“Pensamos que é uma medida importante, um sentido de cuidado e atenção com todas as comunidades que estiveram envolvidas nesta situação de calamidade, quer do ponto de vista da tempestade Kristin, quer depois também pelas cheias no Tejo. É essencial ter a presença do Sr. Presidente da República junto das nossas comunidades, das nossas cidades, dos nossos concelhos, da nossa região. Julgamos que é sempre um fator de equilíbrio, de coesão territorial e é também, seguramente, um veículo de pressão sobre as medidas urgentes necessárias para ultrapassarmos estes momentos difíceis”, afirmou Manuel Jorge Valamatos, que também preside à Câmara de Abrantes (PS).
O Presidente da República, António José Seguro, realiza a sua primeira Presidência Aberta, na semana de 06 de abril, nas regiões da zona Centro afetadas pelas intempéries.
A iniciativa abrange os distritos de Castelo Branco, Coimbra, Leiria e Santarém, “duramente atingidos pelas tempestades que causaram significativos danos humanos e materiais”, revelou a Presidência.

O autarca destacou que a visita permitirá transmitir diretamente ao chefe de Estado as necessidades das autarquias e das populações, bem como reforçar a importância de medidas urgentes e eficazes para a recuperação do Médio Tejo.
“Só em infraestruturas públicas, ultrapassámos os 100 milhões de euros (ME) de prejuízo no Médio Tejo e, se tiver oportunidade, gostaria de transmitir que é fundamental haver mecanismos de apoio concretos que nos ajudem a regressar à normalidade”, afirmou Manuel Jorge Valamatos, que preside a uma entidade que agrega 11 municípios do distrito de Santarém.

O presidente da CIM acrescentou ainda que importa olhar para o futuro e preparar os territórios para fenómenos extremos que se repetem com maior frequência, defendendo investimento na resiliência das infraestruturas públicas e privadas.
“Todos já percebemos que, infelizmente, estes episódios se repetem cada vez mais e temos de estar preparados para esse impacto, apostando numa maior resiliência dos equipamentos e das infraestruturas”, declarou.
O programa oficial da visita do Presidente da República ainda não foi divulgado oficialmente, mas os autarcas de Ferreira do Zêzere, Tomar e Mação têm a indicação de que António José Seguro irá àqueles concelhos.
Os autarcas do Médio Tejo que estão na rota da visita do chefe de Estado convergem na necessidade de respostas mais céleres por parte do Governo e das entidades competentes, dois meses após a tempestade Kristin e as cheias no Tejo, apontando prejuízos em habitações, infraestruturas municipais, comunicações, floresta e rede viária, bem como a urgência de reforçar a resiliência dos territórios face a fenómenos extremos, como tempestades, cheias e incêndios.
À Lusa, o presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere, Bruno Gomes, considerou a visita do chefe de Estado “uma oportunidade” para reforçar junto do poder central as necessidades técnicas e financeiras do concelho, sublinhando os danos registados na floresta e a importância do Centro de Meios Aéreos.
“É uma oportunidade de reforçar aquilo que é o sentimento de que o Presidente da República reconhece que tem de estar no terreno e olhar para as necessidades técnicas e financeiras para normalizar Ferreira do Zêzere”, afirmou.

O autarca disse querer mostrar “in loco” a devastação causada na floresta e a necessidade de decisões “céleres, concretas e que efetivamente marquem a diferença”.
“Temos de aumentar a resiliência dos nossos territórios e há necessidade de abdicar de alguns investimentos em prol da robustez da proteção civil e das infraestruturas críticas”, afirmou.
Bruno Gomes destacou ainda a relevância do Centro de Meios Aéreos do concelho, considerando tratar-se de uma infraestrutura “muito importante” para a resposta operacional a nível nacional, sobretudo com a aproximação do verão e da época de maior risco de incêndios.
Também o presidente da Câmara de Tomar, Tiago Carrão, destacou a importância da visita de proximidade do Presidente da República a um território ainda em recuperação, apontando problemas ao nível das comunicações, reparação de habitações, rede viária e património.
“Temos aqui uma mostra dessa proximidade, dessa vontade de conhecer e de saber realmente como está este processo de recuperação”, afirmou.
“Há ainda muita reparação para fazer ao nível da habitação, dos equipamentos e das infraestruturas municipais, mas também na floresta, onde a devastação foi muito significativa”, disse, referindo-se igualmente à Mata Nacional dos Sete Montes e aos danos no património cultural.

O autarca destacou ainda que persistem dificuldades nas comunicações em algumas zonas rurais, bem como na recuperação de telhados, habitações e caminhos municipais.
Para Tiago Carrão, é igualmente essencial preparar o futuro e tornar os territórios “mais capazes, mais robustos e mais resilientes” perante fenómenos naturais que poderão repetir-se com maior frequência.
Já o presidente da Câmara de Mação, José Fernando Martins, considerou “de todo o interesse” a deslocação do Presidente da República ao concelho, afetado quer pela tempestade quer pelas cheias, defendendo maior rapidez na resposta dos apoios e na reposição das comunicações.
“É importante que o Presidente da República se venha inteirar destas situações e que possa reclamar também ele para o interior estes apoios que são devidos”, afirmou.
O autarca alertou para atrasos na reposição das comunicações e no processamento de apoios, criticando a morosidade burocrática e a falta de clareza nos mecanismos de compensação às autarquias.
“É lamentável que dois meses depois os municípios ainda não tenham grandes informações sobre os apoios que possam ser dados àquilo que foram os gastos com o socorro”, afirmou.

José Fernando Martins apontou ainda a floresta e a preparação da época de incêndios como preocupações centrais, alertando para a grande quantidade de massa combustível deixada pela tempestade e para a necessidade de desimpedir os estradões até ao final de abril.
“Temos aqui zonas em que a floresta está caída, portanto é mais massa propícia para arder”, advertiu.
A Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo integra os municípios de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Tomar, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha.
c/Lusa
