O auditório da Biblioteca Municipal António Cartaxo da Fonseca, em Tomar, encheu na noite de uma terça-feira, 19 de setembro, com o público a assistir ao debate que juntou os cabeças de lista das seis candidaturas à Câmara Municipal nas eleições autárquicas de 1 de outubro. Numa parceria com a Rádio Cidade de Tomar e naquele que foi o 7º debate promovido pelo jornal mediotejo.net, de entre os 13 que se comprometeu a realizar até fim do mês de setembro, Anabela Freitas (PS), José Delgado (PSD), Bruno Graça (CDU), Luís Santos (BE), Nuno Ribeiro (CDS-PP) e Américo Costa (PTP) deram a conhecer as suas propostas e pontos de vista perante os temas lançados pela moderação  de Mário Rui Fonseca (mediotejo.net) e Elsa Lourenço (Rádio Cidade de Tomar).

Debate realizou-se na noite desta terça-feira, 19 de setembro, na Biblioteca Municipal de Tomar Foto: mediotejo.net

Os candidatos começaram por explicar à audiência as razões que os levaram a apresentar-se a votos nas eleições de 1 de outubro. O primeiro a intervir, de acordo com o sorteio realizado, foi Luís Santos, candidato do Bloco de Esquerda. “O que me levou a concorrer foi achar que tem havido uma inércia no poder autárquico em Tomar e também porque identifiquei-me com o projecto do Bloco. Foi um processo natural”, disse, sublinhando que pretende concretizar ideias lançadas há 20 anos que ainda não estão concretizadas.

A mesma pergunta foi feita ao candidato da CDU, Bruno Graça, atual vereador, que disse concorrer por considerar que a acção e propostas do CDU para solucionar os problemas do concelho são “claras” e representam “algo que as diferencia das restantes candidaturas”. Anabela Freitas, candidata do Partido Socialista e recandidata a um segundo mandato refere que  depois de quatro anos a “arrumar a casa” chegou a altura de executar. “Há um conjunto de projectos que pensamos que são estruturantes para o concelho e para a sua afirmação regional, nacional e internacional e que pretendemos levar a cabo no próximo mandato”, sublinhou.

Luís Santos (BE), Bruno Graça (CDU) e Anabela Freitas (PS) Foto: mediotejo.net

O candidato do PPD-PSD, José Delgado, refere que a sua candidatura pretende uma ser uma alternativa diferente. “Não trabalharemos só para arrumar casa. Tomar tem que ser uma referência nacional e internacional. Tomar já foi o centro de Portugal. Hoje é o centro de nada”, disse. O candidato do CDS-PP, Nuno Ribeiro afirmou, por seu lado, que se candidata porque a “decadência de Tomar terá que parar”, estando na altura de olhar para o futuro sem esquecer o passado.

“Está na altura de termos caras novas, que não estão viciadas no sistema”, atestou. Américo Costa, candidato do PTP, começou por afirmar que “não é político”  pelo que “não acredita em nenhum dos anteriores intervenientes”. Disse que se candidata porque “está revoltado com o facto de Tomar, desde o 25 de abril, ter perdido 5 mil empregos”, relembrando da Câmara de Tomar, o antigo presidente General Fernando de Oliveira.

José Delgado (PSD), Nuno Ribeiro (CDS-PP) e Américo Costa (PTP) Foto: mediotejo.net

Questionados os candidatos sobre se a atual situação financeira do município será um constrangimento para vir a executar os projectos futuros dos próximos quatro anos. Luís Santos, do BE, reconhece que a situação não está bem e deve-se, sobretudo, à gestão do PSD. Bruno Graça (CDU) refere que a dívida a curto prazo que existia era um constrangimento à gestão corrente, e por isso avançaram com a negociação desta dívida para a transformar em dívida de longo prazo. Anabela Freitas (PS) recordou que o passivo da Câmara a 31 de dezembro de 2013, pouco tempo depois de tomar posse, era de 36,7 milhões de euros e que, a 31 de agosto de 2017, estava cifrada em 24,3 milhões.

Disse que os fundos comunitários só chegaram às câmaras em 2017 e, com excepção do projecto de requalificação de Palhavã, todos os restantes estão alavancados a fundos comunitários. A atual presidente de câmara e candidato do PS provocou a reacção do público quando referiu que este executivo fez uma obra de 850 mil euros que criou cerca de 310 postos de trabalho em Tomar: a IBM, empreitada lançada em dezembro de 2013.

Já o candidato do PSD, José Delgado, considera que não houve receitas de capital, ou seja, que este executivo “falhou redondamente no investimento”. O candidato do PSD refere que a Ponte do Carril não pode ser a obra bandeira de uma governação de 4 anos. “Por isso é que se foram 2 mil pessoas embora e está a pagar aos fornecedores de Tomar a mais de 300 dias”, disse, dirigindo-se à candidata do PS e atual presidente de câmara.

Já o candidato do CDS-PP, Nuno Ribeiro disse que sobre esta matéria que a primeira coisa que a sua equipa fará é uma auditoria financeira a 8 anos. “É importante que se saiba exactamente a situação da câmara. 24 milhões de passivo para um câmara desta dimensão é muito dinheiro”, refere.

Américo Costa, do PTP, considera que uma câmara até se pode endividar mas tem que saber investir e que os políticos têm que ser responsabilizados pelo que fazem. “Sabem gerir as suas casas mas na câmara municipal são um zero autêntico”, atesta.

Debate resultou de uma parceria entre o mediotejo.net e a Rádio Cidade de Tomar Foto: mediotejo.net

Os candidatos abordaram ainda as suas preocupações com a questão do ambiente/saneamento básico. Para Bruno Graça, candidato da CDU, o saneamento básico, com uma taxa de cerca de 58%, é uma das nódoas negras no concelho de Tomar. “Ao longo de 16 anos nada foi feito e agora pegou-se em projectos na gaveta, aprovado em 2005, e avançou-se com uma candidatura da ordem dos 2 milhões de euros sendo que assim se vai conseguir saneamento em vários locais”, disse, considerando que vais ser um avanço significativo nesta matéria.

Anabela Freitas, candidata do PS, refere que existem projectos para a cobertura total do saneamento do concelho mas que têm que ser revistos, estando a trabalhar com a EPAL na reformulação dos mesmos. Para conseguir uma taxa de saneamento de 82% a candidata prevê um investimento de  5 milhões de euros e que, sem fundos comunitários, não é possível fazer estas obras apenas num mandato. Quanto a projectos do PS, a candidata apontou a ideia de investir fortemente na partilha e aluguer de bicicletas, colocar um ponto de carregamento de veículos eléctricos e remodelar a rede de transportes urbanos, não esquecendo a requalificação do rio Nabão.

José Delgado, candidato do PSD, refere que falta fazer muito no que concerne ao saneamento básico sendo que terá que ser feito um estudo que cubra o concelho, sendo que estas soluções levarão mais do que um mandato. Em relação ao ambiente, José Delgado considera que o Rio Nabão é “estruturante” para a cidade, sendo necessário identificar os seus focos de poluição e ser pro-ativos na resolução dos problemas.

Nuno Ribeiro, candidato do CDS-PP considera que a situação atual “é dramática” existindo esgotos a correr a céu aberto e disse não compreender como é que Tomar, ao contrário de outros concelhos deste território, nos últimos 40 anos não aproveitou os fundos comunitários para cuidar do seu ambiente. “Existem freguesias com pouco mais de 5 por cento de saneamento. É uma questão dramática porque é uma questão de saúde pública. Temos que agir rapidamente”, sublinhou.

Américo Costa, candidato do PTP, disse sobre este assunto que “é uma tristeza que o saneamento não chegue a todo o lado” lembrando que “todas as condutas são em amianto e, por isso, temos filamentos de amianto nas nossas águas o que é muito perigoso”. Sobre a poluição do Rio Nabão, considera que a ETAR da Sabacheira, infra-estrutura de Ourém construída no concelho de Tomar, é a principal responsável pela poluição do rio dado que não tem capacidade de tratamento. Se for eleito, promete lutar para que esta ETAR seja desativada.

O candidato do Bloco de Esquerda, Luís Santos, refere que, neste momento, é imprescindível tratar do saneamento sendo este um objectivo primordial do Bloco. “Não se admite que haja 40% das pessoas não tenha saneamento disse”. Propõe ainda a implementação de ciclovias, de transportes urbanos amigos do ambiente, reforçar o corpo técnico de higiene e limpeza e criar uma rede de rega a partir do Rio Nabão.

Debate juntou muito público no auditório da Biblioteca Municipal Foto: mediotejo.net

Sobre os motivos pelos quais os cidadãos devem votar na suas candidaturas, cada um dos cabeça de lista fez um apelo direto ao voto, a última questão colocada no debate. O primeiro a intervir foi o candidato do CDS-PP, Nuno Ribeiro, referindo que a sua candidatura representa a mudança que Tomar precisa. “Tomar precisa de quem pensa no futuro e por isso criámos o movimento de cidadãos Pensar Tomar. Precisamos de pessoas novas, de esperança e de quem venha a resolver os problemas. Temos um projecto a 8 anos. Precisamos de museus, de reabilitação urbana, de mais valências no hospital e de um rio Nabão limpo”, disse, entre outras.

Já para Américo Costa, o voto no PTP é um voto “útil” para evitar uma maioria absoluta do PS ou PSD na autarquia. “Acho que sou o único que tem atitude, coragem, crácter, voluntariado e honestidade”, disse, acrescentando que é o melhor no campo sócio-ambiental. O candidato do Bloco de Esquerda, Luís Santos, refere que as forças devem ser concentradas na defesa dos postos de trabalho e empresas locais, na melhoria das acessibilidades aos monumentos e que se deve falar numa perspectiva positiva para o futuro. “Nós somos a mudança, votem no Bloco”, disse.

Bruno Graça, candidato da CDU, referiu que os últimos quatro anos mostraram bem a importância da presença da CDU no executivo, sendo decisiva em muitas áreas. Disse ainda que o tema da descentralização de competências, com a qual a CDU não concorda, é de bastante importância. “Votar na CDU em Tomar é dar força a esta voz barrar  um documento que vai trazer maiores dificuldades aos municípios. Provamos que merecemos o voto que ganhamos em 2013 e merecemos duplicar essa votação”, disse.

Anabela Freitas, candidata do PS, refere que o voto deve ser na sua candidatura porque vão passar à fase da execução nas áreas  da requalificação e regeneração urbana, na questão da mobilidade, no trabalho com as freguesias no âmbito dos acordos de execução e contratos inter-administrativos e continuar a projectar Tomar fora do país. “Temos que terminar os projectos iniciados em 2013. O que os tomarenses vão decidir é o vou pensar ou o vou executar”, apelou.

José Delgado, candidato do PSD refere que a sua equipa vai trabalhar desde a primeira hora para voltar a dar dimensão a Tomar. “Vamos trazer os melhores, criar emprego, fazer crescer a população, fixar os jovens, pensar a criação de pequenas e médias empresas, apoiar as empresas existentes, criar mais justiça social”, disse, entre outros objectivos. “Votar PSD é votar Tomar”, apelou.

Elsa Ribeiro Gonçalves

Aos 12 anos já queria ser jornalista e todo o seu percurso académico foi percorrido com esse objetivo no horizonte. Licenciada em Jornalismo, exerce desde 2005, sempre no jornalismo de proximidade. Mãe de uma menina, assume que tem nas viagens a sua grande paixão. Gosta de aventura e de superar um bom desafio. Em maio de 2018, lançou o seu primeiro livro de ficção intitulado "Singularidades de uma mulher de 40", que marca a sua estreia na escrita literária, sob a chancela da Origami Livros.

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