Um concelho que “trate as freguesias por igual e sem cidadãos de primeira e cidadãos de segunda”, uma “voz mais plural e democrática na condução dos trabalhos da Assembleia Municipal” de Abrantes e “afirmar o território, hoje esgotado e sem ideias, mas bafejado pelos deuses”, em termos de condições naturais e potencial de investimento, foram algumas das ideias defendidas hoje por Rui Mesquita, cabeça de lista do do PSD à Assembleia Municipal nas eleições autárquicas deste ano e que se junta a António Castelbranco, o candidato do PSD à Câmara Municipal.
Rui Mesquita da Silva, 56 anos, natural do Porto mas que passou toda a sua vida em Abrantes, empresário no ramo farmacêutico, concorre como independente nas listas do PSD, sendo secundado à Assembleia Municipal por João Salvador Fernandes e Fernanda Aparício, ao passo que António Castelbranco terá Rui Santos e Renata Nader como números dois e três, segundo anunciado este sábado na sede do partido, onde marcaram presença cerca de 30 militantes.
“Absolutamente independente”, afirmou, tendo feito notar que se “identifica com um partido que dá oportunidades aos independentes de terem a sua voz. Tem-me sido dada toda a liberdade para ter as minhas ideias, respeitando o tronco comum e a base primária das linhas da campanha”, disse, num discurso muito crítico e até mordaz ao atual executivo camarário e municipal, liderados por Maria do Céu Albuquerque (PS) e António Mor, respetivamente.
Além de ter criticado a “subida do investimento” da autarquia “nas festas” deste ano – “cinco vezes superior ao ano passado” -, Rui Mesquita disse que, no âmbito dos investimentos previstos para Abrantes, “são 12 milhões e 720 mil euros. Mas são 12 milhões para a cidade e 720 mil euros para as freguesias o que nos parece um absurdo porque Abrantes são as pessoas e o concelho é um todo”.
O candidato falou ainda da importância das geminações, de uma cidade deserta, da falta de empregos e de oportunidades para os jovens, da ausência de propostas para as empresas se estabelecerem no concelho e de falta de ideias para o turismo, tendo anunciado a instauração de três concursos, caso o PSD vença as eleições: O prémio poesia e pintura Mário Rui Cordeiro, o prémio arquitetura e construção Moniz da Maia Varela, e o prémio jornalismo Mário Semedo.

Na Assembleia Municipal de Abrantes, onde disse ter estado na última sessão, em fevereiro, Rui mesquita afirmou existir “uma falta de democracia muito grande”, tendo referido que a presidente “não pode estar a falar uma hora e meia, para fazer com que os temas importantes da Assembleia sejam debatidos às três da manhã” e “sem existir um horário estabelecido para todos os intervenientes, de forma equilibrada”, situação que prometeu implementar, tendo acrescentado que, caso vença as eleições, terminará com 4 situações que disse verificarem-se e que imputou à atual maioria:
“Não haverá mais comentários depreciativos sobre as intervenções dos cidadãos, desrespeito comum nos dias de hoje, não haverá mais comentários depreciativos sobre as profissões dos membros eleitos da Assembleia Municipal, como aconteceu em fevereiro de 2017, não haverá mais manobras dilatórias para cansar os membros eleitos da Assembleia Municipal e assim obstar em temas em apreço, não haverá o desrespeito pelos tempos regimentais pelo presidente da Câmara e irei estar muito atento à ordem de trabalhos, porque os temas fundamentais e importantes são para ser no começo e não no final quando estão todos cansados de ouvir os intervenientes”.
Rui Santos, o presidente da Comissão Politica Concelhia do PSD, afirmou que caso “as eleições fossem na próxima semana”, a candidatura social democrata “estaria, neste momento, em condições de ir a eleições”, tendo destacado que as equipas candidatas “serão um misto do reforço do partido, com surpresas mas também com independentes que sigam as linhas orientadoras quer da candidatura, quer da própria comissão política do partido e que compartilham da nossa ideia de tornar Abrantes viva”.

