Os dias não são fáceis para a maioria. Não falo de terrorismo, cataclismos e golpes de estado mas sim do clima “interior” de cada um de nós. A ânsia e desânimo que muitas vezes se sobrepõem à vontade de criar e avançar. Estamos num momento que a nossa sociedade está desnorteada e negativa.
Pessoas que outrora eram positivas e empreendedoras agora estão ou falidas ou tristes… e com válidas razões.
Mas há outras (há sempre algo a equilibrar) com inclinações artísticas, que não desistem, não querem deixar de “mostrar trabalho” e progredir, e lembramos que há muitas associações artísticas que existem entre nós – de dança, pintura, música, canto, desporto, croché – que possibilitam o desenvolvimento cultural da região.
É isto que é interessante. Afinal há pessoas de que gostam, e querem trabalhar, aprender e desenvolver e, depois, por à vista dos outros o que se está a fazer.
Não é com o fim de vender ou enaltecer o próprio EGO mas sim confrontar-se, para depois continuar e assim dar o próprio contributo ao desenvolvimento duma terra que não teve, ao princípio, muito, mas que tem um património humano de um valor incalculável.
Pessoas de idades diferentes, de classes sociais diferentes, de ideias e “cores” diferentes mas unidos pelo AMOR à pesquisa, ao desafio que a arte cria!
O tempo ao cavalete, ao tear, a esculpir madeira… trocando impressões com os colegas, resmungando as dificuldades, enervando-se com as cores que não “ligam”, demonstra com clareza que se pode, e deve, trabalhar para poder obter resultados.
Pena que muitas vezes quem deveria orientar, dirigir e coordenar estas pessoas são indivíduos que querem “mandar”, sujeitar as suas ideias aos outros. Pessoas que através de amizades e enredos pouco claros estão naquele lugar e é isto que não faz sentido. Uma associação deveria ser um grupo de pessoas que “EM CONJUNTO” trabalham para alcançar um objectivo comum e não deve ser a capoeira dum galo qualquer.
Nós artistas queremos construir algo. Algo de bom e saudável, que possa ajudar quem até agora tinha na tasca ou na televisão o seu passatempo e oferecer como alternativa este desafio, trabalhar pela arte sem prerrogativas eleitorais ou de mandar em alguém.
Para esta razão dou os parabéns aos “artistas”, Sénior e Júnior, que com poucas palavras, mas muito trabalho (e uma pequena ajuda de autarquias e instituições interessadas no desenvolvimento cultural) estão a desenvolver uma área que até pouco tempo atrás não tinha uma forte identidade cultural.
