Arte rupestre coloca Mação no centro da agenda científica europeia. Foto: Kenia de Aguiar Ribeiro.

O encontro internacional vai reunir no auditório do Centro Cultural cerca de 50 investigadores e gestores de sítios rupestres de vários países europeus. Luiz Oosterbeek, diretor do Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado do Vale do Tejo, destacou a importância da realização conjunta destes encontros, afirmando que Mação “tem hoje um reconhecimento europeu e internacional raro” na área da arqueologia rupestre.

“É muito significativo que estes delegados venham precisamente no ano em que assinalamos os 25 anos da descoberta do cavalo paleolítico do Ocreza, a primeira vez que se descobriu arte paleolítica no sul de Portugal. Mação soube construir ao longo destas décadas um centro de excelência em investigação e património, e receber estes eventos confirma essa trajetória”, disse Luiz Oosterbeek.

Em comunicado, o município de Mação indica que o workshop europeu TupART e a Assembleia Geral da associação Caminhos da Arte Rupestre Pré-histórica (CARP) vão reunir no auditório do Centro Cultural local cerca de 50 investigadores e gestores de sítios rupestres de vários países europeus.

Os dois eventos estão marcados para os dias 11 e 12 e coincidem com a celebração do 25.º aniversário da descoberta do “Cavalo do Ocreza”, uma gravura rupestre paleolítica (com mais de 20 mil anos) descoberta no vale da Ribeira da Ocreza, no concelho de Mação, a primeira manifestação de arte paleolítica encontrada nesta área do Médio Tejo, semelhante à arte do Vale do Côa.

Desde a descoberta original, no início dos anos 2000, várias outras gravuras de cavalos e outros animais (como auroques e cervídeos) foram identificadas na região, algumas delas incomuns por representarem animais “sem cabeça”, o que se tornou um padrão no local, tornando o conjunto particularmente singular.

Uma quarta gravura rupestre com mais de 20 mil anos, que representa a figura de um cavalo, foi descoberta no vale do Ocreza, em Mação. Foto: Paulo Cunha

O primeiro dia do encontro internacional será dedicado ao workshop do projeto TupART, do qual são parceiros o município de Mação e o Instituto Terra e Memória (ITM), entidade com sede naquele concelho e a que o professor e investigador também preside.

À Lusa, Oosterbeek sublinhou que o projeto, apoiado pela Comissão Europeia, representa “uma oportunidade estratégica” para os territórios rurais.

“Permite-nos reforçar a visitação aos sítios de arte rupestre, capacitar atores locais, integrar melhor o setor turístico e produzir materiais de divulgação de grande qualidade”, afirmou, considerando-o “um bom projeto, com forte impacto na valorização económica e cultural”.

O TupART pretende revitalizar regiões marcadas pelo despovoamento e por fragilidades socioeconómicas, promovendo modelos de turismo sustentável associados à arte rupestre, considerada a expressão artística mais antiga da Humanidade, em regiões como os vales do Dordonha, a Cornija Cantábrica e as regiões transfronteiriças do Douro e Tejo.

Segundo os promotores, o objetivo do programa passa por dinamizar o turismo rural, valorizando recursos endógenos e implementando soluções inovadoras que promovam a melhoria da qualidade de vida das populações e o desenvolvimento económico local.

Durante o encontro, adianta a mesma nota, será ainda apresentada uma proposta de renovação das estratégias de gestão da arte rupestre, orientada para a sustentabilidade e a inclusão social.

Arte rupestre coloca Mação no centro da agenda científica europeia. Foto arquivo: Kenia de Aguiar Ribeiro.

No segundo dia terá lugar a Assembleia Geral do CARP, organização de que Mação é membro fundador e que coordena o Itinerário Cultural do Conselho da Europa dedicado à arte rupestre.

Esta rede, reconhecida como Itinerário Cultural Europeu desde 2010, integra atualmente mais de 165 destinos em dez países, constituindo a maior plataforma europeia de divulgação deste património.

Um dos pontos altos será o lançamento da primeira Cátedra de Arqueologia Rupestre da Europa, criada com o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia e atribuída ao Instituto Politécnico de Tomar (IPT), ficando sediada em Mação.

Para Oosterbeek, professor coordenador no Politécnico, a criação desta cátedra “coroa décadas de investimento do IPT e da autarquia”, ao mesmo tempo que reconhece que “Mação possui hoje algumas das mais avançadas metodologias técnico-científicas para o estudo da arte rupestre, do tratamento digital de imagens ao uso de inteligência artificial”.

Sara Garcês e Luís Oosterbeek. Foto: mediotejo.net

ÁUDIO | LUIZ OOSTERBEEK, DIRETOR MUSEU ARTE PRÉ-HISTÓRICA DE MAÇÃO:

O arqueólogo acrescenta que o trabalho desenvolvido em Mação tem atualmente projeção mundial, coordenando ou colaborando em investigações na África do Sul, Brasil, Turquia e várias regiões europeias.

“É um centro pluridisciplinar onde se articulam investigação, património e desenvolvimento económico. A nossa intenção é reforçar ainda mais esse papel nos próximos anos”, afirmou.

A Câmara de Mação, por sua vez, considera que a realização destes eventos “reforça o papel do concelho como referência internacional na valorização e salvaguarda da arte rupestre”, salientando também o envolvimento da comunidade local, dimensão que Oosterbeek também enfatiza.

“A razão por que estamos em Mação é porque se construiu aqui uma relação fortíssima com a comunidade e com as instituições locais desde a descoberta do cavalo do Ocreza. Esse enraizamento é essencial ao trabalho que desenvolvemos”, declarou.

A Câmara de Mação sublinha que a realização destes encontros “reforça o papel do concelho como referência internacional na valorização e salvaguarda da arte rupestre”, além de constituir uma “oportunidade para fortalecer estratégias de desenvolvimento cultural e sustentável” no território.

O município destaca ainda a importância do envolvimento da comunidade local, apelando à participação e ao reconhecimento do valor patrimonial e identitário associado a estas iniciativas.

C/LUSA

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