Os principais candidatos do BE aos órgãos autárquicos da Sertã. Foto: mediotejo.net

Depois de duas eleições autárquicas em que o Bloco de Esquerda não concorreu no concelho da Sertã, o partido regressa este ano determinado a conquistar lugares na Câmara, Assembleia Municipal e nas Assembleias de Freguesia de Carvalhal e Pedrogão Pequeno, autarquias onde concorre.

Os candidatos foram apresentados no dia 2, na Alameda da Carvalha, perante cerca de quatro dezenas de apoiantes, entre os quais estava José Gusmão, Eurodeputado do BE.

António Manuel Coelho, candidato à Câmara Municipal, Nuno Costa, candidato à Assembleia Municipal, e André Fernandes e António Costa, candidatos às Freguesias do Carvalhal e Pedrógão Pequeno, respetivamente, são os cabeças de listas.

Para José Gusmão, o trabalho que o BE tem desenvolvido na região e o impacto que tem tido são um bom indicador para as eleições autárquicas.

“Se o Bloco já consegue deixar esta marca, se já consegue fazer a diferença, se já consegue suscitar respostas e reações, imaginemos o que poderá ser se tiver eleitos no Município e nas Freguesias”, desafia o Eurodeputado.

A apresentação decorreu na Alameda da Carvalha. Foto: mediotejo.net

Referia-se a iniciativas recentes de perguntas na Assembleia da República, comunicados e ações em defesa da floresta e do ambiente, de melhores acessibilidades e melhores serviços de saúde.

Criticando a inação do Governo, José Gusmão lembrou “a voz de inconformismo” em relação aos problemas de poluição nas ribeiras da Sertã, a questão do Raio-X avariado no Centro de Saúde e a “Declaração de Cernache” em defesa da EN238 que juntou as autarquias de Sertã e Ferreira do Zêzere, mas que depois não teve seguimento.

O Eurodeputado considerou “muito importante” a candidatura do BE aos órgãos autárquicos porque “interrompe um ciclo de eleições autárquicas sem a presença do partido” e porque “essa ausência contribuía para o afunilamento da política local do concelho entre PS e PSD”.

Na sua opinião na Sertã vive-se um “regime democrático empobrecido, numa espécie de competição de alternância, sem alternativa política, uma espécie de democracia de coroa em coroa”.

As questões do ambiente, da floresta e dos serviços são, para José Gusmão, questões centrais nas candidaturas do BE na região do Pinhal Interior.

A propósito de floresta, mais uma vez criticou o Governo pela “incúria a quem tem sido votado o nosso património natural, fundamental para o desenvolvimento do interior”, denunciando a “ausência de uma política da parte das autarquias e do governo”.

Os candidatos como Eurodeputado José Gusmão e uma apoiante. Foto: mediotejo.net

O encerramento de serviços públicos, de valências, problema “que se tem agravado no interior”, leva, na opinião do orador, “ao empobrecimento um pouco por todo o interior”.

Lamentou que a maior parte das verbas do Plano de Desenvolvimento e Resiliência, a chamada “Bazuca”, estejam direcionadas para os grandes centros, defendendo “uma estratégia para todo o país”, ao mesmo tempo que criticou o poder local “conformado com a estratégia de prioridades do governo”.

BE quer ser “lufada de ar fresco” na política local

António Coelho afirma candidatar-se à Câmara “para dizer basta de andarmos sempre na cepa torta”. Entende que “o concelho não evolui e não tem perspetivas de futuro para os jovens e para as famílias”.

O candidato de 59 anos denuncia as condições em que se encontram as estradas EN2 e EN238, “uma vergonha, bastante degradadas em geral”.

Elencou uma série de problemas que considerou “medievais” e com os quais quer acabar, desde as ervas nas rotundas e estradas em terra batida, à falta de passadeiras e de sinalização.

No seu discurso prometeu “melhorar o concelho e trazer uma lufada de ar fresco”, identificando a necessidade de criação de mais postos de trabalho “para que os jovens não tenham de sair do concelho em busca de oportunidades”. Nesta linha comprometeu-se a lutar para que o concelho tenha uma escola superior do Politécnico de Castelo Branco.

António Coelho é o cabeça de lista à Câmara da Sertã pelo BE. Foto: mediotejo.net

No campo da saúde criticou a falta de resposta dos serviços locais, ao mesmo tempo que prometeu reduzir as tarifas da água, desenvolver o turismo e a cultura e melhorar o ambiente e a qualidade de vida.

Numa vila que “merece ser cidade”, António Coelho mostra-se confiante na sua eleição e promete ser “um presidente de atos, de compromisso e de muita responsabilidade”.

“Somos capazes de fazer mais e melhor”, foi o mote da intervenção do candidato pelo BE à Assembleia Municipal. Num concelho onde tem raízes, Nuno Costa pretende “valorizar o potencial humano que existe no concelho”, “ir ao encontro das necessidades do povo” e “contribuir pra o bem-estar de todos”

A terminar, prometeu “empenho, dedicação, clareza e trabalho” para “fazer do concelho da Sertã uma referência na região Centro”.

Os candidatos às duas juntas de freguesia a que o Bloco se candidata – António Costa Antunes em Pedrógão Pequeno e André Fernandes no Carvalhal – também fizeram intervenções curtas onde expuseram o que os levou a candidatarem-se e os seus principais objetivos.

Nuno Costa encabeça a lista do BE para a Assembleia Municipal da Sertã. Foto: mediotejo.net

Nas eleições autárquicas de 2009, as últimas às quais o BE concorreu, esta força política obteve apenas 171 votos (1,62%). Mesmo assim foi a quarta força mais votada.

Em termos políticos, o concelho parece estar cada vez mais polarizado. Nas últimas eleições, o PSD reconquistou a maioria na Câmara com 58,43% (5.331 votos – cinco mandatos na Câmara), enquanto o PS obteve 3.054 votos (33,47% – 2 mandatos).

Ganhou o “bichinho” do jornalismo quando, no início dos anos 80, começou a trabalhar como compositor numa tipografia em Tomar. Caractere a caractere, manualmente ou na velha Linotype, alinhavava palavras que davam corpo a jornais e livros. Desde então e em vários projetos esteve sempre ligado ao jornalismo, paixão que lhe corre nas veias.

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