Associação empresarial de Santarém quer vender pavilhão para resolver passivo de 02 ME. Foto: Nersant

“Encontrei uma associação, não vou esconder, endividada, tem um conjunto de dívidas com alguma importância, umas garantidas por hipoteca, outras não, e que naturalmente preocupam qualquer gestor”, disse à Lusa o presidente, António Pedroso Leal, que assumiu em 2023 um mandato válido para três anos.

Eleito em agosto de 2023, o dirigente disse ter encontrado uma associação num “fim de ciclo daquilo que são os projetos financiados”, o que definiu como “problemático”, porque “fecha projetos e tem que se repor dinheiro e fazer pagamentos”.

Para pagar as dívidas, Pedroso Leal pretende recorrer ao capital da associação, que está representado por valores imobiliários avaliados em 8 ME, património que “pode ser vendido ou hipotecado”, em caso de necessidade.

É o caso do pavilhão de feiras da Nersant, em Torres Novas, com uma área de exposição de 3.500 metros quadrados (m2) e que conta no seu interior com um restaurante, um auditório com 270 lugares, bilheteira, espaço de receção, cafetaria, refeitório, wc, uma startup, uma sala de formação, uma outra multiusos e ainda sete salas para incubação de empresas, tendo Pedroso Leal indicado que o mesmo “está avaliado pelas Finanças em 1.9 ME”, o que permitiria resolver no imediato “dívidas” com atrasos.

“Nós estamos em dívida com alguns atrasos mas estamos, naturalmente, a gerir a dívida. Como não somos nenhum Estado, somos uma entidade privada, temos mais dificuldade”, e “essa é a preocupação que temos neste momento”, reiterou, tendo indicado que a associação “tem claramente condições para resolver o problema”, o que passará por “dispor dos bens”.

Nesse sentido, Pedroso Leal, que iniciou em agosto um mandato válido para três anos, disse estar em “conversações” com entidades públicas, nomeadamente o “poder político local”, e com entidades privadas, tendo afirmado que o município de Torres Novas seria o parceiro ideal.

“A direção da Nersant está a tentar vender e está a tentar comercializar o pavilhão de algumas formas. Uma delas é que o poder local assuma e fique com ele, porque no fundo é um património de Torres Novas. Sendo um património de Torres Novas, beneficia o concelho, porque a Nersant, sendo parceira da Câmara, que já é, na Escola Profissional somos parceiros, a Câmara fará aqui um conjunto de atividades, com o pavilhão, que são a referência da região”, indicou.

“Se o poder político local olhar para aquilo como uma oportunidade de fazer crescer e dinamizar muita coisa aqui no concelho, ganhamos todos. Ganha o concelho porque tem um espaço e um parceiro para dinamizar. Nós dinamizamos. Se essa não for a vontade do poder local, é evidente que passa pela aquisição de um privado que depois dinamizará de acordo com os seus próprios interesses”, alertou o dirigente da Nersant.

António Pedroso Leal, presidente da direção da Nersant. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | PEDROSO LEAL, PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO EMPRESARIAL NERSANT:

Tendo assegurado ter recebido manifestações de interesse, Pedroso Leal disse, no entanto, que a Nersant “não está para dar ou vender o pavilhão ao desbarato. Neste momento passa pelo pavilhão a solução financeira da associação, não vale a pena escondê-lo. As coisas são transparentes e estão à vista”, mas por valores “na ordem de grandeza da avaliação das Finanças” (1.9 ME).

O dirigente insistiu que “a sustentabilidade da associação” (…) passa por “rentabilizar-se a si própria” e defendeu que a Nersant “não pode estar dependente toda a vida do património que ela própria tem” para resolver o atual problema de défice.

“Temos condições atualmente de ultrapassar as dificuldades de uma forma suave, quanto mais breve melhor, porque sendo mais breve mais condições temos para fazer a nossa missão que é continuar com a equipa de excelência que temos a fazer o nosso trabalho. E planeá-lo passa por esses dois vetores. Ou o setor público olha para isso ou o privado olha para isso e temos a solução do problema”, concluiu.

A Nersant foi fundada em 1988, tem sede em Torres Novas e representa mais de três mil empresas.

c/LUSA

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