Central Termoelétrica do Pego. Créditos: mediotejo.net

Após a recente reunião de executivo, o autarca frisou estar a falar “de um fundo de cerca de 30 milhões de euros, ao qual vamos estar muito atentos e temos muita esperança que haja vários projetos para Abrantes, que possa representar essa tal mitigação e minorar o efeito do encerramento da central termoelétrica a carvão, embora fiquemos com a central a gás ainda durante uns bons anos em funcionamento e toda a economia que gera a favor da produção de energia a nível nacional”.

Manuel Jorge Valamatos relembrou que a questão do encerramento da produção da central a carvão trouxe perdas significativas a Abrantes e à região do Médio Tejo, e neste aspecto, defende a importância deste Fundo para a Transição Justa como forma de “minimizar esses efeitos em termos económicos e profissionais e da dinâmica do concelho e região”.

Recordou que, numa primeira fase existiu apresentação por parte das empresas de intenções de se candidatar ao fundo “e ficámos à espera que o aviso saísse para se materializar essas mesmas intenções”, uma vez que o fundo “está exclusivamente destinado às empresas/entidades de Abrantes que manifestarem intenção de se candidatar”.

“Agora vamos esperar esse resultado objetivo e ver quantas empresas vão apresentar candidatura para Abrantes e para a região. Estamos a falar de um fundo de cerca de 30 milhões de euros, ao qual vamos estar muito atentos e temos muita esperança que haja vários projetos para Abrantes, que possa representar essa tal mitigação e minorar o efeito do encerramento da central termoelétrica a carvão”, frisou Valamatos.

Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara de Abrantes, aborda questões ligadas à Central do Pego. Foto: mediotejo.net

O presidente de Câmara relembrou que já existiu um concurso aberto para a Central do Pego, e que foi ganho pela Endesa, e que “apesar de nada ter que ver com o Fundo para uma Transição Justa, mas que é importante no contexto do encerramento da central a carvão”.

“Há um projeto vencedor com um investimento de 600 ME firmado, sendo que a Endesa tem aqui o seu ponto de gravidade no concelho, com a sede aqui já instalada. Foi terrível num determinado momento, com o encerramento da central, mas neste momento temos boas razões para acreditar, quer pelo projeto da Endesa no concelho, quer pelo Fundo para uma Transição Justa, e o surgir de novos projetos para Abrantes; temos muita expetativa e esperança que possamos reequilibrar o dinamismo económico quer no concelho de Abrantes, quer na região do Médio Tejo”, afirmou.

Ainda no sábado, dia 30 de julho, a Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, defendeu as vantagens dos territórios do interior para uma situação de “rutura energética”, que se impõe no processo de mudança de paradigma quanto às fontes de energia, que se querem mais verdes. A governante falava no discurso na cerimónia oficial de inauguração da Feira de Enchidos, Queijo e Mel, em Vila de Rei.

“Estes territórios podem ser local adequado para se instalarem empresas que vão produzir energia limpa, e isto hoje já não é uma moda, nem pode ser encarado como tal. É o único caminho que temos para fazer”, afirmou, aludindo ao encerramento da Central a carvão do Pego, em Abrantes, e ao programa do Fundo para uma Transição Justa, do Portugal2030.

A ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa com o presidente da Câmara Municipal de Abrantes. A governante tem acompanhado o processo de reconversão da Central do Pego bem como a constituição de apoios para o reequilíbrio económico da região perante o encerramento da central a carvão. Foto: mediotejo.net

Deixou ainda uma palavra a todos os autarcas da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, na pessoa do secretário executivo Miguel Pombeiro, que não descansaram até abrirem os avisos ao “fundo dedicado aos territórios onde houve encerramento de atividade económica visando a transição energética”.

Na ocasião a ministra deixou a sua palavra, em jeito de compromisso, em como continuarão a existir apoios para a inovação e sustentabilidade do território com vista à transição energética que se impõe.

“Fica aqui o compromisso: não faltarão apoios para investimentos empresariais que sejam inovadores e que contribuam para fazermos esse caminho de termos uma pegada ambiental cada vez melhor, de fazermos a transição energética e noutras áreas que sejam relevantes para sermos um país cada vez mais sustentável”, frisou, então, Ana Abrunhosa.

Projetos anunciados para a zona industrial do Pego estão a andar

Em termos económicos, Manuel Jorge Valamatos deu ainda conta do balanço para novos projetos e empresas anunciadas para se fixarem na freguesia do Pego, todos confinantes com a EN118 junto à Central do Pego.

Quanto à empresa no setor da canábis medicinal, que irá ocupar a antiga RPP Solar, deu conta que o processo está em andamento, salientando que foi um bom sinal a aquisição daquele empreendimento pois “as instalações estavam paradas e devolutas há muitos anos”. Agora “há um projeto e investimento para aquele espaço, é muito bom perceber isso”.

Antigo terreno da RPP Solar, junto à EN 118, foi adquirido em hasta pública. No local, é feito o anúncio de um investimento na área da canábis medicinal. Imagem: mediotejo.net

“Temos feito algumas reuniões com os investidores, e estamos em fase de apresentação do projeto final para o arranque desta empresa, ligada à canábis medicinal, e depositamos boas expetativas no seu futuro para a criação de postos de trabalho e riqueza quer para o concelho, quer para a região”, enquadrou.

“Está a andar e estamos em vésperas de serem entregues todos os documentos de habilitação para o projeto de reconstrução do edificado, e depois para a fase posterior de laboração”, concluiu sobre este investimento.

Quanto ao projeto para o antigo complexo hoteleiro Abrantur, desativado há mais de uma década e já devoluto, o autarca deu conta que o espaço foi adquirido inicialmente pela Protecnil – Sociedade Técnica de Construções, S.A. com vista a construir uma Unidade de Cuidados Continuados (UCC), que levou a várias reuniões com o Ministério da Saúde. O projeto estava em fase de elaboração e construção, e entretanto a empresa que adquiriu vendeu a uma outra empresa aquelas instalações.

Hotel desativado no Pego poderá vir a incluir um projeto na área da saúde que inclui uma Unidade de Cuidados Continuados. Foto: DR

Segundo o autarca, a nova proprietária é muito focada na área da hotelaria, mas considera “a possibilidade, neste momento, de continuar o projeto da Unidade de Cuidados Continuados integrado num projeto na área da saúde, ainda que não o faça de forma tão evidente como inicialmente previsto”.

“São boas notícias, está tudo a andar. Estou a responder à comunicação social porque me compete fazê-lo perante as questões colocadas, mas só anunciamos projetos quando estiverem firmados e a arrancar a sua produção e laboração. Não anunciamos projetos sem eles estarem concretizados”, sublinhou, reforçando estar apenas a fazer um ponto de situação perante os processos que o executivo tem acompanhado mas que se tratam de iniciativa privada.

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Joana Rita Santos

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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