Vista para a margem sul do Aquapolis, em Rossio ao Sul do Tejo, Abrantes. Fotografia: CMA

“Este plano de gestão de risco de inundação [pelo rio Tejo], que tem a ver com a cota que se relaciona diretamente com a cota 35”, definida pelo Ministério do Ambiente e Energia (MAE) e Agência Portuguesa do Ambiente (APA), “tem um conjunto de condicionantes para o progresso do nosso concelho, nomeadamente nas freguesias de Rossio, Alvega e Rio de Moinhos”, disse Manuel Jorge Valamatos.

O autarca criticou o princípio da cota 35, estabelecida no âmbito do Plano de Gestão dos Riscos de Inundações (PGRI) para as regras urbanísticas.

A principal discordância relativamente ao PGRI reside no n.º 2 do artigo 67º – Edificações em zonas ameaçadas por cheias, onde se pode ler que “só são admitidas obras de ampliação, reconstrução e construção de qualquer edifício se a cota do respetivo piso for superior à cota de cheia prevista para o local”.

“Nós tivemos algumas reuniões técnicas com o Ministério do Ambiente, obviamente que manifestámos na altura o nosso desagrado e algumas coisas foram tidas em contas, é verdade, mas muitas não foram. E agora, no fundo, este documento é aprovado, sai em Diário da República […]. Já existiam anteriormente algumas condicionantes e havia zonas onde era proibido construir, mas agora […] até a reconstrução pode estar em causa”, criticou.

Aquapolis Sul, em Rossio ao Sul do Tejo, Abrantes. Créditos: CMA

ÁUDIO | MANUEL JORGE VALAMATOS, PRESIDENTE CM ABRANTES:

O governante disse que o município irá “encetar um conjunto de ações com o Ministério do Ambiente tendentes a que seja alterado este plano para estas freguesias”, tendo feito notar que “há mais de 30 anos que não existem cheias significativas e com abrangências grandes em termos de inundação” da zona ribeirinha.

“Nós achamos que há um fundamentalismo enorme em torno desta questão. Acho que se está, no fundo, a criar uma regra com base nos últimos 100 anos e é completamente desajustada no tempo de hoje. Estas inundações que acontecem no rio Tejo não têm nada a ver com outras inundações que acontecem no país, sobretudo nas zonas litorais que têm uma racionalidade e um espetro completamente diferente”, declarou.

Segundo defendeu o autarca socialista, “a gestão das barragens, e toda a organização do próprio rio, é completamente diferente daquilo que era há 30 anos”, tendo criticado uma decisão que afirmou prejudicar o “desenvolvimento” do território.

“Eu julgo que estas condicionantes são castradoras do desenvolvimento destas freguesias, quer do ponto de vista urbanístico, quer do ponto de vista económico, quer do ponto de vista industrial, e nós não concordamos. Obviamente que vamos, a partir de agora, mais do que nunca, e para além do que já fizemos anteriormente, desenvolver ações para que possamos alterar este plano”, assegurou.

Nesse sentido, a Assembleia Municipal aprovou, por unanimidade, uma moção em que se declara que este PGRI é uma “clara afronta ao direito de conservar, requalificar, modernizar e refuncionalizar áreas edificadas que vão acusando processos de progressiva degradação”.

Por outro lado, refere a moção, o plano “não é sensível às necessidades da população na implementação de condições mínimas de habitabilidade, francamente deficitárias, dada a idade da maior parte do edificado”.

A Assembleia Municipal, que considera “possível que as entidades competentes corrijam estas regras e normas, encontrando-se um equilíbrio entre o ponto de vista político e o técnico”, solicita ao executivo “que continue empenhado na defesa intransigente destas reivindicações”, para que “não se permita deixar para trás estas localidades e as populações” ribeirinhas.

“É isso que vamos fazer daqui para a frente, de forma educada, de forma civilizada, de forma diplomática, se quiser, vamos encetar um conjunto de ações e reivindicações por forma a tentar alterar este plano a bem das nossas populações e do seu desenvolvimento”, concluiu Manuel Jorge Valamatos.

A moção, aprovada por todas as bancadas, vai ser enviada à ministra do Ambiente e Energia, aos grupos parlamentares com assento na Assembleia da República, à Agência Portuguesa do Ambiente (APA), e à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) de Lisboa e Vale do Tejo.

c/LUSA

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Agência de Notícias de Portugal

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4 Comments

  1. O que o senhor Presidente da Câmara Municipal de Abrantes deveria criticar é o facto do espelho de água não funcionar há mais de meio ano…..

  2. Não brinquem com a Natureza só porque “(…) ‘há mais de 30 anos que não existem cheias significativas e com abrangências grandes em termos de inundação’ da zona ribeirinha (…)”.

    Olhem para o Rio Grande do Sul no Brasil.

    “Tragédia no Rio Grande do Sul: maior enchente em 150 anos” – Jornal da Band: https://www.band.uol.com.br/noticias/jornal-da-band/videos/tragedia-no-rio-grande-do-sul-maior-enchente-em-150-anos-17246817

  3. De há trinta anos para cá, foi construída alguma barragem? Penso que não.
    Recordo-me da penúltima cheia, também diziam que não haveria mais cheias e foi o que se viu na seguinte.
    Das maiores de todos os tempos.
    Libertem as zonas dos campos, para sul e permitam construção.
    Aí está acima da dita cota.
    Mas os interesses são outros.

  4. Ao que estão a fazer na ribeira da pucariça é uma vergonha. Estão a pôr em perigo e as populações.

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