Começamos 2019 com uma preocupação maior face a janeiro de 2018, o país que parecia melhor está afinal a caminhar para uma situação preocupante, que não é propriamente surpresa, sem nada ter feito para o evitar.
Se a sensação de riqueza e de maior liquidez, quer das pessoas, quer no discurso dos governantes é indiscutível, a dura realidade é que afinal tudo não passa de uma situação aparente e passageira alicerçada no aumento do crédito e na redução da poupança, no plano pessoal, e no aumento da dívida e dos prazos de pagamento no que diz respeito ao Estado.
Hoje, milhares de empresas e instituições esperam cada vez mais tempo para receber o que a Administração Pública lhes deve. Demasiadas reformas ficaram por fazer ao longo de 4 anos em que a única preocupação foi reforçar a distribuição de rendimentos mesmo que isso custe a sustentabilidade e médio prazo.
A economia portuguesa está a desacelerar pois nada foi feito para estimular as empresas, antes pelo contrário, os únicos sinais dados às empresas foram no sentido oposto: mais impostos.
Face às consequências previsíveis do Brexit, ao desacelerar da economia europeia e ao fim do programa de compras do BCE, a atitude responsável não seria aumentar despesa estrutural que não será coberta pelo crescimento da economia, mas foi essa a opção do governo. Em vez de reformas que garantissem maior crescimento económico, o Governo das esquerdas optou por criar maior dependência.
Ao contrário de Portugal, outros países aproveitaram a folga do crescimento económico, mas sobretudo o “oxigénio” do programa de compra de dívida pública do BCE. para fazer reformas que permitissem agilizar as suas economias e modernizar as respetivas administrações públicas e as empresas. Portugal fez tudo ao contrário, procurou a “felicidade imediata pondo em causa o seu próprio futuro”.
Os portugueses não podem estar melhor quando os hospitais estão pior, os portugueses não podem estar melhor quando esperam cada vez mais tempo para ter uma consulta médica ou fazer uma cirurgia.
Os portugueses não podem estar melhor quando os transportes públicos são cada vez mais escassos, são constantemente suprimidos e têm cada vez menos segurança.
Os portugueses não podem estar melhor quando as forças de segurança não atuam porque não têm gasóleo para os carros ou para a sua reparação e quando os helicópteros de busca e salvamento estão parados por falta de dinheiro para a sua manutenção.
A coligação de esquerda rebentou com o que restava dos serviços públicos e adiaram novamente investimentos que tinham sido suspensos durante a crise económica. Pior, o investimento público desde 2015 é ainda mais baixo do que no período da troika.
Ao longo dos últimos três anos e meio, com condições nacionais e internacionais muito favoráveis, a coligação de PS, BE e PCP optou por ser populista em detrimento de assegurar o futuro do país. A fatura chegará.
