Uma constante e permanente luta que vai tentando encontrar equilíbrios entre os desequilíbrios da vida. Tarefa nem sempre fácil porque há rasteiras que espreitam a cada esquina. Hipocrisia generalizada que tira a mão, a mesma mão que tinha sido prometida para ajudar ou dar o empurrão que ia facilitar a ultrapassar as dificuldades.
A injustiça faz parte da vida mas apesar de naturalmente não a aceitarmos, encerram-se nela as lições mais poderosas. Lições de vida porque aquilo que não nos mata torna-nos mais fortes, mais despertos, mais preparados para os desafios do futuro.
Tudo acontece por um motivo. Mesmo que não o entendamos no momento, o futuro encarregar-se-á de nos trazer as respostas. Os mais fortes fazem das fraquezas forças e regressam ainda mais fortes.
Mas neste processo pode haver danos colaterais e vítimas não convencionais que aumentam a perda inicial.
Vem isto tudo a propósito daquilo que vai acontecendo perto de nós. Na nossa cidade, no nosso país, no nosso mundo. Porque nos dias que correm, mesmo o aparentemente longe se torna assustadoramente perto.
Assustadoramente que ganha mais peso de forma ainda mais preocupante e que transforma o “nosso” numa realidade quase desconhecida e cada vez menos nossa.
Por momentos chega a parecer que vivemos num pesadelo e que basta abrir os olhos para lhe colocarmos um ponto final. É aí que percebemos que o pesadelo está fora de controlo porque ele é real e a única coisa que podemos fazer é fechar os olhos ou desviar o olhar acreditando que aquilo que fingimos desconhecer não nos pode magoar.
Assim vamos vivendo e convivendo com este mundo de injustiças que nos vai ensinando a ser mais fortes e essencialmente mais frios. Vivendo num mundo irracional despojado de emoção e de razão que nos diz que por mais lições que se encerrem na injustiça, há coisas que dificilmente aprendemos e que nunca aceitaremos… porque se alguma vez o chegarmos a aceitar, é nesse preciso momento que apagamos o resto de humanidade que ainda nos resta.
