coordenadora do BE, é que as vítimas (de violência doméstica, laboral, contra idosos, etc) consigam ter acesso à legislação existente para conhecerem os seus direitos.

Outra proposta deixada foram os “planos educativos contra a violência”, onde se pretende “começar a fazer um trabalho desde o jardim infantil para acabar com a discriminação de género”, para que se acabem com os estereótipos e se promova uma educação para a igualdade.

Durante a tarde de sábado, candidatos às autárquicas de todo o país e autarcas do BE discutiram um manifesto para a criação de “municípios livres de violência de género”, propondo uma “agenda local para a igualdade”.  Catarina Martins, que participou no debate que antecedeu a aprovação do documento, realçou que “as questões feministas não estão ultrapassadas, porque as mulheres continuam a ser vítimas, continuam a ser assassinadas, continuam a ganhar menos que os homens”.

“Quando nos dizem que ficámos sem causas fraturantes, o Bloco nunca quis criar nenhuma fratura. O que faz é sarar feridas e onde há desigualdade criar igualdade”, disse.

No encontro, que teve como anfitriã a vereadora do BE na Câmara de Torres Novas, Helena Pinto, foi assumido o compromisso de intervenção em “cinco eixos estratégicos”, com medidas concretas adaptadas à realidade de cada território.

Entre as propostas apresentadas contam-se a transformação da comunicação institucional, para que se torne “inclusiva e abrangente”, a realização de estudos para a elaboração de planos locais de intervenção contra a violência de género, a produção de materiais e campanhas dirigidas a públicos de todas as idades.

A inclusão nos planos educativos municipais e nas cartas educativas concelhias de medidas que levem à “desconstrução dos papeis de género e a promoção de uma cultura de igualdade e resolução pacífica de conflitos”, foram outras das propostas apresentadas.

Foi igualmente defendida a assunção de um “compromisso precariedade zero nas autarquias” e o reforço das políticas para autonomização das vítimas, com garantia de habitação ou, preferentemente, de segurança para que seja o agressor e não a vítima a sair de casa, assim como o direito à circulação segura no espaço público e uma atenção particular às mulheres idosas e às imigrantes.

c/Lusa

Cláudia Gameiro

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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