Dos 13 debates promovidos pelo jornal digital mediotejo.net, alguns dos quais em parceria com rádios locais, o debate realizado no dia 27 no cine-teatro de Constância foi dos mais participados e com maior vivacidade e acutilância por parte dos quatro candidatos.
Mais de 150 pessoas assistiram ao vivo ao debate, organizado em parceria com a Antena Livre, e que colocou frente a frente João Carlos Baião (MIC – Independentes por Constância), Júlia Amorim (CDU), Marco Gomes (Coligação CDS-PSD) e Sérgio Oliveira (PS).
Foram mais de três horas de aceso confronto de ideias e onde a gestão da candidata e atual Presidente da Câmara, foi violentamente criticada sobretudo pelas candidaturas do PS e CDS-PSD, ao ponto de Júlia Amorim afirmar sentir-se quase como “o bombo da festa”. Nem o candidato independente (ex-CDU) deixou de tecer críticas à gestão camarária.
Pode dizer-se que o único assunto em que todos os candidatos estiveram de acordo foi em relação à premente necessidade de construção de uma nova ponte sobre o rio Tejo.
O debate aconteceu no dia em que o mediotejo.net completava dois anos de vida e isso não passou despercebido aos candidatos que deram os parabéns e elogiaram a iniciativa do debate.

Depois de enaltecer a grande participação pública no debate e na campanha como “o exercício da cidadania”, Júlia Amorim (CDU), atual Presidente da Câmara, fala da sua candidatura como “natural” por ter sido convidada pela CDU e por se ter predisposto a aceitar esse desafio e a continuar o trabalho realizado no mandato que está a terminar. Argumenta com a experiência de vida, o seu perfil como pessoa e como autarca, com as melhores características para ocupar o cargo de Presidente da Câmara.
Caracteriza o ciclo autárquico que agora termina de certa forma como “atípico”, com inúmeras dificuldades (“estivemos quase dois anos parados”), com os atrasos nos fundos comunitários e outros problemas. Com base na sua experiência de vida e política, Júlia Amorim apresenta-se como rosto “de uma grande equipa, de uma candidatura de continuidade”. “Não arrisquem a dar um salto no escuro, a passar um cheque em branco, a pessoas que não estão por dentro do funcionamento das autarquias”, apela a candidata tentando desmistificar a imagem que os opositores pretendem transmitir da CDU.

Apela ainda à memória do povo e alerta para o que aconteceu nestes “dois meses de show-off” para dizer que acredita merecer a confianças dos cidadãos. “Tenho a melhor preparação, domino os dossiers, tenho capacidade de trabalho, de resiliência, tenho experiência de vida profissional, autárquica e de contacto com a população”, argumenta.
Na hora de justificar a sua candidatura e as razões para os eleitores votarem em si, Sérgio Oliveira (PS) aponta o dever de cidadania, o dever cívico “de encabeçar um projeto alternativo ao da CDU, com novas ideias, novos projetos e nova forma de exercício do cargo”. Para tal garante que recebeu “apelos de largos setores da sociedade civil de Constância, socialistas e não socialistas” que reconheceram em si competência para o desempenho do cargo. Assume a sua candidatura “pela positiva”, sempre colocando os interesses do concelho acima de tudo.
Sérgio Oliveira (PS) defende-se das acusações de Júlia Amorim, a quem acusou de ter “um discurso salazarento”, desmontando a ideia de que “depois de mim vem o dilúvio”. O candidato socialista realça a “campanha limpa, sem ressentimentos, baseada no projeto político, realista, sem falsas promessas, baseado no conhecimento do terreno e da auscultação das populações”. Garante que, se for eleito, será “um Presidente próximo dos cidadãos” que andará “na rua, a acompanhar as obras”. “Serei presidente de todos, sem discriminar ninguém em função das opções partidárias”, acrescenta em contraponto com uma Presidente “que intimida, que ameaça, que discrimina e que não sabe trabalhar em equipa”.

Marco Gomes (Coligação CDS-PSD) apresenta a sua candidatura como uma mais valia para o concelho, pela sua experiência. Pretende trabalhar com vista a uma melhor qualidade de vidas das populações, cuidar do ambiente e das pessoas, potenciar a riqueza do concelho, por exemplo, a nível do turismo. Na sua opinião devem ser mais bem aproveitados os fundos comunitários e para isso propõe a apresentação de candidaturas mais abrangentes a nível territorial e para apoio ao empreendedorismo e aos empresários. Mostra-se preocupado com a sustentabilidade financeira, ambiental e social numa uma visão de longo prazo. Conclui dizendo: “que votem em consciência e que escolham o melhor projeto para o concelho, seja de que força política for”.
João Carlos Baião (MIC) recorda que está há 20 anos na vida política fazendo um trabalho em prol das populações. Foi presidente de junta durante os três últimos mandatos Sentindo que devia haver uma mudança, e estando impedido de se voltar a candidatar à Junta de Freguesia, decidiu avançar como candidato à Câmara como independente porque “não tinha de pôr as malas na prateleira”. Colocar de novo Constância no mapa é um dos seus objetivos.

O candidato sublinha o caráter inédito e histórico do MIC – Independentes por Constância que concorre a todos os órgãos autárquicos, o que é inédito no concelho. Justifica a ideia de criar um movimento de independentes, com as melhores ideias e as melhores propostas para um novo rumo para Constância. Nega que seja sua intenção coligar-se com outras forças políticas depois das eleições. “Vote no MIC, vai ver que não se vai arrepender. Não queiram mais do mesmo”, apela.
Ao longo do debate falou-se da situação financeira da Autarquia, considerada equilibrada pela candidata da CDU, de emprego, turismo, educação, poluição, aproveitamento das margens dos rios Tejo e Zêzere, saneamento básico e saúde, entre outros temas.
Se na maior parte dos temas a clivagem entre os candidatos foi bem evidente, consensual entre os quatro é a necessidade urgente de uma nova travessia sobre o rio Tejo, sendo certo que para uns “é uma miragem”, para outros só depois de 2020 esse sonho poderá ser concretizado.
