O presidente da Câmara Municipal de Gavião, no Alto Alentejo, José Pio, alertou hoje que a poluição no rio Tejo está a provocar o declínio das populações de peixes e o abandono da região por aves migratórias.
“Há, sobretudo, uma grande diminuição de peixe, que morreu ou está noutras zonas. Há também uma série de aves migratórias que começam a abandonar esta região e não regressam, pois não têm peixe para caçar”, descreveu hoje o autarca de Gavião, no distrito de Portalegre, em declarações à agência Lusa.
Com o rio Tejo, que atravessa o concelho, a “perder qualidade”, José Pio relatou que a atividade piscatória “está a ficar naturalmente afetada”.
“Os pescadores têm dificuldades na faina e não conseguem colocar o peixe no circuito comercial, uma vez que os consumidores têm alguma renitência” em adquirir o peixe do rio”, disse.
Observando que origem da poluição no rio Tejo poderá estar relacionada com supostas descargas efetuadas por duas fábricas em Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco, o autarca indicou que o declínio das populações de peixes na zona foi também provocado pela construção de um açude em Abrantes, no distrito de Santarém.
“O açude de Abrantes impede claramente a subida do peixe, concretamente da lampreia. Hoje em dia, de Abrantes para cima, é muito difícil apanhá-la”, sublinhou.
Segundo José Pio, a situação no Tejo “tem sofrido ligeiras melhorias” graças à criação, há seis meses, de uma comissão que tem efetuado ações de fiscalização no rio, entre Vila Velha de Ródão e a barragem de Belver, em Gavião.
O município do Gavião decidiu solidarizar-se com o movimento “Protejo” e apelar à população do concelho para participar na manifestação contra a poluição no rio e seus afluentes, prevista para sábado, às 15:00, em Vila Velha de Ródão.
