A apresentação da associação Art'Abrantes aconteceu no Espaço Jovem, em Abrantes. Foto: mediotejo.net

A associação nasceu com a missão de valorizar o saber fazer, promover o artesanato certificado dos concelhos de Abrantes, Constância e Sardoal, e garantir que a tradição continua viva nas mãos das novas gerações. A Art’Abrantes pretende, assim, ser um ponto de encontro entre tradição e inovação, apostando em ações de formação, aprendizagem e promoção dos artesãos locais.

“Num mundo cada vez mais rápido”, a associação quis lembrar que “o artesanato tem alma, história e identidade” e que “é urgente apoiar quem dedica a vida a criar com as mãos e com o coração”.

Durante a apresentação da associação, Carlos Sousa, presidente da direção da Art’Abrantes – Associação de Artesanato, sublinhou que a nova estrutura nasce com o objetivo de “defender, valorizar e promover o artesanato certificado” de Abrantes, mas também dos concelhos vizinhos de Constância e Sardoal.

Entre os objetivos da Art’Abrantes está a criação de uma feira de artesanato na cidade e a formação contínua de artesãos e captar jovens talentos. Carlos Sousa destacou ainda o exemplo de regiões como Estremoz e Barcelos, que alcançaram grande reconhecimento, afirmando que “o nosso artesanato é único e merece ser promovido com a mesma força”.

O presidente da associação aproveitou também para lançar um apelo ao município de Abrantes, solicitando um espaço no centro histórico da cidade para a instalação da sede da Art’Abrantes, onde possam ser promovidas exposições, formações e eventos online.

“Este projeto é feito com empenho e muita vontade”, garantiu Carlos Sousa, mostrando confiança no futuro da associação e na capacidade dos próprios artesãos para liderarem a valorização e preservação do património cultural local.

O presidente do CEARTE, Paulo Teles Marques, felicitou a criação da Art’Abrantes – Associação de Artesanato, considerando a iniciativa “muito importante” para a valorização do artesanato da região, que afirmou ser “muito significativo” tendo em conta a adesão à iniciativa.

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Durante a sua intervenção, destacou o peso significativo do setor local e o dinamismo demonstrado pelos artesãos, visível na participação em projetos comunitários e internacionais, como a recente presença de uma comitiva de artesãos da região na Estónia.

Paulo Teles Marques garantiu que o CEARTE estará “na linha da frente” para apoiar a jovem associação, seja na realização de feiras, na atribuição de Cartas de Artesão ou na organização de eventos e formações.

O responsável apelou ainda ao apoio contínuo do município à nova associação, sublinhando que os primeiros anos são cruciais para o seu sucesso e que o artesanato desempenha um papel vital no desenvolvimento sustentável, no crescimento económico, na preservação ambiental e na defesa da cultura e das tradições locais.

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O presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, deixou um elogio à equipa fundadora da Art’Abrantes – Associação de Artesanato e reafirmou o apoio do município ao desenvolvimento desta nova estrutura que pretende promover o artesanato de Abrantes, Constância e Sardoal.

Durante a sessão pública de apresentação, Valamatos destacou a importância do associativismo para a vitalidade das comunidades, afirmando que são “as pessoas e as suas organizações que impulsionam o desenvolvimento local”. Apesar das restrições de comunicação impostas pelo período pré-eleitoral, o autarca garantiu que, dentro do quadro legal e ético, a autarquia tudo fará para apoiar a associação.

Para Manuel Jorge Valamatos, a criação da Art’Abrantes é “um passo extraordinário” para a valorização do artesanato local, um setor que considera estratégico para o fortalecimento da identidade cultural e para o dinamismo económico do território.

“O artesanato precisa de movimentos como este para consolidar a sua autenticidade e originalidade”, sublinhou, acrescentando que iniciativas como esta fortalecem não apenas Abrantes, mas também toda a região envolvente.

Neste momento, são já 21 os artesãos certificados nos concelhos de Abrantes, Constância e Sardoal. Em declarações aos jornalistas, Carlos Sousa recordou que a ideia de criar uma associação nasceu há vários anos, durante uma edição da Mostra de Artes e Ofícios em Abrantes.

“Sentimos que havia necessidade de nos unirmos para termos uma voz mais abrangente e conseguirmos outras regalias, como a participação em feiras e uma maior divulgação do nosso trabalho”, explicou.

A Art’Abrantes tem também como missão apoiar os jovens artesãos, considerados fundamentais para garantir a continuidade do saber-fazer tradicional. “Queremos cativar e puxar para nós os jovens artesãos, porque são o futuro”, sublinhou Carlos Sousa.

ÁUDIO | Carlos Sousa, presidente da direção da Art’Abrantes – Associação de Artesanato

Entre os projetos da nova associação está a organização, num futuro próximo, de uma grande feira nacional de artesanato em Abrantes. “Claro que estaremos sempre com Abrantes por trás, mas nesta fase inicial todos os artesãos de Constância e Sardoal são bem-vindos”, acrescentou.

A associação tem Carlos Sousa como presidente da Direção, Cristina Reis é a secretária e Paula Jurado a tesoureira, contando com o apoio institucional do Município de Abrantes, liderado por Manuel Jorge Valamatos, e do CEARTE – Centro de Formação Profissional para o Artesanato e Património.

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De acordo com Carlos Sousa, apenas artesãos certificados ou em processo de certificação poderão ser associados, conforme previsto nos estatutos da Art’Abrantes.

Cristina Reis, secretária da associação, destacou a dimensão e qualidade do artesanato existente nos concelhos de Abrantes, Constância e Sardoal.

“Quando começámos a reunir artesãos, criámos um grupo no WhatsApp e começámos a perceber que tínhamos mais de 50 pessoas com trabalhos interessantíssimos e que nós acabamos por nem ter noção”. Para Cristina Reis, este é um sinal claro da riqueza criativa local e da necessidade de dar visibilidade e reconhecimento a estes talentos.

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Grande parte dos artesãos envolvidos ainda não possuem a Carta de Artesão, mas a associação está empenhada em impulsionar a sua certificação. A dirigente sublinhou ainda a importância de organizar e valorizar a produção artesanal, explicando que a certificação obriga os artesãos a especializarem-se, podendo certificar até três tipos de produtos.

Fernando Tomás, do GPAO – CEARTE, procedeu à apresentação da Carta de Artesão, documento oficial emitido pelo CEARTE (Centro de Formação Profissional para o Artesanato e Património), que reconhece formalmente a atividade de um artesão ou de uma unidade produtiva artesanal (UPA).

De acordo com o responsável, esta certificação tem como objetivo distinguir quem exerce o artesanato como profissão, valorizando o saber-fazer tradicional, a autenticidade das técnicas e a qualidade dos produtos.

A obtenção da Carta de Artesão está sujeita a critérios definidos pela Portaria n.º 1193/2003, exigindo que os candidatos comprovem experiência, domínio técnico e a produção manual significativa dos seus artigos. O processo inclui a apresentação de documentação, portefólio de trabalhos e, por vezes, a avaliação presencial das peças.

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De acordo com Fernando Tomás, o reconhecimento através da Carta de Artesão traz algumas vantagens. Para além do acesso aos apoios e benefícios que o Estado atribui ao artesanato (como o Programa de Promoção das Artes e Oficios |
Medida de Apoio Excecional COVID-19 | Prémio Nacional do Artesanato), os artesãos com a Carta têm acesso às principais feiras de artesanato do país.

A Carta de Artesão, permite ainda o acesso em condições vantajosas e de forma simplificada ao selo “Portugal Sou Eu”, bem como a possibilidade de utilizar menções especificas como “produto artesanal”, “fabrico artesanal” ou equivalentes, as quais são vedadas por Lei aos produtores não reconhecidos

A sessão de apresentação da Art’Abrantes e a divulgação da Carta de Artesão procuraram sensibilizar os artesãos locais para a importância da certificação, garantindo que o artesanato seja reconhecido não apenas como tradição, mas também como atividade económica e cultural de valor estratégico.

Para a candidatura à Carta, os artesãos devem proceder à entrega dos formulários e elementos de identificação, certificado de formação ou descrição do percurso, declaração de início de atividade nas Finanças, descrição dos processos de produção e equipamentos, descrição das matérias primas e dos produtos obtidos, fotos dos produtos, das fases de fabrico e da oficina atelier, fotos dos stands ou bancas em feiras, se aplicável.

Fotos: mediotejo.net

Na área alimentar existem requisitos especiais do modo de produção, sendo que a matéria-prima base ou principal deve ser originária, preferencialmente, da região onde se encontra instalada a unidade produtiva; a utilização de matérias-primas no seu estado natural; a utilização de processos físicos ou biológicos de carácter não industrial (secagem, cozedura, fumagem, fermentação, precipitação, maturação…) e a não utilização de aditivos e auxiliares tecnológicos, com exceção dos de origem natural.

Quanto aos requisitos administrativos, na área alimentar, deverá ser entregue o comprovativo do licenciamento da atividade; o comprovativo da constituição de entreposto fiscal de bebidas alcoólicas (casos das aguardentes, licores, sidra e cervejas), quando aplicável e o parecer vinculativo da Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (a obter pelos serviços do CEARTE).

No setor dos produtos de higiene e cosmética, para formalizar a sua candidatura, os artesãos devem enviar o comprovativo do licenciamento da atividade; o comprovativo do registo no INFARMED e o comprovativo da notificação dos produtos cosméticos no CPNP (Cosmetic Products Notification Portal).

Mestre em Jornalismo e apaixonada pela escrita e pelas letras. Cedo descobriu no Jornalismo a sua grande paixão.

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