A ausência do candidato do PSD e atual Presidente da Câmara da Sertã, José Farinha Nunes, marcou o debate realizado no dia 22, na capela do hotel do Convento, entre os candidatos às eleições autárquicas naquele concelho.

Apesar de todas as diligências realizadas pela equipa do jornal digital mediotejo.net, que promoveu o debate, o candidato Farinha Nunes declinou o convite. Por coincidência, na mesma noite, decorria o jantar de apresentação de candidatos do PSD na Quinta de Santa Teresinha.

Mesmo assim, o debate realizou-se com a participação dos candidatos Maria João Mota Torres (CDS-PP), José Luís Jacinto (PS) e Ema Gomes (CDU) e com moderação dos jornalistas Mário Rui Fonseca e Elsa Ribeiro Gonçalves.

A candidata do CDS-PP é Maria João Mota Torres, 50 anos, professora de biologia no Agrupamento de Escolas da Sertã, a cujo Conselho Geral preside. Foi deputada municipal nos mandatos autárquicos de 2005 a 2013, sendo militante do CDS-PP desde 2001. Diz que aceitou o convite do seu partido por considerar que, “neste momento, o concelho precisa do CDS na Câmara Municipal”. Terceiro partido mais votado no concelho em 2013, quando obteve 4,1% dos votos, o CDS-PP não elege um vereador desde 1989, último mandato em que teve um representante no executivo municipal.

A candidata do CDS-PP (Foto: mediotejo.net)

O candidato do Partido Socialista é José Luís de Moura Jacinto, 54 anos. Formado em Direito e professor Universitário, foi colaborador direto de Cavaco Silva quando este foi primeiro-ministro e Presidente da República, e presidente da Assembleia Municipal da Sertã entre 2009 e 2013. No atual mandato, José Luís Jacinto é deputado deste mesmo órgão e foi sempre eleito nas listas do PSD como independente. Candidata-se, como independente pelo PS, uma vez que foi desafiado por muitos sertaginenses preocupados com a situação do concelho e por considerar que a sua terra “merece muito melhor e que seja agora”.

O candidato do PS (Foto: mediotejo.net)

A candidata da Coligação Democrática Unitária (CDU) é Ema Gomes, 24 anos. Reside na vila de Cernache do Bonjardim, onde exerce a profissão de bombeira, foi coordenadora do Núcleo de Proteção Civil da Escola Superior Agrária de Castelo Branco (2012 a 2013), candidata a deputada à Assembleia da República, pelo círculo de Castelo Branco nas eleições legislativas de 2015, e é membro do Conselho Nacional do Partido Ecologista Os Verdes. Diz que se apresenta com um projeto de honestidade, trabalho e competência, profundamente ligado aos interesses dos trabalhadores, do ambiente, e das pessoas do concelho da Sertã. Esta é a segunda vez que se candidata à Presidência da Câmara da Sertã.

A candidata da CDU (Foto: mediotejo.net)

Os três candidatos lamentaram a ausência do candidato José Farinha Nunes (PSD) uma vez que, se estivesse presente, poderia ser confrontado com as críticas e as questões apresentadas pelos seus adversários políticos, tendo oportunidade de esclarecer os eleitores acerca das suas prioridades, obras e projetos.

Num concelho fortemente fustigado pelos incêndios no último verão e em que 75 por cento do território é ocupado por floresta, era inevitável a abordagem do tema relacionando-se com a questão do ordenamento do território.

Neste ponto José Luís Jacinto (PS) realça a importância económica da floresta e critica quem desvaloriza a importância da floresta como mais-valia do concelho. É de opinião que os incêndios deste ano provocaram uma mudança de mentalidades. “As pessoas sentem mais insegurança”, afirma o candidato. Para enfrentar o problema propõe um programa para potenciar a floresta envolvendo todos os protagonistas a pensar num horizonte de uma década e não com medidas avulsas.

Em relação ao mesmo assunto, Maria João Torres (CDS-PP) depois de relatar a sua experiência pessoal perante as chamas confessa que sentiu medo. A candidata centrista defende que se deve cuidar da floresta no inverno e que as estradas têm estar preparadas para o combate aos incêndios no verão, não depois dos incêndios, numa crítica implícita à Câmara.

O candidato do PSD declinou o convite para participar no debate (Foto: mediotejo.net)

Como bombeira que é, Ema Gomes (CDU) tem um conhecimento muito próximo sobre a realidade da floresta e dos bombeiros. Defende o ordenamento da floresta com as necessárias faixas de proteção e um reforço de meios para o combate aos incêndios.

Em relação à situação financeira do Município, os três candidatos questionaram as prioridades do atual Executivo PSD bem como alguns investimentos de milhões em ano de eleições. Ema Gomes (CDU) defende a implementação do orçamento participativo. “Quando lá chegarmos faremos as contas como deve ser”, anuncia José Luís Jacinto (PS).

Mais promoção turística procurando captar públicos de fora e novas empresas foi uma proposta transversal aos três candidatos.

A candidata da CDU complementa com a valorização do associativismo e das coletividades, enquanto a candidata centrista propõe-se valorizar as tradições, os saberes e sabores de outrora sempre numa perspetiva de captação de públicos de fora. Já o candidato socialista destaca a frente ribeirinha e as potencialidades “maravilhosas” que apresentam as margens da albufeira do Castelo do Bode e outros cursos de água. “Sertã precisa de pelo menos quatro grandes eventos ao longo do ano”, defende, lamentando com ironia que o concelho seja apenas conhecido pelo maranho e pelos incêndios.

O debate durou cerca de duas horas (Foto: mediotejo.net)

Uma preocupação transversal aos três candidatos foi a situação do Instituto Vaz Serra, uma instituição de ensino privada que funciona com cerca de 400 alunos em Cernache do Bonjardim.

Outro problema que preocupa os candidatos é a crescente desertificação do concelho, questão que afeta com maior ou menor acuidade todos os concelhos do interior mas que é mais grave em Municípios como a Sertã. A falta de emprego, o fecho de algumas empresas e os deficientes serviços de saúde foram alguns dos aspetos focados pelos candidatos como fatores que contribuem para a desertificação.

Já na reta final do debate, os três candidatos tiveram oportunidade de expor as últimas propostas e fazer um apelo ao voto.

Maria João Torres (CDS-PP) promete que vai “fazer diferente” como o prova a ação do seu partido na gestão autárquica noutros concelhos.

Prioridade para Ema Gomes (CDU) é a requalificação na EN 238 e uma nova dinâmica de que o concelho precisa. “Trabalho, transparência, honestidade e competência” foram os motes da sua mensagem final.

José Luís Jacinto (PS) assegura que tem a melhor equipa, o melhor projeto, as melhoras ideias para mudar o concelho. Na sua opinião, o que está em causa nestas eleições é manter tudo como está ou mudar, manter o ciclo de passividade ou aceitar o desafio de uma nova geração.

José Gaio

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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