Associação de Futebol de Santarém anuncia programa do centenário. Foto: AFS

A Associação de Futebol de Santarém assinalou o seu 99º aniversário no dia 19 de novembro, data que foi assinalada como “especialmente importante”, uma vez que marca o arranque das comemorações para o primeiro centenário da Associação fundada em 1924.

A Associação de Futebol de Santarém, fundada em 1924 por cinco clubes de Santarém, conseguiu registar no seu já longo historial perto de 300 clubes filiados, muitos deles já inativos ou mesmo extintos tendo a AF Santarém, presidida por Francisco Jerónimo, afirmado o “dever de honrar esta história e de a transmitir publicamente com a dignidade que ela merece”.

Nesse sentido, a AF Santarém indicou estar a preparar um vasto conjunto de iniciativas com vista a assinalar condignamente este importante marco histórico da AFS e do associativismo desportivo no distrito de Santarém, tendo avançado com algumas das atividades programadas, entre elas o lançamento da nova imagem de comunicação da AFS, um logo renovado com o símbolo do Centenário e que será a marca impressa em todas as publicações e merchandising da Associação.

O livro “Pais e Atletas no Futebol – um estudo sobre comportamentos”, publicação promovida pela AFS, terá lançamento público no dia 4 de dezembro, pelas 18h30, no Hotel de Santarém, e conta com a presença dos autores do estudo e de dirigentes da Federação Portuguesa de Futebol, que patrocinou a publicação.

Associação de Futebol de Santarém anuncia programa do centenário. Foto: AFS

Por outro lado, a Federação Portuguesa Futebol vai ter uma reunião descentralizada na sede da AF Santarém e está a ser preparada uma exposição sobre o Centenário da AFS, com caráter itinerante, e que visitará os 21 concelhos do Distrito de Santarém, ao longo do ano de 2024, contando para isso com o apoio das respetivas autarquias na definição dos espaços, de modo a atingir o mais vasto público.

A AF Santarém indica que irá também promover a realização de “palestras com oradores especializados em diferentes temáticas, nomeadamente sobre o candente tema do fair-play e da ética no desporto, entre outros”, criar o troféu do Centenário, que terá inclusa a bola do centenário, e que poderá ser adquirido na AFS, assim como a medalha comemorativa.

A Associação avança ainda que vai criar uma nova secção no site da AFS com a publicação de registos relevantes da sua história secular, assim como algumas curiosidades que fazem o retrato do centenário percurso, a par da edição do Livro do Centenário da AFS.

Outras das atividades anunciadas passam pela realização do Jogo do Centenário – com um desafio entre duas equipas centenárias do Distrito, a inauguração da Academia de Futebol, iniciativa conjunta da AFS e da Câmara Municipal de Santarém, e um Gala comemorativa do Centenário que encerrará, em meados de novembro de 2024, as celebrações do primeiro século de vida da AFS.

Associação de Futebol de Santarém assinalou 99º aniversario e anunciou programa do centenário. Foto: AFS

Breve história da AFS

A Associação de Futebol de Santarém, fundada a 19 de novembro de 1924, tem uma história grande e riquíssima para contar. São muitas gerações de atletas, de árbitros e de dirigentes associativos gravadas a letras de ouro nos registos da Associação. Bastará dizer que a AFS conheceu 30 presidentes e perto de 300 clubes filiados, tantos deles infelizmente já extintos ou simplesmente desativados, ao longo da sua vida de quase um século.

Foi nos já longínquos anos vinte do século passado, quando o futebol ainda era um desporto inteiramente amador, mas já mobilizador de grandes massas de público, que aos seis dias do mês de novembro de 1924, a convite da direção do Sport Grupo Scalabitano “Os Leões”, se reuniram na sede desta agremiação os representantes do Grupo de Foot-Ball dos Empregados do Comércio e do Santarém Foot-Ball Club “Os 13″, para dar os primeiros passos na constituição da futura Associação que viria a reger a organização das competições de futebol no distrito de Santarém. Assim o regista a ata da reunião preparatória, onde também se dá conta da ausência dos dois outros clubes escalabitanos também convocados, o Sport Grupo União Operária e o Sporting Club Ribeirense, clubes esses que já estarão presentes na reunião seguinte, a 19 de novembro, onde são eleitos os corpos sociais da novel Associação de Foot-Ball de Santarém, assim como aprovados os estatutos que vigorarão até à revisão de 1988.

Então, aqui como no resto do país, no primeiro quartel do século XX, o futebol foi a primeira modalidade desportiva a massificar-se, tanto em termos de praticantes como na captação de fações de adeptos.

Tendo começado como o “sport praticado pela sociedade elegante”, trazido de Inglaterra, depois, durante a época de consolidação do futebol em Portugal, a formação de clubes passou a espelhar a diferenciação social que ocorria na sociedade, na maior parte das vezes assente em dualidades e rivalidades entre clubes de operários e clubes da elite, onde eram principalmente estudantes e membros da classe média e alta que formavam o corpo de atletas e adeptos.

“De um simples jogo, brotava um certo espírito de emancipação humana e social, uma promessa que o futebol parecia querer e poder cumprir”, como escreveu o historiador de futebol João Carlos Lopes.

Na capital do Ribatejo não foi diferente. Nos primeiros anos da Associação de Futebol de Santarém, “Os Leões”, nascidos em 1909, mantiveram com o União Operária, surgido poucos anos depois, uma intensa rivalidade competitiva, que foi inspirando o desenvolvimento de muitos clubes pela região a fora. Foi dos primeiros que partiu a iniciativa da constituição da Associação de Futebol de Santarém, como já atrás referimos.

Cinco outros clubes desses primeiros anos, todos eles já centenários, mantêm hoje atividade: o União de Tomar (1914), o Grupo de Futebol dos Empregados do Comércio (1917), conhecido pelos Caixeiros de Santarém, o Sport Abrantes e Benfica (1916), a segunda filial do Benfica, o Tramagal Sport União (1922) e o Club Desportivo os Águias (1922), de Alpiarça.

Nos primeiros 21 anos da Associação de Futebol de Santarém, só por três ocasiões o campeonato distrital foi vencido por clubes de fora da capital ribatejana. O Torres Novas Futebol Clube, em 1928/29, O Grupo Desportivo da Matrena, em 1937/38 e o União de Tomar, em 1941/42. Nessas décadas, a hegemonia foi sendo partilhada entre três clubes de Santarém: primeiro Os Leões, depois o União Operária e depois a Académica de Santarém, surgida em 1931, a partir de uma cisão estudantil dos Leões. Só a partir de meados da década de 40 vieram impor-se os campeões do Grupo Desportivo dos Ferroviários, do Entroncamento, o Clube Desportivo de Torres Novas e o Tramagal Sport União, este já na década de 60.

Em Santarém, uma fusão em 1969 dos Leões com o Operário deu origem ao União Desportiva de Santarém, que adotou o brasão e as cores da cidade no emblema, atualmente a disputar o campeonato de Portugal, juntamente com o União de Tomar na presente época.

A história das competições da Associação de Futebol de Santarém deixou de se fazer apenas de campeonatos distritais a partir de 1976/77, precisamente quando foi criada e disputada a primeira Taça do Ribatejo. O Clube Desportivo Amiense foi o primeiro vencedor e, curiosamente, continua como um dos clubes que tem maior palmarés na “prova rainha ribatejana”, com três edições conquistadas, as mesmas que o Tramagal e o Atlético Riachense. O Fazendense, com cinco troféus conquistados, é o atual campeão da Taça do Ribatejo. Já a Supertaça Dr. Alves Vieira surgiu em 1992/93.

No que respeita a campeonatos nacionais, o clube do distrito que obteve maior notoriedade é também o mais antigo ainda em atividade, e que integra o restrito lote nacional dos 20 clubes portugueses nessa condição, o União Futebol Comércio e Indústria de Tomar, que cumpriu em 2014 o seu centenário. Curiosamente, coincidiu, na sua génese, com a fundação da instituição mais importante do futebol: a Federação Portuguesa de Futebol.

Nos primórdios do futebol no Ribatejo, tornou-se lendária a rivalidade em Tomar entre o União e o Sporting de Tomar, assim como em Santarém entre Os Leões e o União Operária.

À escala regional, o União de Tomar terá sido o clube que mais paixões incutiu nos amantes do futebol durante um maior período de tempo, e também aquele que mais atenção mediática fez chegar ao panorama desportivo do Ribatejo. Permanece como o único clube do distrito que militou na 1.ª divisão nacional, onde chegou em 1967/68 depois de ter vencido a série Norte. No total, esteve seis épocas no escalão máximo do futebol, onde defrontou os grandes nacionais. Mais tarde, em 77, voltou aos escaparates por ter contratado o mítico Eusébio para envergar a camisola preta e vermelha.

O União de Tomar é o que chegou mais longe, mas o Torres Novas é o rei dos recordes. É o clube com maior número de campeonatos distritais da 1.ª divisão (10, tal como o extinto União Operária), tendo vencido por seis vezes consecutivas o campeonato distrital da 1.ª divisão, na década de 50, já depois da grande revisão de 48, o tempo em que os campeões distritais de todo o país (exceção dos Açores) iam, no fim da época, disputar o acesso à 2. ª divisão nacional e, se não o conseguissem, voltavam ao distrital.

O Desportivo, desde que foi fundado em 1945 nas bases do Torres Novas Futebol Clube, é também o clube com mais presenças em campeonatos nacionais: 52 temporadas disputadas nos nacionais, das quais 24 foram na 2.ª divisão nacional. União de Tomar, U. Santarém, U. Almeirim, Fátima, Alcanenense, Cartaxo, Ferroviários e Rio Maior também têm mais de duas dezenas de participações nacionais.

Entre os vencedores de títulos de campeonatos nacionais encontram-se O Coruchense, da 3.ª divisão nacional em 1953/54, Os Leões, também da 3.ª em 1962/63, o União de Tomar foi campeão da 3. ª em 64/65 e da 2. ª nacional em 73/74, o União de Santarém da 3.ª divisão em 74/75 e 84/85.

Saltando para o século XXI, o clube filiado na Associação de Futebol de Santarém que chegou mais alto é o Fátima, tendo passando três épocas na Segunda Liga do futebol profissional. Sagrou-se mesmo campeão da 2.ª divisão nacional em 2008/2009.

O Monsanto foi campeão de série na 3.º nacional em 2007/2008, assim como o Abrantes Futebol Clube o fez em 2003/2004.

Fátima, Riachense e Alcanenense são os clubes que, mais recentemente, têm repetido as suas presenças na 3. ª divisão nacional, na 2.ª e no Campeonato Nacional de Seniores, estabelecendo já o seu estatuto de clubes de divisões nacionais.

O Clube Atlético Ouriense teve uma evolução notável, foi campeão em 2012/13 e chegou ao Campeonato Nacional pela primeira vez. O Ouriense marcou a história da Associação de Futebol de Santarém de uma outra forma, ainda mais indelével: o futebol feminino. O Ouriense foi campeão nacional em dois anos seguidos, primeiro da 2.ª divisão e depois da 1.ª divisão, onde destronou o 1.º Dezembro, que foi campeão durante 11 anos seguidos. Na época 2012/13, as raparigas de Ourém voltaram a fazer história, não só no Ribatejo, mas no país: depois de conquistarem o campeonato e a Taça de Portugal, tornaram-se a primeira equipa portuguesa feminina a apurar-se para a fase final da Liga dos Campeões, e disputa atualmente o campeonato nacional da 1ª Divisão.

O futebol feminino é, desde então, uma grande aposta da AFS. Mas as equipas femininas que têm hoje resultados mais claramente expressivos é no Futsal.

O Futsal, herdeiro do futebol-de-salão, deu os primeiros passos no início dos anos noventa, conforme os registos da AFS (embora ainda com o epíteto de futebol de cinco esteja já referenciado no final dos anos oitenta) e tem sido uma modalidade em crescimento sustentado, apenas limitada pela ainda escassez de pavilhões no distrito para a sua prática.

São 20 os clubes de Futsal atualmente inscritos na AFS, com 11 equipas seniores a disputar a Taça de Futsal e ainda 6 equipas no torneio feminino. O Torneio Luís Boavida é disputado por 4 equipas.

O destaque vai para o Sport Clube de Ferreira do Zêzere, sendo o que possui mais palmarés e permanece há já duas épocas consecutivas na 1ª Divisão Nacional. Já o jovem Clube Vitória de Santarém, fundado 2005, é o segundo clube em Portugal com maior número de atletas inscritos.

O Futebol de Praia, com apenas dois clubes no distrito com equipas inscritas na AFS, e a nova modalidade do walking football estão agora a dar os primeiros passos no distrito.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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