Foto: D.R.

A concelhia do PSD de Torres Novas emitiu um comunicado em que dá a conhecer o processo que levou ao fim da anunciada coligação com o CDS-PP. Segundo aquele partido, o desequilíbrio em termos de representatividade nas listas, a favor do PSD, esteve na origem dos desentendimentos nas negociações.

O texto começa por explicar que “desde que fomos eleitos enquanto Comissão Política do PSD de Torres Novas a 25 de Janeiro de 2014, fruto inclusive das relações pessoais e profissionais que muitos de nós temos, fomos mantendo conversas informais tendo em vista uma possível coligação entre os dois partidos para as eleições autárquicas de 2017”. Neste sentido, depois da reeleição de 2016, decidiu-se iniciar conversações para uma coligação com o CDS-PP.

“Após a primeira reunião entre delegações dos dois partidos, foi redigido pelo PSD de Torres Novas um princípio de acordo, posteriormente enviado à Comissão Politica do CDS-PP, a qual propôs as alterações que entendeu por convenientes aos seus interesses, tendo as mesmas sido por aceites pelo PSD de Torres Novas e novamente ratificadas pelo CDS PP após receção do documento a 6 de Dezembro de 2016”, continua.

Nas reuniões seguintes debateram-se os lugares que caberiam a cada um dos partidos. “Tendo por base o acordo outorgado entre o PSD e o CDS PP a nível nacional, que estipula as percentagens que cabem a cada força política (proporção de 80% e 20%, respetivamente), entendeu o PSD de Torres Novas em prol do sucesso da coligação, estipular a razão de 70% – 30% para preenchimento das listas à Assembleia Municipal e Câmara Municipal”, explica

“Esta proporção era assim superior à definida pelos partidos a nível nacional. Cumpre ainda salientar neste concreto facto, que esta proporção é muito superior àquela que resultaria de uma simples análise e cálculo aritmético tendo em atenção os resultados das eleições anteriores”, salienta o comunicado.

A comissão política do PSD frisa que entendeu que o mais importante era o projeto político e as pessoas que o iriam representar. “Tais solicitações nunca foram prioridade para o CDS-PP, que pretendeu sempre a discussão de lugares em detrimento da discussão de projetos e de pessoas para incorporar uma alternativa viável e necessária para o concelho”, destaca

Apesar das divergências, o PSD salienta que se acreditou na “boa fé” dos representantes do CDS-PP e se avançou com a votação da coligação em plenário. Alguns elementos da estrutura social democrata discordavam inclusive deste acordo, recorda o texto.

“Mantivemos a nossa palavra quanto ao acordado com os dirigentes do CDS- PP e afirmámos que havia sido esse o compromisso assumido por nós, e que não faltaríamos à palavra dada e ao compromisso assumido, conseguindo a legitimação formal do plenário de militantes para fechar o acordo anteriormente desenhado, o que efetivamente aconteceu no passado dia 10 de Fevereiro do corrente ano”, lembra.

Porém durante o mês de fevereiro o PSD terá sido abordado por elementos do CDS “manifestando que não estavam em condições de defender os termos anteriormente acordados nos moldes definidos, pois os seus militantes entendiam não ser o mais favorável para o partido a que pertenciam, exigindo mais representatividade para o CDS-PP (um partido que, repetimos, apenas por 2 vezes elegeu um representante na Assembleia Municipal…)”.

Ainda se procurou negociar alternativas, salienta a concelhia, mas a esperada coligação acabaria por dissolver-se. “Face a este cenário, foi formalmente extinta a possibilidade de uma coligação pré-eleitoral com o CDS-PP em Torres Novas, após manifestação por parte deste partido de protagonizar um projeto seu para o concelho de Torres Novas, com a sua visão e com os seus militantes e simpatizantes”.

O PSD termina a enviar “votos de sucesso” ao CDS, sublinhando que nestas eleições não estará “contra ninguém, nem contra o CDS-PP nem contra nenhuma outra força política”.

Cláudia Gameiro

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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