Foto: mediotejo.net

A apresentação oficial do candidato do PSD à Câmara Municipal de Abrantes decorreu na manhã deste sábado, pelas 11h00, na sede do partido. António Castelbranco trouxe uma nova dinâmica comparativamente a habituais conferências levadas a cabo naquela sede, e apresentou os traços gerais do projeto do PSD abrantino com uma apresentação projetada, fazendo uma retrospetiva entre passado e presente, e refletindo sobre o futuro. O lema passa por “Pensar Global Agir Local”, procurando nesta campanha uma “Abrantes Viva”, capaz de atrair investimentos, revitalizar o centro histórico, e fixar a população jovem dando sinais de esperança e garantindo sustentabilidade dos recursos.

António Castelbranco, de 53 anos, arquiteto de profissão, já havia sido confirmado ao mediotejo.net enquanto candidato à CM Abrantes. Nesta sua apresentação à comunicação social, referiu aquilo que o motiva a entrar na corrida pela liderança da autarquia abrantina. Para o arquiteto, a cidade/concelho encontra-se a definhar há muitos anos, e este é o mote para o alcançar de um objetivo: ganhar as próximas eleições autárquicas.

“No passado esta terra foi uma terra extraordinária (…) cheia de vida. Esteve na vanguarda dos Descobrimentos, na vanguarda da globalização”, relembrou, mencionando a figura da história local, Francisco de Almeida, chamado para ser Vice-Rei da Índia.

No presente, o candidato fez notar a “fortíssima perda de população”, referindo a existência de cerca de 60 mil habitantes em Abrantes em 1960, para 8,5/9 milhões de habitantes de população portuguesa, fazendo o paralelismo com a situação atual do país. “Hoje, Portugal cresceu para 10,5 milhões, mas Abrantes desceu para menos de 40 mil, registando 39 mil habitantes nesta altura, perdendo cerca de 20 mil habitantes”.

Castelbranco expressou a importância da camada jovem em Abrantes, considerando que é investimento “que se vai embora”, desperdício de investimento em educação, pagamento de impostos, uma vez que os “jovens só voltarão se tiverem oportunidades e apoio, e esperança”.

O candidato, que reconhece em Abrantes um concelho envelhecido, registou ainda que “as ideias e projetos que se têm inventado nestes últimos 40 anos não têm conseguido manter a população, e muito menos têm trazido população para Abrantes”.

No seu ponto de vista, têm sido cometidos “erros graves de investimento e de visão”, que têm sido apontados pelo PSD, bem como o próprio candidato. Entre eles, recordou a torre de 10 andares que se pretendia construir para instalar o MIAA. “Uma aberração total que ia contra as próprias regras impostas pelo Plano Diretor Municipal (…) apenas porque estamos no poder não podemos mudar as regras”, disse, congratulando-se pelo facto de o PSD ter impedido a sua construção.

No presente, novos erros, “continuam, parecem não ouvir, nem perceber”, caso da demolição do edifício do antigo mercado municipal, apelidado de Mercado Criativo, tendo o candidato do PSD mencionado uma petição lançada para impedir que se deite o edifício abaixo. Castelbranco apelidou o atual Mercado Diário de “caixote”, referindo com veemência que está “sempre vazio”, acrescentando ter pena dos comerciantes lá instalados.

“Triste ver pessoas a ir para um sítio onde não se vende nada todo o dia, onde não aparece ninguém todo o dia”. Vontade de trazer de volta o “mercado velho” para Abrantes, algo que o candidato acredita ser vontade dos próprios vendedores, que não querem estar no atual Mercado diário e se queixam da falta de condições, disse, tendo referido a “instalação de start-ups, empresas de jovens, funcionando com política de incentivos, à luz do que foi feito nos mercados de Algés e de Campo de Ourique”.

Também constante na apresentação PowerPoint do candidato se encontravam imagens da antiga piscina municipal, junto ao hotel, salientado-se a sua degradação visível em duas fotos em comparação. “Uma venda de um terreno que não se percebe bem os contornos, o facto é que perdemos a piscina”, frisando que “terá o mesmo destino que o mercado municipal, prevendo-se a sua destruição”.

Também a proposta de remoção do parque radical das imediações do Castelo de Abrantes mereceu destaque no rol de erros do atual executivo, apontados por António Castelbranco. “A última proposta, da semana passada, é destruir o espaço de desporto e de encontro, por baixo do castelo (…) onde dezenas de pessoas vão todos os dias fazer a sua caminhada naquele espaço. Não estou a dizer que se enquadre particularmente bem, mas as pessoas usam. Não é prioridade deitar aquilo abaixo. Com certeza que há coisas muito mais importantes a fazer (…)”

Outros equipamentos considerados desajustados pelo candidato são ainda a Estação de Canoagem de Alvega (referiu ter visitado o equipamento e este estar vazio, ao abandono, fechado) e a Pousada da Juventude (criticou a sua localização descentralizada do núcleo da cidade). O Parque de Campismo e Centro Náutico, na margem sul do Aquapolis, em Rossio ao Sul do Tejo foram também alvo de duras críticas pelo “mau funcionamento e má estrutura” dessas construções.

Quanto às questões ambientais, o candidato refere-se em primeiro lugar ao rio Tejo, como uma das suas preocupações. “A questão ambiental é-me muito cara. Estou particularmente preocupado com a situação ambiental no nosso concelho (…)”, altura em que mencionou o facto de ETARs do concelho despejarem resíduos para o Tejo, referindo-se em específico à da freguesia do Pego. “Abrantes também é responsável pela poluição do Tejo. As nossas ETARs não funcionam adequadamente, e portanto, nós em Abrantes também temos culpa do que se está a passar no rio Tejo (…) e é por isso que Abrantes não tem tomado uma posição mais forte na defesa do Tejo, que era um rio cheio de vida e que agora é um rio cheio de espuma venenosa”.

As questões relativas à (in)segurança também foram apontadas como preocupações do candidato. O próprio relembrou a sua intervenção em assembleia municipal, após um conjunto de furtos e atos de vandalismo levados a cabo no centro histórico da cidade algures entre novembro e dezembro de 2016.

“O resultado disto é o afastamento de quem quer investir, de quem quer viver e de quem quer visitar Abrantes”, declarou, expressando entender que a atitude da presidente da CM Abrantes nesta altura “é de pôr a cabeça na areia, de chamar a atenção para as estatísticas e dizer que está tudo bem. Não está”, concluiu.

Quanto às forças de segurança, particularmente a PSP, o candidato disse ter conhecimento de alguma dificuldade do ponto de vista dos equipamentos, nomeadamente a escassez de viaturas para patrulhamento, acrescentando reconhecer a dificuldade da polícia em assegurar todo o perímetro urbano da cidade que é “bastante alargado”.

Foto: mediotejo.net
Equipa em construção. Programa e medidas concretas ainda não foram apresentados

Segundo a CPC do PSD, a equipa continua a ser construída, e tem por base a sustentabilidade. António Castelbranco terminou a sua apresentação dizendo ser importante a noção de um “mundo aberto às ideias e às oportunidades, não podemos fechar-nos em nós mesmos, temos de saber abrir as portas e ir buscar as oportunidades onde elas estão”.

Questionado pela comunicação social sobre medidas concretas para resolver este conjunto de “erros” apontados ao atual executivo municipal socialista, o candidato referiu que para já o pretendido é “assegurar a veracidade das nossas posições e assegurar que nós cumprimos para que os outros também cumpram” o estipulado por lei no que toca à poluição do rio e da manutenção e regularização do funcionamento das ETARs.

Quanto à cidade e ao concelho, António Castelbranco reconhece a falta de emprego como causa da falta de investidores, mencionando ter estado presente em todas as reuniões de câmara e não ter tido conhecimento de nenhum proposta de investimento.

Aqui, acusou o executivo socialista de falta de transparência e vontade de se trazer investidores para o concelho. “Claramente que há problemas de transparência, e eu tenho ouvido de investidores vários essa queixa (…) a câmara gosta de apresentar um potencial investidor mas depois acaba sempre tudo por ir por água abaixo”, dando como exemplo a RPP Solar. “Se calhar aquele não era o investidor correto para termos em Abrantes. O historial que havia daquele investidor era um historial que em nada abonava para termos a confiança que nele depositámos (…) Dá-se apoio a alguns que não valem a pena, e a outros que valem a pena não se lhes dá o apoio”, notou.

PS está cansado: falta de imaginação e visão, diz candidato social-democrata

“Qualquer projeto tem um princípio, um meio e um fim. (…) Estamos com executivos socialistas nesta câmara há quarenta anos (…) É normal e natural que se esgote. É por isso que a democracia existe, para dar oportunidades a novas ideias, a novas visões”, justificou perante a comunicação social. O candidato António Castelbranco nota “falta de imaginação” e “falta de visão”, frisando que nos últimos 40 anos a receita foi semelhante a outros municípios como Torres Novas e Castelo Branco, tendo sido feitos “investimentos McDonald’s” com o lema “ideias iguais para todos”, algo com o qual mostrou discordar.

Confrontado com a questão, Castelbranco defendeu ainda o retirar das portagens na A23, considerando ser importante para o crescimento da cidade/concelho.

Quanto às freguesias do município, mais propriamente do espaço rural, o candidato refere que a população está envelhecida e os filhos e netos abandonaram a terra, reconhecendo que existe um número considerável de jovens que gostava de sair da cidade para se instalar no meio rural. “Nós temos de inventar maneiras de os aliciar a vir viver para cá, isso passaria pelos tais incentivos para trazer para cá pessoas, jovens particularmente, porque de facto nem todos têm que viver e querem viver na cidade”, passando também por criar incentivos e condições para novos investimentos.

Foto: mediotejo.net

Rui Santos, presidente da CPC do PSD em Abrantes, esclareceu que o processo de busca pelo candidato teve início em março de 2016, “uma escolha com debate bastante amplo, quer no seio da Comissão Política Concelhia, quer depois em plenário de militantes. Dentro dos critérios que foram definidos pela Comissão Política Nacional e pela Distrital, chegámos ao nome do arquiteto António Castelbranco”.

“Será a pessoa que irá liderar o processo autárquico do PSD em Abrantes, é a nossa aposta, é a pessoa que nós acreditamos estar mais bem preparada para liderar os destinos do concelho de Abrantes nos próximos 4 anos”, disse, acrescentando que este é “filho da terra, pessoa conhecedora quer da cidade, quer do concelho”.

O líder da concelhia social-democrata insistiu que a “aposta no concelho” é tida em conta nesta candidatura. “Entendemos que o desenvolvimento de Abrantes não é só a cidade, passa sim pelo desenvolvimento de todo o concelho”

Quanto aos nomes que integram a lista para as próximas eleições autárquicas, a Comissão pretende manter algum “suspense”, tendo sido divulgado por Rui Santos o nome de José Eduardo Marçal enquanto mandatário de campanha do PSD para estas eleições.

Quanto ao candidato à Assembleia Municipal será divulgado a meio do mês de fevereiro, prevendo-se ainda a apresentação dos candidatos às freguesias e membros da vereação a partir de dia 18.

Ainda assim, o mediotejo.net conseguiu já apurar o nome do candidato à mais populosa união de freguesias do concelho, União de Freguesias de Abrantes, Alferrarede, São João e São Vicente. Segundo fonte próxima da CPC do PSD,  António Cartaxo é quem o partido indica para concorrer a esta freguesia.

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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