A Associação de Municípios da Rota da Estrada Nacional 2 (EN2) está formalmente constituída desde o dia 5 deste mês de novembro, tendo o momento solene sido sufragado por 21 dos 32 municípios atravessados pela via que liga Chaves a Faro.
A Estrada Nacional 2 atravessa o país de norte a sul, sendo a terceira estrada mais extensa do mundo, a seguir à rota 66 dos Estados Unidos da América (EUA) e à rota 40 da Argentina.
Na região do Médio Tejo, a Estrada Nacional 2 atravessa os concelhos de Abrantes, Sertã, Vila de Rei e Sardoal.
A assinatura da escritura da Associação de Municípios da Rota da Estrada Nacional 2 juntou 21 autarquias em Santa Marta de Penaguião, mas mais 10 já garantiram a adesão, precisando apenas da aprovação das respetivas assembleias municipais.

Luís Machado, presidente da Câmara de Santa Marta de Penaguião e que lidera o projeto turístico EN2, afirmou à agência Lusa que a constituição desta associação representa a fase final da primeira fase deste projeto.
O autarca disse que a nova associação pretende concretizar a geminação da EN2, que liga Chaves a Faro, numa distância de 738 quilómetros, com a ‘Route’ 66, nos Estados Unidos da América (EUA), e a ‘Ruta’ 40, na Argentina.

Mas, para a concretização deste projeto de internacionalização, o presidente socialista defendeu que é necessária a abertura de um aviso nos fundos comunitários dedicado a este projeto que atravessa o país de Norte a Sul, passando por território das atuais cinco comissões de coordenação e desenvolvimento regional (CCDR).
De Trás-os-Montes ao Algarve, a Nacional 2 atravessa 32 municípios, passa pelo interior das povoações e liga paisagens tão diferentes como as vinhas do Douro, as planícies do Alentejo ou as praias do sul do país.
É este potencial paisagístico e patrimonial que se quer aproveitar. Luís Machado explicou que o objetivo é “avançar com um projeto de dinamização desta estrada histórica” que vai guiar os visitantes por uma viagem pelo país.
“A ideia é que as pessoas que façam esta rota tenham o mesmo tipo de acolhimento em todos os municípios por onde passem, tenham acesso a informações sobre alojamentos, restauração ou os produtos locais de qualquer um destes territórios”, salientou.
Luís Machado acredita que a EN2 vai ajudar a “criar riqueza nos territórios que atravessa, vai ajudar a mostrar a cultura, gastronomia e os produtos endógenos, ainda a fixar a população residente e até a atrair novas pessoas”.
A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real, é parceira do projeto e vai criar uma aplicação onde estará concentrada toda a informação sobre a EN2 e, conjuntamente com a Infraestruturas de Portugal (IP), será colocada uma sinalética da rota.
O autarca disse ainda que o projeto visa a recuperação das antigas casas dos cantoneiros, que estão devolutas.
Municípios querem geminar EN2 com estradas congéneres de outros países
A internacionalização do projeto turístico que está a ser desenvolvido na Estrada Nacional 2 deve incluir a geminação com vias congéneres de outros países, afirmou o presidente da Câmara de Santa Marta de Penaguião.
Luís Machado, dinamizador da criação da Associação de Municípios da Rota da Estrada Nacional 2, realçou a importância do aproveitamento turístico da via “para criar riqueza e fixar as pessoas” nos 32 concelhos que atravessa.

Importa, na sua opinião, que “sejam dadas ao projeto oportunidades que não existem” no programa de fundos comunitários Portugal 2020, já que “a forma como está desenhado não satisfaz” a sua candidatura aos apoios financeiros europeus.
O grupo de trabalho que, nos últimos dois anos, desenvolveu o processo para a constituição da Associação da Rota da Estrada Nacional 2 apelou à intervenção do Governo e do Turismo de Portugal com esse objetivo.
Frisando que a internacionalização “é o desafio maior” dos promotores deste “projeto socioeconómico”, que já assegurou a adesão de 26 dos 32 municípios atravessados pela EN2, Luís Machado disse que esta via começou a ser construída em finais do século XIX e atravessa território das atuais cinco comissões de coordenação e desenvolvimento regional (CCDR).
“Vamos ver se antes do próximo verão, em 2017, já temos oferta no mercado”, afirmou.
A emissão de um “passaporte municipal”, para ser carimbado em cada um dos concelhos visitados, a par de um “passaporte presidencial”, a utilizar quando os turistas forem recebidos pelos líderes de cada autarquia, é uma das medidas pensadas para integrar a EN2 na oferta turística nacional e internacional.

O presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, classificou como “projeto fabuloso” a EN2 e a sua valorização enquanto aposta para criar emprego e combater a desertificação do interior.
Intervieram ainda na sessão presidentes e vereadores de outros municípios envolvidos na iniciativa, de norte a sul do país, e cidadãos, como o economista Aires Henriques, promotor turístico e proprietário do Museu da República e da Maçonaria, nos Troviscais, concelho de Pedrógão Grande.
c/LUSA
