Os advogados António Gameiro, ex-presidente da Distrital de Santarém do Partido Socialista, e Paulo Lourenço, membro da Assembleia Municipal de Abrantes, foram constituídos arguidos na “Operação Mais Valia”, na terça-feira, na sequência de buscas relacionadas com a venda da antiga sede da Federação Portuguesa de Futebol, em 2018, por mais de 11 milhões de euros.
Segundo a Polícia Judiciária, estão em causa suspeitas de crimes de recebimento indevido de vantagem, corrupção, participação económica em negócio e fraude fiscal.
No âmbito desta operação foram cumpridos esta terça-feira 20 mandados de busca em casas particulares, instituições bancárias e sociedades de advogados, nos distritos de Lisboa, Setúbal e Santarém.
António Gameiro, 54 anos, advogado, natural de Ourém, presidiu à Federação Distrital de Santarém do Partido Socialista durante quase duas décadas e foi eleito deputado à Assembleia da República por cinco vezes (até 2023). Em 2021 candidatou-se à Câmara de Ourém, mas retirou a candidatura e demitiu-se da presidência da concelhia por ter sido envolvido na “Operação Triângulo”, que levou à detenção da então presidente da Câmara de Vila Real de Santo António, por “suspeitas de corrupção, recebimento indevido de vantagem e abuso de poder”, na intermediação de um negócio imobiliário no Algarve. No mesmo ano, foi também questionada a sua intervenção na venda de uma grande propriedade no Barreiro, envolvendo também a Câmara daquele concelho.
Paulo Lourenço, 65 anos, advogado, é natural de Mouriscas, Abrantes, concelho a que manteve sempre ligação. Atualmente é membro efetivo da Assembleia Municipal de Abrantes, eleito pelo Partido Socialista. Licenciado em Direito, trabalhou como técnico jurista da Direcção-Geral dos Impostos e foi assessor do gabinete do Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, quando Sousa Franco era Ministro das Finanças. Deixou as funções governativas para ser um dos responsáveis pela organização do Euro 2004. Tornou-se depois secretário-geral da Federação Portuguesa de Futebol.
O nome de Paulo Lourenço já tinha sido relacionado no passado com eventuais fugas fiscais. Uma investigação do Expresso, em 2017, no âmbito dos Malta Files, referia que o “antigo quadro do Fisco criou três empresas no país com melhor regime fiscal da Europa”, onde quem não é residente pode pagar apenas 5% de imposto. Na altura, Paulo Lourenço disse ao jornal que se tratou “apenas de um favor” que fez a um amigo.
